domingo, 30 de novembro de 2014

Infinito particular




Estamos num instante de infinito particular 
leio-te nos matizes da cor do teu olhar 

Atravesso oceanos siderais da tua imaginação 
enquanto a menina dos teus olhos brinca na minha visão 

Corro pelas florestas do teu coração pulsando 
sobre as patas de um lince seguindo tua íris se libertando 

Vivo no teu globo ocular brincando com as lindas mariposas 
que fazem brilhar meu cristalino, refletindo as luzes de tuas prosas 

Retina em mim, transforma a vida numa obra de arte 
transcende o etéreo e leva consigo o meu estandarte 

Dou para ti minha córnea para encontrar meu mundo 
e chegar no porto abrigo onde o Sol é o meu Eu profundo 

Não deixarei que tua pupila se perca de mim 
nem aqui, nem onde o destino procura por um fim.


Helen De Rose

*Lançamento em 30/11/14 - CBJE - Rio de Janeiro 


Mais do que um livro, o Panorama Literário Brasileiro é um documento histórico. Ele registra as melhores poesias inscritas para as seletivas da CBJE durante nosso ano editorial (período outubro 2013/setembro 2014). Neste ano, como no ano passado, a seleção das obras ficou a cargo dos Acadêmicos do 1º Colegiado de Escritores Brasileiros, órgão executivo da Litteraria Academiae Lima Barreto,
no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O sangue das bonecas virgens




Infâncias mortas-vivas,
órbitas dos olhos vazias,
sensação tenebrosa do escuro.
Manchas de sangue tingem
o vestido branco da inocência,
conspurcam a monstruosidade
diante de uma cruz envelhecida,
simbolizando o escárnio
com risos horripilantes e demoníacos.
Num cenário lúgubre,
vampirizam o sangue
e comem as entranhas,
comungam do mesmo prazer.
Nos mausoléus, sepulcros se abrem,
pedófilos sem olhos e imundos fedem,
riem e assombram
os anjos de mármores,
colhem as flores secas
retorcidas pela morte
e depois fingem
que pedem perdão
para as velas acesas
queimando no chão.
Depositam as flores mortas
diante do sepulcro frio
de uma criança.
Sobre a lápide,
seu brinquedo favorito:
uma boneca virgem
ensanguentada.


Helen De Rose

*Lançamento 20/11/14 - CBJE - Rio de Janeiro


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

É o teu nome que eu chamo



Quando me deixas aqui
Sem teus carinhos
Deixo meu corpo dormir
Nas noites de nossos sonhos
Para pensar em ti
E ainda sentir
A sensação de estar
Dentro de mim.
É tão difícil
Ver teus passos partir
Sem poder
Ao menos um abraço
Demorado te dar
E no desespero
Das minhas lágrimas
É o teu nome que eu chamo...
O que eu posso mais fazer
Para teu coração acreditar
Que tu és o amor da minha vida?
A minha vida só respira
Olhando para teus olhos
Penetrando assim nos meus
Sentindo teu cheiro
Misturando-se
Por todos os meus desejos
Provando os lábios teus
Em demorados beijos.
Como posso olvidar um amor assim?
Se, todos os dias da minha vida
É o teu nome que eu chamo...


Helen De Rose

*Lançamento em 20/11/14 - CBJE - Rio de Janeiro

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