segunda-feira, 26 de março de 2012

Na lembrança dessa saudade



Como num sonho surreal, rasguei o céu com minhas mãos , na esperança de voltar no tempo e trazer na lembrança da minha saudade, o dia em que me deitei nas areias mornas da sua ilha, numa manhã ensolarada de outono, onde, diante do oceano da sua existência, atraquei-me no seu cais silencioso.
Naquele momento sublime de nossas vidas, diante do seu mar espumante, que fertilizava as praias da sua ilha, suas ondas fizeram amor comigo, enquanto que suas areias mornas envolveram toda a pele do meu corpo despido diante de ti.
Movimentos naturais das suas águas alimentaram-me como se fossem o leite do néctar materno, saciando minha sede de estar diante da sua ilha, protegida pelo seu olhar sereno e marejado.
Naquele instante, meus olhos perderam a visão, meu corpo estremeceu e senti um calafrio na minha pele aquecida por ti. 
Não sabia se estava na sua ilha ou nas areias mornas da sua praia ou no seu oceano, pois estava envolvida por sua essência de luz.
Na lembrança dessa saudade sinto tudo novamente. 
O mesmo êxtase que senti ao mergulhar no seu íntimo e ser levada por ti, até o céu infinito que esse nosso amor resume.


Helen De Rose


domingo, 11 de março de 2012

Moço Sedutor


Quando eu te vejo, eu me seguro logo,
Da luz do fogo que te cerca, moço!
Contida penso, suspirando alto:
- Meus Deuses! Que fogo alimenta esse alvoroço?

Como me profanas! Meu corpo nas tuas chamas! 
Que se alimentam no voraz segredo
E se me seguro é porque adoro que me assanhas
És sedutor, moço! Tens paixão e eu medo!

Tenho medo de mim, de ti, de nós, 
Da sua luz, da sua sombra, do seu silêncio ou vozes,
Do seu olhar, da sua boca macia a me beijar,
Das horas longas a correr velozes

Ai! Se eu te visse moço fogoso! 
Sobre o cetim deitado no meio
Olhando pra mim com volúpia e dengoso
Os braços abertos, coração pulsante no peito!

Ai! Se eu te visse em delírios sublimes! 
Roçando seu corpo com todo meu gracejo
Sussurrando palavras obscenas no seu ouvido
Morderia sua boca no degustar de um beijo!

O que seria da pureza dos anjos, 
Das vestes brancas, do voar das asas?
Se tu és o anjo da guarda do dragão de São Jorge
Que tentação moço! Sobre meu colchão em brasas!

No fogo do teu calor eu vivo inteira! 
Moço! Tu secas minha boca na fugaz vertigem.
Vil, machuquei com meu pensamento impuro,
As flores de laranjeiras da minha grinalda virgem!

Vampiro do meu deleite! Sorva-me em beijos 
Toda a inocência que meu lábio encerra
Em lascivos abraços, vem matar sua sede nos meus seios
Moço sedutor! Do fogo, do ar, da água e da terra!

Helen De Rose




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