sábado, 30 de março de 2013

A Rosa de Sharom










Peguei minha cruz e caminhei
Carreguei até o alto do meu calvário
As dores do meu ombro, suportei
Onde apoiei meu fardo e o meu sacrário

Sobre o chão deitei o madeirado
E sobre a cruz me deitei
Amarraram meus tornozelos, apertado
Pés sobre pés, pregado, fiquei

Dores subiam pelas minhas costas
Meus olhos escureceram-se no dia
Não via mais a face dos humanos expostas
Na sede de mim, nada mais sentia

Afastaram meus braços, amarraram meus pulsos
Minhas mãos foram pregadas, perfuradas na luz
Meu abraço ensanguentado, meu amor expulso
Meu corpo entregue, estava preso na cruz

Nesse momento fui elevado
A cruz, em pé, no alto diante de todos
Pela lança do soldado fui transpassado
Enfraquecendo meu coração sem gozos

Sinais prematuros de minha partida
Não consigo mais respirar
Sinto minha alma suspensa, sem vida
Não tenho mais como ficar

Julgado por todos os julgadores
Perdoa-os! Não sabem o que fazem!
Mulher! Eis aí teu filho! Mãe das dores!
Meu Pai, por que me abandonaste! Os verbos jazem!

Entreguei-me ao destino dos homens
Salvando os pecados do mundo
Hoje sou lembrado em homenagens
Meu sofrimento e meu amor profundo


Helen De Rose


* Ao Mestre Jesus de Nazaré 

*Antologia Roda Mundo - Sorocaba - SP 


segunda-feira, 25 de março de 2013

Entre nós dois



O amor é tão perceptível

com os olhos de ver
não há como esconder.
Tão possível
quanto irresistível
não deixar acontecer.
Mas, sempre haverá 
um vazio incerto
quando a atitude
não corresponde
ao sentimento.
Não consigo resistir,
leio teus pensamentos
e sempre me deparo
com o vão que existe
entre nós dois.
Eu já vi teu sorriso
já decifrei teu olhar
não há como negar
cada palavra 
que teus lábios dizem.
No vão dos teus segredos
eu sou a sentinela
dos teus subterfúgios
para adiar a hora
de qualquer encontro
corpo a corpo.
Entre nós dois
há um espaço vazio
sem entrada, nem saída.

Helen De Rose


*Lançamento em 20/04/2013 - CBJE - Rio de Janeiro


quarta-feira, 6 de março de 2013

Epitáfio do Caos

Crianças do Haiti

Eu quero corpos em barricadas
A fome na boca dos sobreviventes
A sede das almas arrancadas
A lágrima de desespero dos indigentes

Eu sou a briga pela comida
A água suja do meio fio da sede
A decomposição de cada vítima
A laje caída no caminho da rede

Eu desejo o grito das crianças
A morte trazida pela dor
A vala comunitária das matanças
Os membros amputados sem calor

Eu resulto no fim de tudo
Através da força do ar, da água, do fogo e da terra
Da ambição do Homem neste mundo
Enquanto não conseguir extinguir o Planeta Terra

Governantes! 
O destino é o que se faz...
Aquecimento global! 
Na Terra jaz...
Humanidade! 
Descanse em paz...

Eu sou o Caos.



Helen De Rose


*Lançamento em 20/03/2013 - CBJE - Rio de Janeiro


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