domingo, 30 de janeiro de 2011

O Tempo no espaço, o espaço no tempo


A vida me devolve o que eu penso
No espaço do tempo que me dou
Em tempo chego num consenso
Do espaço que a vida me levou

Nos limites da vida eu venço 
Do tempo percorrido no espaço
O espaço laça a vida com meu laço
E o tempo aceita os limites do meu cansaço

Não sei quanto tempo ficarei laçado 
Ou quantos espaços irei aceitando
Entrei no túnel do tempo marcado
Pelos espaços da vida vou pensando

Por isso penso antes de ser bendito 
No tempo que habita o coração
O espaço revela a palavra no infinito
O tempo faz da vida a salvação

Helen De Rose





sábado, 15 de janeiro de 2011

Lembranças de uma menina loba








Naquele tempo...

Os relâmpagos clareavam ainda mais a pele branca da minha face de menina e os trovões arregalavam meus olhos castanhos ao ouvir seu estrondo, no romper das madrugadas nas clareiras da fazenda...
Os cafezais estalavam e falavam alto com a Lua Cheia que aparecia por entre as nuvens apressadas por seguirem a tempestade que ía molhando os pastos sedentos de chuva...
Quando tudo se acalmava, eu ouvia os uivos dos lobos, que vinham até as clareiras ao luar, correndo das suas sombras até as colinas mais próximas do céu da noite e ficavam ali uivando para a Lua Cheia, como se fosse uma serenata de amor e veneração à sua presença; e eu sentia algo diferente nas minhas entranhas...

Eu era uma menina que gostava de andar descalça e sentar na terra para fazer bolinhos de lama. Subia nas árvores para comer seus frutos e ficar olhando as abelhas sugando seu néctar adocicado. Tomava banho nas cachoeiras geladas, mergulhando no seu lago, depois de escorregar nas pedras lisas de limbo. Andava pelas grutas virgens da serra, olhando para as estalactites que saíam do alto da caverna, formando um cenário misterioso diante dos meus olhos de menina selvagem. Gostava de cavalgar sentada sobre o pêlo do meu cavalo, segurando sua longa crina, seguindo as margens do riacho até atravessá-lo correndo, para ouvir o barulho das águas encontrando com suas patas...

Nestes momentos, eu sentia um vestígio de uma loba em mim, desejando meu instinto selvagem, uma forma de viver em liberdade, correndo pelos campos da minha alma de fêmea, buscando as nascentes do meu coração feminino...

Nestes lugares, eu sentia como se pudesse tocar nas mãos de Deus.

Helen De Rose



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