sexta-feira, 19 de junho de 2015

Atire!


Desça do degrau do seu orgulho
Dispa-se da sua vaidade fútil
Livre-se de suas palavras ofensivas
Limpe-se das malícias de sua mente
Guarde sua língua felina
Arranque seus dentes podres
Feche sua boca sangrenta
Corte suas garras afiadas
Beba seu veneno mortal
Alimente-se do seu fel mordaz
Incline-se diante da sua arrogância
Ajoelhe-se no chão da sua miséria
Deite-se sobre seu leito de dor
Guarde-se da sua consciência humana
Mas não se julgue o dono da verdade
Porque ninguém é perfeito
Todos nós cometemos erros
O direito de errar aprendendo
O dever de acertar ensinando
Valorizando sempre o bem nas pessoas
Perdoando sempre o mal que nos fazem
Quem nunca errou nessa vida?
Quem nunca "pecou" antes da morte?
Quem se acha o dono da verdade
Que atire a primeira pedra!

Atire!

Helen De Rose

*Lançamento em 20/06/15 - CBJE - Rio de Janeiro



terça-feira, 2 de junho de 2015

Desgraçada!


Ventania no deserto
Cabelos ao vento
Imagens nos meus olhos
Miragens do tempo
Corro descalça nas areias mornas
Envolvida por véus transparentes
Vejo sua sombra me seguindo
Sua voz saindo pelos dentes:
- Desgraçada! Desgraçada!
Olho para o chão rachado
Formando desenhos iguais mosaicos
Paisagens surreais do areado
Rastos deixados para trás 
Visão surgindo em cascas de maçãs
Pétalas de rosas nos meus cabelos
Enquanto, lá no alto, as nuvens de lãs
Escuras, aproximam-se dos camelos:
- Desgraçada! Desgraçada!
Temporal no deserto
A chuva cai sobre mim
Molhando meus cabelos
Grudando na pele até o fim
Abro os braços e fecho os olhos
Ouço sua voz mais perto
De repente, um silêncio...
Viro para olhar
Não é mais sua sombra a me seguir
São seus lábios meu mar
Beijando-me sem pedir...

Helen De Rose

*Lançamento 20/06/15 - CBJE - Rio de Janeiro.


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