segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma Mulher Vestida de Lua



Ela surge no horizonte,
Renascendo com o inverno
Do hemisfério Norte,
Passeando pelo crepúsculo
Que anuncia a gestação da noite.
Sobre os cabelos longos e negros,
Como a escuridão dos abismos,
Leva a coroa em forma de íbis,
Ave lunar da previsão e sabedoria.
Trazendo numa mão a chave secreta
Da porta da ressurreição,
Na outra mão o báculo Fênix.
Sobre o peito a cruz 'Ansata',
O símbolo da vida, o 'Ankn'.
Traz no seu ventre esotérico
O mistério do fluxo e refluxo,
Esperando o nascimento
Da criança dos filhos do poder.
Caminha prateando as brumas
De águas purificadas e cristalinas,
Acompanhada pelos cardumes
De cores carmesins formando
Os trígonos dos nove guardiões
Do apocalipse da humanidade.
Segue pelo caminho do reino
Até encontrar a vitória
Nos planos mais sutis
Da existência de um iniciado,
Na consciência física de todas
As esferas do sistema vital.
Na noite escura da alma
Sonda os fantasmas
Do inconsciente coletivo.
Quando termina a noite
No despir das suas vestes
Tecidas na Lua Negra,
Sobre os pés da mulher
Repousa um escaravelho sagrado
Que, como o Sol,
Volta das trevas da noite,
Renascendo de si mesmo
O Sol Nascente.


Helen De Rose




sábado, 19 de novembro de 2011

Estrela de Belém




Todos os anos, no Natal, o céu dá passagem
aos anjos e arcanjos da divina anunciação
as luzes das árvores enfeitam a paisagem
para ouvir as vozes celestiais dessa canção

Renovando todas as nossas esperanças
do nascimento do menino Jesus em Jerusalém
do bendito ventre de Maria, bem-aventuranças
sinalizam a passagem da Estrela de Belém

Eis que um pequenino Rei dorme na manjedoura
formando um singelo altar na casa das famílias
vivificando a união de uma alegria vindoura
como se todas as mães benditas fossem Marias

Nos braços da paz, o Natal possui o encantamento
do renascer do menino Jesus em nossos lares
unificando nossa alma com amor e puro sentimento
num único coração universal de todos os lugares

Nas mãos trazemos incensos e singelos presentes
iguais aos três Reis Magos seguindo a tradição
de presentear o renascimento de nossos entes
provando a autenticidade dessa transmissão

Bendita seja a misericórdia divina!
Bendita seja as gerações que olham a Estrela de Belém!
Já sabemos o quanto nossa alma é pequenina
diante do nascimento do menino Jesus. Amém!

Helen De Rose



*Lançamento em 20/11/11 - CBJE - Rio de Janeiro






sábado, 12 de novembro de 2011

O Leite Derramado









A chuva continua a cair sobre mim
Enquanto pessoas correm por todos os lados
Tentando se proteger dos tremores
Espalhados pelas esquinas sem saída
Dos extremos percorridos pela visão
Nessa pequena distância
Entre a janela da alma e o chão
Onde o leite derramado
Não retorna pra jarra do coração

A vida é muito mais!
Não depende da nossa opinião
Cada um tem o que merece
Na sua infinita aflição
Seguindo os conceitos fanáticos
Da religião
Retiramos o lacre da granada
Escondida em nossa mão

Eu confesso! Juro!
Arranquei as asas de um anjo
Caído num jardim morto
Destruído
Pelas cinzas de um vulcão
Ativado pelo terrorismo
Indelével
Da falsa manifestação

Estamos todos uniformizados
Identificados por números
Numa sequência em série
Fantasiados pela criação
Presos num velho guarda roupa
Fechados pelas chaves
Guardadas no bolso da camisa
Do universo
Enquanto dá sua última cartada
No seu jogo de blefar

Mas,
Eu pensei que fosse apenas um sonho
Uma breve eternidade da ilusão
Numa tela líquida e surreal
Da minha imaginação...

Estou olhando minha consciência
Estou despertando para a realidade
Estou encontrando minha existência
Em cada face deformada pela falsidade

Estou tentando não perder minha religiosidade(?)...

Eu falei demais!


Helen De Rose



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Muso


Os teus sonhos
dormem nos meus.
Bebo a chuva
que cai do teu telhado,
da tua mente, meu sonhador, peregrino.

Sou as linhas
onde tuas asas pousam
para ouvir o pulsar
dos meus versos
que esperam por ti
em cada folhear. 

Tu és o navegador
dos meus oceanos
quando encontra os caminhos 
com minha nau, submerso
domina meu leme,
até me levar ao teu portuário.

Todas as manhãs
bebo do teu sabor
do encanto estranho
vindo da noite
dos teus sonhos.
Suave presença.
Ser alado,
meu 'muso' que passeia nos meus versos.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/11/11 - CBJE - Rio de Janeiro




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