quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mensageiros da Madrugada













Em algum lugar do tempo e do espaço...

As noites estão mais longas no inverno do hemisfério sul. As brumas permeiam as alfombras das ruas desertas, enquanto pequenas luzes tentam penetrar nas sombras das luminárias. No alto do poste, um ruído solitário de uma coruja branca que olha atentamente para o fim da rua, de onde surge uma silhueta cambaleante de mulher.

Suas vestes estão rasgadas pela força da violência de outras mãos. Sua face está escondida pelo sangue que escorre na sua testa, vindo da raiz dos seus cabelos longos. Ela vem pelo meio da rua, quase nua e cai em cima do meio fio da calçada. No silêncio da madrugada seu choro triste canta para a Lua minguante, que surge entre as nuvens passageiras. Sua vida chegou ao fim da linha, no abandono de tudo o quanto ela sonhou um dia. O sereno vai caindo, umedecendo sua pele arrepiada pelo flagelo do frio. Seu corpo estremece seus sentimentos de dor, enquanto a madrugada é um açoite indelével para seus pensamentos indefectíveis.

Seu martírio, foi ser espancada pelo vício doentio dos seus algozes e, no meio fio da calçada, ela chora as escolhas que a trouxeram para este instante derradeiro.

De repente, um feixe de luz desce de um portal aberto no céu, trazendo uma legião de espíritos benfazejos para auxiliar o destino desta mulher. Sem forças, ela olha a sua volta e só consegue ver mãos irradiando luzes em direção ao seu corpo. No cansaço da sua alma, ela adormece profundamente.

Quando a madrugada começa a dar lugar para os raios do nascer do sol, a mulher acorda com o barulho confuso dos passarinhos enfileirados no fio do poste. Ela está deitada num colchonete, coberta por uma manta, vestida com um pijama de flanela e sem nenhum sinal de sangue ou corte em sua pele.

Era um sonho ou ela teria acordado?

Depois dessa madrugada, uma mensagem habitou para sempre o coração desta mulher, renascida na luz.

Helen De Rose
 
 
*Publicado na Antologia "Contos da Madrugada" - Lançamento: Julho / 2010 - CBJE

quarta-feira, 16 de junho de 2010

(Onde) As Rosas Crescem










Venha no presságio do anoitecer silente
No leito que jaz meus desejos lascivos
Trazendo teu perfume de unção ‘caliente‘
Perfumando a rosa com teu lume ativo

Eu sou a perdição dos lunáticos insanos
Prateando a mente com sonhos de horror
O desejo de te possuir como os humanos
Igual uma rosa na sepultura do amor

Meus espinhos beijam teu sangue carmim
Minhas pétalas cobrem o teu corpo assim
Intumescido por aromas que enlouquecem

No terral noturno do teu devaneio decorrente
Fertilizado na penumbra desta gruta presente
Nós amamos e morremos onde as rosas crescem!

Helen De Rose


*Publicado na Edição 2010 do Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea - Lançamento em Julho / 2010. CBJE - Rio de Janeiro.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Declaração de Amor













Meu Poeta! Tece meu sonho imaginário,
Nesses sonetos saídos do teu coração,
Eu serei uma jóia desse teu relicário,
Entregando tua alma para minha emoção

Eu guardo esse segredo com serenidade,
Nesse Éden, onde nascem as vermelhas maçãs,
Alimentando-te com a minha saudade,
Quando me entregar nessas refrescantes manhãs

Tu és meu anagrama desde o nascimento,
Nasci, buscando-te nesta nova jornada,
Encontrei tua vida por meu merecimento

Tu és o presente raro que a vida me deu!
Eu serei por toda eternidade tua amada,
Na declaração de amor que o Poeta escreveu

Helen De Rose

*As 15 Coroas de sonetos estão no livro "Declaração de Amor" que foi lançado em 12/06/2010.
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