sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nos Jardins das Acácias












Seres viventes no corpo
Dormentes na insanidade da mente
Anestesiados na alma
Abandonados aos espíritos
Que neles comprazem sua obsessão
Não habitam mais o mundo das manifestações
Apenas andam pelos jardins durante o dia
Sem noção pra onde vão ou voltam
Em gestos repetitivos de condicionamentos
Aprisionados pela loucura que de alguma forma
Engatilhou nos pensamentos alucinados
Pelo turbilhão da rede que emana os sentidos
Seres vegetativos que esperam por nada
Sem nada querer, sem nada ter, sem nada ser
Apenas levam choques-estímulos para de repente
Acordarem para o mundo real, irreal aos seus olhos
Entorpecidos pelos medicamentos
Não conseguem se movimentar com coordenação
Entre mãos que se batem e rebatem
Entre sons e gritos de socorro da alma perdida
Por entre os jardins caminham com roupa de doente
Sem pensarem na sua demência, na indiferença da vida
Seu passado ficou esquecido pela memória destruída
Seu presente é apenas físico, no corpo que ainda resiste
Seu futuro é incerto, inexistente, dissolvente, degenerativo
Pelos jardins do manicômio sua loucura é certa
Mas, seu olhar está perdido no além de um mundo distante
Quem poderá entrar pra te buscar e te salvar?
Outros insanos como você!?

Helen De Rose


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Engrenagens


Nossa identidade
nossa sombra,
antes
não tivéssemos
nome
nem sobrenome,
que nome daríamos
para nossa alma?

Engrenagens
movimentam
a roda da vida
no alto, o sucesso
na queda, o fracasso
o dinheiro
é a sombra
de cada passo.

A vida roda
enquanto
o ser estiver
presente no ter,
depois de tudo
o ter
deixa de ser
e a vida
tem o mesmo
fim,
com nome
e sobrenome.



*
Helen De Rose

*lançamento 20/07/11 - CBJE - Rio de Janeiro







sábado, 16 de julho de 2011

Essa infinita saudade!




É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...
Essa união dos nossos sonhos que um dia sentimos, e que hoje encontramos em nós.

É infinita essa saudade que habita a melodia desta distância, que nos separa por estradas, onde os horizontes infinitos de carinhos nos unem pelos caminhos dos tempos vividos ao tempo de hoje, ao desaguar nas veredas dos rios e formando as maresias de esperança, quando desaguar nos oceanos do amanhã.

É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...

Essa união dos nossos sonhos que um dia traz em ti, pela demora que passou tão depressa, nos teus gestos de carinho e de amor, que teus olhos trouxeram nas lágrimas de que nunca me esqueceu.

Em cada nascer do dia, antes de te encontrar, por cada dia que vivi longe de ti, entregue ao teu olhar, ofereço-te a Lua, serena, repousando sobre o lençol negro da imensidão da noite, aconchegando seu sono pela janela do seu quarto, enquanto o dia se prepara para o sol raiar pelas manhãs na janela de sua morada.

É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...

São apenas meus olhos que se fecham para o sonho, enquanto esperam por ti e pela Lua para que nos una ao contemplá-la.

Enquanto estiver longe de mim, olhe para a Lua, pois eu estarei olhando sempre pra ela, pensando em ti.

Nossa história de amor é um sonho de uma mulher que te espera no silêncio da saudade, na mudez de um sentir e na eterna simplicidade de te encantar.

Eu chamo por ti meu amor! Eu chamo por ti!

Quando te entrego meu coração decorado com meus pensamentos, entre sopros de beijos, que são levados pelo tempo da tua alma sobrevoando meus sonhos.

Chamo por ti... meu amor!

É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...

Nas lágrimas dos teus olhos quando te faço sorrir, deliciosamente tímido, nos gestos que tu fazes ao me ver brincar.

Somos livres no pensamento de asas que voam pelas linhas dos versos, esboçando nossos sorrisos de liberdade vivida em todos os momentos em que nos encontramos para nos unir.

A ti que nunca partiu... E a mim que nunca te esqueci... É infinita essa saudade que mora nos infinitos, lá nesse onde habita as lembranças que desde sempre eu te conheci.

Helen De Rose




sexta-feira, 1 de julho de 2011

No Portal do seu olhar












Desço as escadarias das entranhas
Onde a morte vive silenciosa
Tecendo sua fina teia no tempo
No escuro onde vive as aranhas.
Desvendo seu olhar negro da noite
No Portal que se abre nas sombras
Das silhuetas que voam no abismo
Flageladas pelo vento frio, igual açoite.
Vejo suas asas castigadas descansarem
Nos sepulcros abandonados pelas almas
Antes que seus corpos se desfaçam
Servindo de alimento para os que desejarem.
Sinto o cheiro forte do líquido defluído
Misturando-se com o lodo da terra negra
Transformando a morte em combustível
Que um dia, das profundezas, será extraído.
Ouço o canto dos pássaros noturnos
Com seu som lúgubre envolvendo
O misterioso perigeu da Lua Cheia
No dia dos seus Arcanos taciturnos.
Arrepio minha pele com esta visão
Tão próxima dos seus tristes desígnios
Prateando lentamente meu olhar imortal
Sob o véu sobrenatural dessa ilusão.
Sacio minha sede de conhecimento
Nesse portal insondável que me afasta
Da vida terrena acima do despenhadeiro
E me faz olhar no Portal do seu renascimento.

Helen De Rose

*lançamento em 20/07/2011 - CBJE - Rio de Janeiro



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