sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Caso Dália Negra

Elizabeth Short














Ela pretendia ser artista de cinema, com traços marcantes e olhos verdes expressivos, usava sempre uma dália negra enfeitando seus cabelos. Quando conheceu um médico que tratava dos artistas de Hollywood, e começou a se relacionar com ele. Este médico cirurgião, também jornalista, interessava-se desde pequeno por notícias de violência, pela arte surreal, por fotografia e queria ser reconhecido pela sua genialidade. Mas, ele se apaixonou por ela e, num determinado momento, seu ciúme foi tão incontrolável que fez da sua amada seu crime mais famoso.

Ela foi encontrada num terreno baldio, totalmente, nua com uma dália negra enfeitando o cabelo, cortada ao meio, na altura da segunda e terceira vértebra lombar, com os braços cuidadosamente colocados em forma de chifres, com marcas brutais de tortura. Enquanto a policia tentava desvendar o caso, que ficou conhecido como "O Caso Dália Negra", o médico e jornalista enviava, anonimamente, cartas feitas com letras recortadas de revistas, para a policia encarregada do caso, dizendo que eles não tinham capacidade intelectual para resolver este caso. Na verdade, ele queria ser reconhecido por sua "obra de arte". A polícia sabia que se tratava de alguém que sabia as técnicas cirúrgicas, pela forma exata como a vitima foi cortada ao meio; sabia que a forma pela qual ela tinha sido cuidadosamente deixada naquela posição, tinha uma significação. Mas, depois de muito tempo de investigação a polícia abandonou o caso por falta de suspeitos e provas que identificassem o criminoso. O caso ficou famoso, pela brutalidade e inteligência de quem o cometeu.

Anos mais tarde, esse mesmo médico se casou e teve um filho, o menino cresceu e se tornou investigador policial, enquanto que o pai veio a falecer depois. O filho do médico que havia cometido o crime mais misterioso da história policial, ficou interessado em saber sobre este caso. E quando olhou a foto da vítima, o rosto marcante daquela mulher, lembrou-se que já havia visto o rosto dela em algum lugar. Pensou: - Esta atriz é do tempo do meu pai... E começou a procurar nos pertences deixados pelo seu pai, se encontrava algo sobre ela. Quando curiosamente encontrou a foto dela, dentro da carteira de anotações do seu pai. Era uma foto íntima dela. Então ele começou a investigar que ligação poderia ter tido o pai dele com a vítima do Caso Dália Negra.
Aos poucos o filho do médico foi descobrindo os passos do seu pai, as pessoas que tiveram contato com ele como médico, jornalista e fotógrafo. E, de fato, ele teria conhecido a vítima numa das festas proporcionadas por artistas de Hollywood, pois o médico tinha prestigio entre os artistas que tratavam com ele. Descobriu também que seu pai tinha amizade com um artista surreal da época, que tirava fotos surreais e dentre tantas fotografias, encontrou uma que lhe chamou a atenção: um corpo nu de mulher, cortado ao meio, com os braços abertos em posição de chifre, numa alusão surreal do Minotauro (*é uma figura da mitologia Grega, com cabeça e cauda de touro num corpo de homem, esta criatura habitava um labirinto na Ilha de Creta, levando medo e terror aos moradores, pois devorava as moças virgens, que eram deixadas no labirinto, com o propósito de acalmar a ira do monstro). Exatamente como a vítima foi encontrada no terreno baldio.

O filho do médico não tinha mais dúvidas, seu pai era o assassino que todos procuravam, e por força do seu ímpeto de investigador, havia encontrado todas as evidências.

Como profissional, levou todas as provas que tinha em mãos, ao conhecimento da Justiça Americana, de forma sigilosa para não comprometer a figura do seu pai, pois ele já tinha falecido e não poderia mais ser processado ou confessar o crime. Diante de tantas provas que levavam para o criminoso, a documentação foi toda guardada pela Justiça. E, depois de alguns meses, o investigador vendo que não tinha nenhuma resposta da Justiça, procurou pela documentação do caso e constatou que todos os documentos que ele havia entregado, desapareceram misteriosamente. E, o Caso Dália Negra continua até hoje, arquivado, sem provas o suficiente, sem identificar o verdadeiro assassino.


*publicado em abril/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

*Este conto não é resenha do filme, não assisti o filme. Este conto foi inspirado por um documentário que eu assisti no canal Discovery, sobre este caso. Agradeço os comentários.

Helen De Rose


3 comentários:

  1. Eu assisti a primeira versão desse filme em preto e branco filmado nos anos 50 ou 60, era muito bom, apenas um detalhe diferente no filme original a Dalia negra era uma tatuagem sobre o seio esquerdo do corpo da mulher encontrada morta num terreno baldio, inclusive a policia interrogou todos os tatuadores de Los Angeles à época e um deles descreveu a moça mas não pode ajudar muito... e foi descartado como suspeito por não ter antecedentes nem motivação.

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  2. Eu vi num documentario que na epoca das investigaçoes um promotor ate que estava indo no caminho certo, mas a influencia do medico era maior e ele pode enrolar o sistema.

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Agradeço sua atenção.
Bastante proteção em seus caminhos.
Sucesso sempre.
Helen De Rose

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