segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O lado abissal das palavras




A noite é uma desvalorização do dia,
não há sentido quando a morte é uma vadia 

Uma vadia que tira a vida dos sentidos,
deixando a ausência tomar conta dos esquecidos 

Dos esquecidos sem finalidades, sem porquês,
depreciam-se com as sombras da sua mesquinhez 

Sua mesquinhez dissolve-se na cova da sua escrita,
de princípios e critérios absolutos cravados numa cripta 

Numa cripta onde as palavras vivem seu lado abissal,
despedaçadas pelos golpes da deterioração sepulcral 

Sepulcral é a revelação da verdade sem fundamentos
Diga lá! Iconoclasta! Deus está morto? Está tudo permitido nos sepultamentos? 

Nos sepultamentos sem premissas, sem as asas da liberdade?
Então, troque suas entranhas por seu hedonismo, sua decadente verdade 

Verdade que revela o lado abissal das palavras aterrorizantes,
estimulando reações claustrofóbicas e desânimos mortificantes 

Mortificantes palavras que assombram as páginas igual açoite
que castiga, sem perdão, a vadia da morte até chegar a noite.


Helen De Rose

*Lançamento em 20/08/2014 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um poema para Duda

Duda

Até onde os olhos alcançam
nascem flocos de algodão no céu
e no meio deles existe
uma casinha de boneca
onde a princesa Duda
brinca de sonhar.
Os passarinhos cantam
para alegrar o novo dia
que a princesa irá viver
e os beija-flores pairam
no ar com alegria
enquanto os girassóis iluminam
os jardins do seu coração.
Sonha, oh princesa Duda
com uma fada encantada
de mãos dadas com seu destino
peça pra ela realizar o seu
desejo mais importante.
A fada conhece as águas
que purificam cada ser,
os feixes de luzes que brilham
em volta do corpo vital
e a graça de receber um milagre.
Sonha, oh princesa Duda
brinca com bolhas de sabão
que a vida é agora
e os anjos estão contigo
para lhe proteger.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/08/14 - CBJE - Rio de Janeiro

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