terça-feira, 23 de outubro de 2012

Nas Mãos do Poeta


Mote: "Os poemas são pássaros que chegam
não se sabem de onde e pousam no livro que lês."
(Mário Quintana)

Nas mãos do poeta nasce o alimento
Semeado nas plantações da alma
Fertilizada no silêncio da sua calma
Em colheitas vivenciadas no discernimento
Conforme a vida vai se diluindo no tempo
Nas palavras deixadas em português
Rimadas nos voos dos olhos que vês
Nos versos os frutos que alimentam
Os poemas são pássaros que chegam
Não se sabem de onde e pousam no livro que lês

Os pássaros se alimentam da essência
Encontrada no poema da sua vida bendita
Escrito no livro de cada brevidade infinita
No acervo sutil da sua sublime sapiência
Identificando cada passo da sua existência
Os poemas são pássaros que chegam
Nas mãos dos poetas que sempre amam
Não se sabem de onde e pousam no livro que lês
Nas manhãs ensolaradas da mente aparecem três
E, depois de saciados não permanecem, voam

Os poemas são pássaros que chegam
Não se sabem de onde e pousam no livro que lês
Visitam as mãos do poeta todos os dias do mês
Não possuem ninhos, só voos que os libertam
Pelo alimento das palavras os pássaros pousam
E, quando o livro se fecha, vão todos embora
Deixando no éter uma fragrância da aurora
Uma sensação inexplicável no seu coração
Sentido pelo poeta num pulsar de emoção
Assim como eu estou sentindo agora...


Helen De Rose


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Teu Corpo, Meu Poema


Atravesso as cordilheiras 
do que me é impossível
vou desenhando suas fronteiras 
horizontais,
enquanto sobrevoo sua geografia
e os traços marcantes em sua pele.
Suas planícies revelam seus arrepios
trazendo na brisa dos seus sussurros
tudo o que eu desejo ouvir.
Não há limites nas dobras do seu corpo
seus planaltos aquecidos se misturam 
com a mata selvagem de sua derme.
Seu olhar intenso é o sol que nasce 
no meio das montanhas dos seus ombros
mostrando o quanto me deseja nesta hora.
E depois desta sede imensa
que me dá descobrir sua natureza
em toques verticais,
derrama seu rio em mim
pelas nascentes do seu sorriso
e sensações vindas dos seus portais.
Diante do seu corpo, 
eu virei céu.


Helen De Rose

Lançamento em 20/11/2012 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Depois do Amor, o Amanhecer...


Escondo na penumbra
minha lingerie que se abre
revelando meus seios desnudos
durante a madrugada
e durmo tranquilamente

A aurora adentra-se por entre o tecido
que cobre a janela do nosso quarto
Quando acordo, ele esta do meu lado
Passou toda a noite olhando-me
velando o meu sono
como um anjo da guarda

Agora os raios do Sol
vem acariciar minha face
revelando uma sensualidade
por entre a lingerie
deixando escapar meus seios
contornos suaves do meu corpo
que ele amou na noite anterior

Olho nos olhos dele
e vejo seus desejos de amor
realizados integralmente
na sua respiração compassada
que revela a tranquilidade
que lhe invade não somente o corpo
mas, sobretudo a sua alma

Agora ele se sente meu amado
Ao contemplar o fruto da sua essência 
ganho a certeza que ele esta em mim
e eu estou viva nele
como se eu fosse a outra metade
que repousa
enquanto ele
esta desperto, atento

Guarda meu sono
segurando minha mão
minha alma dormente
Abraça-me
envolvendo-me no seu calor
protegendo-me
do dia lá fora que grita
agita-se e contorce-se

Mas, aqui,
no âmago deste imaculado santuário 
duas almas unem-se
num abraço apaixonado
Aqui o tempo fica suspenso
da agitação do cotidiano

O nosso quarto vira um templo
onde o sagrado e o profano se confundem
onde o amor vive também a luxuria 
e onde o prazer se veste também de branco
como a seda transparente
dessa lingerie que envolve meu corpo

O tempo,
no seu caminhar constante
arrasta-nos para a realidade
de um dia que acaba de começar
Então, ele me diz sorrindo:
- Bom dia, Mulher Zen!

Helen De Rose



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