segunda-feira, 23 de março de 2015

Sonata pra Lua em Sol menor


O Sol distancia sua luz das veredas,
As veredas seguem suas imagens,
As imagens se deitam nas alamedas,
Nas alamedas que se vestem de paisagens,
Paisagens de teias e fios de sedas,
Tecidas pelos sonhos de suas paragens.

- Por que tem que ser assim?
- A Lua tão longe de mim?
Diz um triste Arlequim,
Olhando o dia que já caminha pelo fim,
Pensando na sua saudade, segurando um jasmim.

Enquanto ouve uma sonata meã:

Há que se ter uma linda manhã,
Uma Colombina Helena pagã,
No seu deleite mais afã,
Comendo uma vermelha maçã.

O Arlequim admira a Lua e suspira,
Ao lembrar-se do rosto da sua amada,
Acena para o Sol no menor sinal da sua pira,
Abrindo passagem para esta noite encantada.

De um Arlequim apaixonado por sua saudade,
Ouvindo uma sonata pra Lua, renascida
No ventre da noite em divina claridade,
Enquanto chora pelo Sol, em sua partida.

Helen De Rose

*Lançamento 20/03/2015 - CBJE - Rio de Janeiro.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Genuflexão



Ego genuflexo
Temente da humildade
Joelho dobrado, manipulação
Do manual prático
Da adoração egocêntrica
Água benta aspergida
Nos braços em louvação
Para o profano sacramento
Da Arte
Em manifestação

Em nome do Pai
Do Filho
E do Espírito Santo
Amém.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/03/15 - CBJE- Rio de Janeiro


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