sexta-feira, 25 de março de 2011

Nosso amor na rede da varanda










Fizemos uma cabana
Lá no alto da colina
Com singela varanda
Olhando a chuva fina
Pra descansarmos 
Nossas saudades
Quando na rede
Nos deitarmos

Nas noites de verão
As estrelas vêm namorar
A Lua cheia do nosso coração
Prateando nossa pele nua no ar
Em meio as volúpias da paixão

Do balançar da rede em chamas
No roçar de nossas núpcias
Nosso êxtase se derrama
No exalar do nosso cheiro
Misturando-se com nosso gemido
Sentindo nossos corpos inteiros
Entrelaçados nos sentidos

Sereno da noite!
Vem refrescar nosso amor
Até sentirmos que o êxtase
Dormiu nosso sono com louvor
Na rede da varanda
Onde sonhamos nosso amor
Mais puro

Helen De Rose



quarta-feira, 16 de março de 2011

O Equinócio da Alma no Outono













Nesta paisagem interior da alma, a luz cruza o horizonte da esfera celeste do coração, eclipsando nossas emoções. Nossos olhos se voltam para as noites iguais da nossa mente, observando, silenciosamente, que uma metade da luz está acima do horizonte do coração, no mesmo momento que a outra metade está abaixo; aguardando por uma transformação interior. Nossas colheitas dizem o que plantamos na estação anterior. Que o leite derramado seja sempre um ato de agradecimento na terra dessa jornada, onde a vida continua a nascer em cada dia e morrer em cada noite. Os ventos levam as folhas secas dos nossos lamentos para o norte dos nossos olhos, em cada noite que esperamos pela volta de alguém que partiu. Seguimos plantando nas margens das nossas esperanças, as sementes que tiramos dos frutos dos nossos sofrimentos. Amadurecemos no mesmo tempo que eles, diante da luz que nossa fé irradiou no equilíbrio das nossas certezas mais lúcidas. Cada semente, para germinar, deixa-se morrer nas profundezas da terra, formando um novo grão de vida, pronto para novos ciclos da natureza. O equinócio do outono é a passagem da luz do amor na alma, no horizonte da esfera celeste do coração.
Que toda forma de amor tenha a proteção infinita do Universo, hoje e sempre!

Helen De Rose




quinta-feira, 10 de março de 2011

A procissão dos mortos











A garoa caía fina sobre os paralelepípedos das ruas de uma cidade do interior de Minas. As gotículas pareciam lágrimas que caíam do céu, pois era uma noite de sexta-feira Santa. As brumas subiam das calçadas, formando um véu misterioso diante daquela passagem umedecida. Alfombras de pétalas de rosas eram lançadas pelo caminho das mãos de crianças e coroinhas.

Todos se preparavam em vigília silenciosa, acendendo velas brancas que cada um carregava debaixo do seu guarda-chuva, acompanhando a imagem de Jesus morto sobre o andor antigo da Igreja. Só podia se ouvir os passos molhados pelas ruas e o terço rezado por todos em sinal de luto. As mulheres cobriam a cabeça com véu de renda negro, enquanto os homens estavam de terno preto. Nos rostos, a tristeza completava aquelas imagens fúnebres de uma noite, onde, segundo os mais antigos contam, os mortos saíam dos seus túmulos em busca de luz e acompanhavam tudo no fim da procissão.
Durante a passagem da procissão, pessoas abriam as janelas das casas e colocavam uma vela branca acesa sobre o parapeito, em sinal de consternação e vigília. Ficavam na janela olhando a passagem de todos os participantes. O Padre estava logo atrás da imagem, usando uma túnica roxa e jogando água benta pelo caminho, enquanto os Ministros da Eucaristia carregavam o andor. A procissão tomava conta de todas as ruas centrais da cidade, até chegar novamente na porta central da Igreja, no momento exato em que os sinos deveriam dobrar dozes vezes. Mas, nesta noite, por um motivo misterioso, os sinos dobraram treze vezes. Todos comentavam e olhavam para o alto da torre da Igreja assustados.
Enquanto isso, lá no final da procissão, uma mulher misteriosa trazia num dos braços, uma caixa fechada. Ao longo da rua, viu que numa das janelas, não havia vela acesa, então deixou a caixa sobre o para peito e continuou seguindo o final da procissão. Quando a moradora chegou para fechar a janela, uma vizinha da frente, do outro lado da rua, disse para ela:
- Eu vi quem deixou essa caixa em sua janela. Foi uma mulher com um capuz negro, ela só tinha um braço, onde trazia essa caixa. Ela estava no fim da procissão que acabou de passar.
Quando a moradora abriu a caixa, o susto foi grande, gritou ao derrubá-la no chão. No interior da caixa jazia um braço em decomposição.



Helen De Rose



*Lançamento 15/03/2011 - CBJE - Rio de Janeiro





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