segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sol Negro


A noite amanheceu no horizonte,
minha visão buscou a direção Norte
de onde surgiu uma escada septenária
por onde subiam e desciam seres etéreos
empunhando espadas flamejantes

O Sol tinha doze raios negros
cada raio lembrou a runa 'Sig'
e o canto das pequenas cigarras
ecoou sobre toda a paisagem
num uníssono: SSSSSSSSSSSSS

No solo, a víbora da profundeza
rastejou pela lama em zigue-zague
com um profundo estigma no dorso,
era uma estrela de cinco pontas
ainda ferida, vertia sangue

Da nuvem, um raio riscou o céu.
Do centro do mundo anoitecido
emergiu uma torre abandonada
com uma sigla 'SS' em mosaico
nos vários tons da pedra jade

O espectro da morte se fez Sol,
seus raios eram espadas negras
buscando por cada signo mundano
para arrancar o coração do peito
e lavar de sangue o Santo Sepulcro.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/07/14 - CBJE - Rio de Janeiro


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Deus das palavras



O escritor é um Deus das palavras.
No princípio sua imaginação transcende
as imagens que surgem em sua mente
e atravessam o firmamento do que ele entende.
Ele imagina céus em cada texto,
ele conhece terras em cada interrogação,
sente sensações em cada exclamação.
Nas trevas, ele mostra a segunda face do abismo,
nas águas, ele batiza sua criação e alivia sua sede,
diante da luz, ele faz da Lua a eterna musa do Sol.
Sua poesia une as noites frias com o calor dos dias, 
as tardes chuvosas com os desertos das madrugadas,
os passados saudosos com os desejos nos futuros 
e o agora vívido com as preguiçosas manhãs.
Suas composições ouvem a voz dos oceanos,
suas canções navegam com o perfume da maresia,
enquanto sonha com sua criação deitado numa rede,
naquela praia onde seus olhos conheceram o mar.
O Poeta é um Deus criador de versos.
Se ele finge, sonha ou sente, somente ele pode dizer.
Seus livros nascem iguais estações do ano,
no outono ele une as folhas escritas com seus poemas,
no inverno ele permanece entorpecido, em gestação,
na primavera ele lança as sementes nos corações
e no verão ele colhe a luz da sua manifestação.
A obra do escritor transcende sua existência,
transforma-se num legado indelével, intemporal
e permanece insigne na lembrança do seu leitor. 


Helen De Rose

*Lançamento em 20/07/14 - CBJE - Rio de Janeiro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...