terça-feira, 22 de setembro de 2015

No fio da navalha


Sangue escorre pelo chão da sua casa
saem por todos os lados do seu corpo
Sua cabeça está prestes a explodir
sobre sua consciência assassinada
pela sua bala perdida encontrada
dentro da cegueira do seu olho esquerdo
(Pois quem atira pro céu, na cara lhe cai)
Seus dedos estão mutilados um a um
pelas sobras das suas mãos
que roubam o bem que lhe fizeram
deixando os resquícios da sua ingratidão
(Pois a ação e reação também possuem mãos)
Seu pescoço está degolado pelo fio da navalha
atravessado na sua garganta destruída
pelas suas mentiras dilaceradas
tecidas nas teias de sua dissimulação
(Pois com o tempo as máscaras caem)
Sua língua está arrancada pela força
das suas sombras negras da maldição
pelas pragas que sua voz profetizou
nas palavras que o vento levou
(Pois não há freio que segure uma língua sem osso)
Seu coração está saindo pelo peito
prestes a matar a sua dor visceral
Em segundos, pede pra morrer: 
-Tire-me a vida agora!
-Não suporto mais essa dor!
Mas, arraste-se... Mas, ajoelhe-se... 
Humilhe-se para a morte
Porque, talvez, nem ela queira você!

Helen De Rose

*Lançamento 20/09/2015 - CBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores) - Rio de Janeiro.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Anjos no jardim da Paz

Marli Zaccariotto
Minha amiga
Deixa no meu coração seu sorriso
De momentos vividos nesta jornada
Mensagens que me escrevia
Enfeitadas com seus desenhos
Feitos com sua mão delicada
Anjos alados a brincar
Nos jardins de flores
Rodeadas por borboletas livres
Que de repente saíam do papel
E vinham pousar nos meus cabelos
Quando terminava de ler
As mensagens que saíam
Do seu bondoso coração.

Nesta despedida momentânea
Levamos sua morada corpórea
Para descansar debaixo
De um ipê cor-de-rosa
Que de tão generoso
Ao balançar com o vento
Deixava cair flor por flor
No teu leito terreno
E neste momento
Eu chorei...
Lembrei da nossa amizade
Da nossa doce santidade
Ao desejar sempre o bem
Neste afeto gratuito
Do nosso amor amigo.

Para você 
Minha amiga
Que sempre
Desenhou jardins pra mim
Morada dos anjos
Repletos de borboletas
Livres a voar
Hoje foi seu dia
De receber o seu
Jardim da paz
Enfeitado por flores
Para receber seu voo
De liberdade
Como uma livre
Borboleta
Rodeada por anjos.

Senti você
Despedir-se
De mim
Na brisa 
Que refrescava
Minhas lágrimas...

Esteja em paz
Agora e sempre
Até o dia
Do nosso 
Reencontro.

Helen De Rose.

*Poema dedicado para esta amiga muito querida.
Está no meu primeiro livro.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A mãe do poeta


Nos seus olhos havia 
lírios florescendo nos campos
Nos seus cabelos dançavam
vaga-lumes iluminando a noite
Nos seus ouvidos chegavam
canções vindas do vento
Nos seus lábios beijavam
anjos anunciando o advento

Nos seus céus brilhavam
estrelas formando um pincel
Nos seus horizontes puxavam
a Lua Cheia segurando um carretel
Nos seus oceanos dormiam
corações guardando paixões
Nas suas planícies deitavam
folhas sonhando com ilusões

Nos seus versos nasciam
lunações esperando por um filho
Nos seus poemas sentiam
devaneios lutando pela vida
Nos seus contos viam
pulsações desejando um estribilho
Nas suas luzes presenciavam
suas mãos recebendo o Poeta.

Nos seus jardins de Lórien viviam
mães semeando o Amor.

Helen De Rose

(dedicado para minha Josete Dante)

*Lançamento em 20/09/15 - CBJE - Rio de Janeiro


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