sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Poeta e o Flamboyant








Mais um dia
Anuncia o amanhecer
Por entre as folhas
De um centenário flamboyant
Que recebe as andorinhas felizes
Anunciando a chegada do sol
Iluminando suas flores vermelhas
Em estações perfumadas de primaveras
E, conforme o dia vai seguindo
As sombras dos galhos vão dançando sobre
A relva verde onde o poeta descansa
Seus pensamentos na poesia
Sentado num banco qualquer
De um jardim suspenso
À beira da estrada em terras
Onde o samba é carioca

Ainda há uma palavra aprisionada
Em seu coração
Ainda há um nó na garganta
Revelado pela lágrima na sua face
Que não foi desatado
Pelo seu sorriso

Seu olhar atravessa o horizonte
Da vida momentânea
E transcende suas limitações
Num deixar fluir das suas emoções
Então, o poeta
Liberta a sua voz nos versos
Em procissão
Nestas serenatas de amor
Que o dia encerra
Em sua salvação

Mais um dia
De sua sutil existência
Do que lhe é mais importante
E preenche seu silêncio
Sua singela poesia

O poeta tira dos seus pensamentos
O som do seu sentimento
Mais profundo e mudo
Para permanecer nas palavras
As divagações das suas saudades
De um lugar distante
Onde apenas seu olha alcança

E, a vida segue naturalmente
Deixando as marcas do tempo
Nos passos tatuados pelo chão
Nos versos escritos pela mão
Do poeta solitário
Consagrando sua passagem pela jornada
Nas folhas escritas
Sob as sombras de um centenário flamboyant

Helen De Rose



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