segunda-feira, 27 de setembro de 2010

(Ao) Caçador de Borboletas




Vou entrando através dos seus olhos
nos jardins encantados da sua alma.
Vejo o seu coração diante dos meus olhos,
transformando-se num caçador de borboletas,
correndo pelos campos carmesins dos seus sentimentos,
nas primaveras que dão flores em paineiras,
esvoaçando nuvens de algodão,
através do seu tímido sorriso.
Dos galhos descem balanços celestiais,
enfeitados com eras verdejantes.
Neste momento, sou aquela menina dos seus olhos,
a balançar meu coração na sua alma,
cantando nossa canção de amor.
A música contagia meu ser por estar em você!
E, neste instante,
meu corpo se transforma numa borboleta azul,
voando sobre seu coração de caçador de borboletas,
desejando-me em suas mãos.
Sinta-me! Estou no balançar da sua vida!
Sou a borboleta azul que você deseja.
Mas, antes, dance comigo esta canção,
Olhando nos meus olhos a noite estrelada,
Refletindo sua infinita existência.
Porque quando os olhos se encontram,
Procuram o sabor dos lábios,
Para a alma sentir o beijo,
Enquanto os olhos se fecham
E realizam este sonho!

Helen De Rose

*lançamento em 10 de outubro de 2010 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Delicioso pecado!












Satânico é o meu desejo
De despir seu corpo
Naquela manhã ensolarada
Tirar da minha boca a fome
Dos seus sabores
Olhando pra você
Enquanto te desejo
Desfaço da sua pele
Em suaves descidas
Até que se mostre
Eu te mordo a ponta
Até chegar o fim
Do meu prazer
Saciando o mel
Da forma em riste
Da banana que comi
Até o fim!! 


Helen De Rose

Antologia Portuguesa - 7 Pecados - Portugal

*Vídeo do Lançamento:
 http://www.slide.com/r/DIY7KXpW6z9NusyNUg5iBlIEh1Tc1P1r?map=2&cy=un

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O prepúcio sagrado













Do solo fértil do ser masculino
Nasce uma raiz na derme macia
Segura por ligamentos cristalinos
Estimulados pela suspensão lasciva

Do corpo cavernoso úmido e queratinizado
Em nível crescente diante da Vênus acesa
Eros acende a tocha do intumescer iluminado
Pelo nascer do Sol na coroa da glande tesa

Recoberta cilindricamente pelo prepúcio
Coroando esta união em anel prepucial
Deflagrando sua puberdade em prenúncio
Da inocência virgem do ato nupcial

Eis aqui a relíquia não circuncidada
Por nenhuma forma de ritual
Ainda que não seja retirado na jornada
O prepúcio continuará sagrado até o final

Helen De Rose

*lançamento em 15/09/10 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Viúva Negra


A noite nasce depois do meio dia, caminhando pela tarde, até encontrar o crepúsculo na despedida do Sol, preparando-se para receber a Lua do outro lado do horizonte, enquanto as estrelas vão surgindo como pingos brilhantes no véu negro do céu, enfeitando a passagem de mais uma lunação.

Neste instante, uma mulher ainda dorme nua, com sua pele aveludada de brancura mergulhada nos lençóis macios do seu leito solitário. O silêncio ecoa por todo seu aposento, até quando uma coruja branca de olhos grandes e amarelos, pousa num centenário carvalho, ao lado da janela do seu quarto e começa a cantar seu presságio de mau agouro. O canto da coruja anuncia a chegada da noite, enquanto que a Lua Cheia, vagarosamente, vai prateando a escuridão do quarto.

De repente, seu corpo começa a sentir sua presença, espreguiçando preguiçosamente, enquanto seus olhos vão despertando do sono em outro mundo. Seus olhos se abrem, acompanhados por um suspiro sobre a presença da vida, num respirar constante, no seu dia que amanhece na noite, com o nascer da Lua, anunciada pelo canto da coruja branca de olhos grandes e amarelos - como se o Sol estivesse vivendo no seu olhar. Esta misteriosa mulher levanta-se da cama e aproxima-se da janela, enfeitada pela dança suave da leveza das cortinas, enquanto são tocadas pela brisa noturna. Ela olha para a Lua Cheia, sente a luz prateada penetrar sua pele cálida, sente a brisa fresca beijar seus lábios rosados, enquanto uma lágrima fria revela um sentimento de profunda tristeza.

Depois de alguns minutos ali, olhando a noite da sua janela, ela prepara seu banho numa banheira de porcelana, com água morna e sais perfumados, joga algumas pétalas de jasmim na água, acende uma vela de canela e um incenso de alecrim, mergulhando seu corpo neste ritual. O tempo do seu banho é o tempo em que a chama da vela permanece queimando seu destino, num mar de cera, choro ardente que transborda na chama viva da vela e que vai morrendo a cada brilho. A luz da vela acesa deflagra a presença etérea do fantasma do homem que esta mulher amou. Enquanto ela se banha, ele observa cada detalhe do seu corpo, sentindo tristeza por estar ali presente, tão perto e não poder tocá-la mais. Desde pequeno ele temia as sombras do amor, como se fosse um sagrado medo do seu coração, pois acreditava que cada encontro tinha uma despedida e não queria sentir o exílio da saudade. Talvez o seu medo, fosse sua intuição prevendo o seu destino, já traçado pelas mãos da existência.

Ah! Se todos pudessem ver o mundo das manifestações sutis! Saberiam que não existem separações definitivas e, sim, temporárias.

O pavio da vela mergulha na cera e a chama desaparece, como também o fantasma daquele que ela amou. No silêncio daquela noite de primavera, ela se veste de luto, com um véu negro cobrindo sua face pálida, prepara um cálice de veneno e toma tudo até o fim. Deita-se na cama, segurando uma rosa vermelha, como se fosse um símbolo da sua paixão, fecha os olhos e espera a morte possuir seu corpo, para poder sair pelo canal vital da eternidade.

Apenas o silêncio sobreviveu....

Quero apenas que me mostre como são os teus olhos ao crepúsculo, para que os possa imaginar na minha alma.

Helen De Rose



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mãe

Mamãe e filhos







Mãe,

Tu és o ninho da vida nessa fecundidade
Enquanto o milagre do corpo está em formação
Tu és o portal da luz no nascimento da humanidade
O amor mais sagrado doado em sublimação

Tu és as manhãs de cada dia do nascer do sol
Iluminando nossos passos inocentes de criança
Tu és as tardes dos nossos aprendizados diante do arrebol
O descanso dos nossos olhos em tua eterna lembrança

Tu és as noites estreladas da nossa frágil adolescência
Enquanto o Luar ouve tuas preces para nos proteger
Tu és as madrugadas passadas em clara consciência
Esperando por nosso abraço antes do amanhecer

Tu és nossa mãe todos os dias de nossas vidas
Enquanto estiver viva e depois que morrer
Pois a saudade é o legado que deixas nas partidas
Nas lágrimas de amor que não desejamos esquecer

Helen De Rose

* Obra publicada no livro "100 Grandes Poetas Brasileiros" - lançamento em 15/09/2010





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