quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Portão da Infância

foto tirada em fevereiro/1979

Quando abri aquele velho portão,
minha infância feliz saiu correndo,
pro quintal antigo do meu coração
meus braços foram pro céu se erguendo.

Via-me ainda menina pequena, indo
de encontro com minha eterna saudade
deixada ali, no mesmo lugar sorrindo,
minha Nona dizendo: - Que barbaridade!

Minhas lágrimas queriam dizer:
- Eu voltei para o mesmo lugar,
que um dia eu deixei de ver,
onde eu aprendi o sentido de brincar.

Onde a inocência tomava banho
no tanque quadrado do quintal,
depois de sujar meu cabelo castanho
com os bolinhos de terra do lamaçal.

Onde a curiosidade morava no porão
repleto de coisas antigas e passados,
que viravam brinquedos pelo chão,
enquanto imaginar eram voos alados.

Eu voltei para rever o que eu amei
e jamais vou conseguir esquecer,
porque, no meu íntimo, eu sei
minha infância aqui irá permanecer.

Helen De Rose

(*poesia dedicada para minha Nona e Nono)

*Lançamento em 20/12/2012 - CBJE - Rio de Janeiro


5 comentários:

  1. Tacteei minha sombra caída
    Os ramos de uma magnólia cedem ao vento
    Ergui num deserto um castelo de raivas
    Segui numa distância infinita ladrilhada de mágoas

    Já não posso dar-te a mão, cheguei tarde
    Entre ruinas procuro o sentido, a razão
    Já não canto aos deuses, não rezo
    Já esqueci o sabor do desprezo, não desprezo

    Tracei um círculo de solidão
    Ausente do meu nome está o chamamento
    Jazem mudas as folhas de silêncio
    Errantes brumas ao sabor do vento

    Bom fim de semana


    Doce beijo

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  2. Olá Helen!

    Dizem que a infância(boa) é o refúgio da nossa alma e dos nossos pensamentos. Porque a criança vive o momento e não carrega o passado ou as preocupações do futuro. Ela só vive e eleva a vida... daí o prazer que sentimos ao viajar para aquela criança (aquele tempo)que vive em nós... a potência e a força(vital) estão ali a nos esperar...

    Gostei do poema e divaguei... um pouquinho.

    Um abraço!

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  3. Bonita forma de descrever o jardim do outro lado desse portão. Senti um perfume tão bom de minha infância.

    Abraço amigo, Helen!

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  4. Não se deve nunca perder a inocência da infância. Abraços

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  5. Nenhum portão é tão belo!
    Venho contando histórias da família,e foi na infância
    que sedimentei os melhores sentimentos. Sempre "revisito"
    os belos momentos da infância, em fotos, em lugares, em conversas.
    Lindo, o seu poema.

    Um beijo,Helen,
    da Lúcia

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Agradeço sua atenção.
Bastante proteção em seus caminhos.
Sucesso sempre.
Helen De Rose

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