sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Interlúdio do coração




Ouço a tempestade vindo através dos ventos alvoroçados

os trovões aceleram as batidas do meu coração mediador
e o frio se transforma numa neve fina sobre os gramados
um coração perturbado não conhece a paz de um mentor.
Os cercados ainda tentam delimitar a liberdade perdida 
mas a tempestade opressora desarruma tudo num segundo 
e o meu coração me guia na escuridão e mostra-me a saída
enquanto os ouvidos ouvem as palavras vazias do mundo.
Ainda existe vida em mim, apesar do silêncio da minha voz
os tiros ainda acertam as crianças que não tiveram infância
e as mães mortas, são a morte onde a vida começou, sina atroz
as casas ficam abandonadas em seu âmago e nestas circunstâncias.
Tudo acontece num minuto, mas o coração é lento nas mudanças
sofre cada segundo que pulsa na alma ferida do seu sentimento
os ouvidos não querem ouvir, os olhos não querem ver as lembranças
e a saudade é igual a tempestade que nos tira a vontade do alimento.
Transições que chegam com os ventos alvoroçados e insensíveis
quando o inverno é longo, a neve congela as pequenas nascentes
mas o espírito tenta aquecer o coração forte com gestos possíveis
porque ainda há vida depois da tempestade e suas frias correntes.
As mudanças são aprendizados forçados, não desejo pra ninguém
os olhos escurecem, nossos ouvidos ensurdecem e a voz engole
o sofrimento em forma de tempestade vinda de algo ou alguém
os raios arrepiam a pele morna enquanto cada sentido nos foge.
O tempo nos diz que ainda há esperança depois das cicatrizes
o coração ainda pulsa, a vida está presente e conseguimos respirar
e se um dia a tempestade voltar, mais uma vez, seremos aprendizes
porque nesta vida só não vive quem jamais soube o que é amar.


Helen De Rose

*Lançamento 20/12/14 - CBJE - Rio de Janeiro

domingo, 30 de novembro de 2014

Infinito particular




Estamos num instante de infinito particular 
leio-te nos matizes da cor do teu olhar 

Atravesso oceanos siderais da tua imaginação 
enquanto a menina dos teus olhos brinca na minha visão 

Corro pelas florestas do teu coração pulsando 
sobre as patas de um lince seguindo tua íris se libertando 

Vivo no teu globo ocular brincando com as lindas mariposas 
que fazem brilhar meu cristalino, refletindo as luzes de tuas prosas 

Retina em mim, transforma a vida numa obra de arte 
transcende o etéreo e leva consigo o meu estandarte 

Dou para ti minha córnea para encontrar meu mundo 
e chegar no porto abrigo onde o Sol é o meu Eu profundo 

Não deixarei que tua pupila se perca de mim 
nem aqui, nem onde o destino procura por um fim.


Helen De Rose

*Lançamento em 30/11/14 - CBJE - Rio de Janeiro 


Mais do que um livro, o Panorama Literário Brasileiro é um documento histórico. Ele registra as melhores poesias inscritas para as seletivas da CBJE durante nosso ano editorial (período outubro 2013/setembro 2014). Neste ano, como no ano passado, a seleção das obras ficou a cargo dos Acadêmicos do 1º Colegiado de Escritores Brasileiros, órgão executivo da Litteraria Academiae Lima Barreto,
no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O sangue das bonecas virgens




Infâncias mortas-vivas,
órbitas dos olhos vazias,
sensação tenebrosa do escuro.
Manchas de sangue tingem
o vestido branco da inocência,
conspurcam a monstruosidade
diante de uma cruz envelhecida,
simbolizando o escárnio
com risos horripilantes e demoníacos.
Num cenário lúgubre,
vampirizam o sangue
e comem as entranhas,
comungam do mesmo prazer.
Nos mausoléus, sepulcros se abrem,
pedófilos sem olhos e imundos fedem,
riem e assombram
os anjos de mármores,
colhem as flores secas
retorcidas pela morte
e depois fingem
que pedem perdão
para as velas acesas
queimando no chão.
Depositam as flores mortas
diante do sepulcro frio
de uma criança.
Sobre a lápide,
seu brinquedo favorito:
uma boneca virgem
ensanguentada.


Helen De Rose

*Lançamento 20/11/14 - CBJE - Rio de Janeiro


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

É o teu nome que eu chamo



Quando me deixas aqui
Sem teus carinhos
Deixo meu corpo dormir
Nas noites de nossos sonhos
Para pensar em ti
E ainda sentir
A sensação de estar
Dentro de mim.
É tão difícil
Ver teus passos partir
Sem poder
Ao menos um abraço
Demorado te dar
E no desespero
Das minhas lágrimas
É o teu nome que eu chamo...
O que eu posso mais fazer
Para teu coração acreditar
Que tu és o amor da minha vida?
A minha vida só respira
Olhando para teus olhos
Penetrando assim nos meus
Sentindo teu cheiro
Misturando-se
Por todos os meus desejos
Provando os lábios teus
Em demorados beijos.
Como posso olvidar um amor assim?
Se, todos os dias da minha vida
É o teu nome que eu chamo...


Helen De Rose

*Lançamento em 20/11/14 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Solenidade de Instalação e Posse dos Escritores Imortais da Academia de Letras do Brasil de Araraquara/SP


com Michelle Zanin, Presidente da Academia de Letras do Brasil de Araraquara/SP

Dia 08/11/2014 foi um dia memorável. Reencontrei com pessoas amigas e conheci pessoas maravilhosas. Aconteceu a Solenidade de Instalação e Posse dos Escritores Imortais da Academia de Letras do Brasil de Araraquara, com minha indicação para ocupar a Cadeira 51 de Membro Imortal Correspondente por nossa Presidente Michelle Zanin . Minha gratidão a todos que de certa forma contribuíram para eu receber esta Eterna Distinção Honrosa. Não citarei nomes, porque cada um sabe o quanto me incentivou nesta jornada. Sinto-me honrada! Recebam todos meu abraço e carinho.

Helen De Rose - Acadêmica Imortal da Academia de Letras do Brasil Seccional Araraquara/SP - Cadeira 51 - Membro Correspondente.

Professor, Doutor, Ph.D, Ph.I Mário Carabajal, Presidente Global da ALB entregou-me o Diploma de Consagração ao Título de Imortal, empossando-me Membro Correspondente à Cadeira 51 da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araraquara/S e pelas mãos do Escritor e Dr Marcos Welter, Membro do Conselho Superior da ALB de Brusque/SC recebi a Comenda Acadêmica. — em Dan Inn Hotel Araraquara.


Comenda Acadêmica


Diploma de Título de Imortal

com Christian Lepelletier, Vice-presidente da Universal Peace Federation, 
Comisión Mundial de PAZ e Universal Peace Federation International,

com o Escritor e Dr Marcos Welter, Membro do Conselho Superior da ALB de Brusque/SC
com o Poeta Carlos Eduardo Pompeu, meu mais novo vizinho de Cadeira.
com Josete Dante, minha amada mãe

com Rubens Sortino, companheiro da mamãe

com meu marido Luiz Vitório

com Edison Fernando Barreto,
meu amigo de infância representando a Família Lapena Barreto,
reencontro emocionante!

com Confrades e Nobres Colegas
com Sergio Valencia,  
nos conhecemos a mais de dez anos 
e agora nos encontramos pessoalmente,
uma surpresa maravilhosa! 
Emocionante conhecê-lo pessoalmente, 
num momento tão especial!

Momentos da Posse


Membros da Academia de Letras do Brasil de Araraquara/SP

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mona Lisa



Diante da profundidade de um olhar
uma paisagem no fundo da dualidade
o lado do coração na altitude do amar
e a razão na planície da realidade

Na face, um sorriso enigmático e sagrado
iluminado pelo olhar dimensional
sob um véu transparente consagrado
sentada em decoro, imagem piramidal

Um distanciamento que nos aproxima
pelos braços cruzados, criando uma divisão
dum triângulo com a ponta para cima
revelando a dicotomia desta criação

Helen De Rose

*Lançamento em 20/10/14 - CBJE - Rio Janeiro


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ausência



Deitada nesta linha pulsante da vida,
eu entrego meu corpo cansado,
com todas as minhas lutas em vão,
alimentadas pela ilusão dum sonho,
que um dia vi acontecer nos seus olhos.
(Uma luz nos envolveu rapidamente,
enquanto o amor sorriu pra nós,
transformando nossa vida numa só.)
Deitada nesta linha pulsante do amor,
eu entrego meu espírito magoado,
com todos os sentimentos do meu coração,
silenciado pela minha visão marejada,
que um dia vi sair da sua emoção.
(Um sentimento único, sem explicação,
em cada gesto, ao som da nossa respiração,
no descanso do êxtase do nosso amor.)
Nesta ausência de mim mesma,
a noite ficará mais serena com a presença da Lua,
e o dia mais iluminado com cada nascer do Sol.
Eu estarei entregue na paz de não ter nada,
nem aqui ou em qualquer outro lugar.

Helen De Rose

*Lançamento 20/10/2014 - CBJE - Rio de Janeiro.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A boneca inflável


Era ainda de madrugada numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, um lugar tranquilo, onde o mineiro come quieto seu pão de queijo sem incomodar ninguém, quando Vaconilda resolveu fazer as malas e ir embora com seu amante Lindomar. Estava deixando para trás seu ex-marido Dejair, um homem franzino que escondia, atrás da sua barba de macho e do seu bigode mexicano, a falta dos seus dentes caninos. Era apenas um pobre rapaz apaixonado.
Eles moravam numa casinha no fundo do quintal da casa da mãe de Dejair. Dona Palmira cuidava do filho como se fosse um tesouro, pois era tudo o que restou do seu casamento depois da sua viuvez.
Vaconilda nem olhou para trás, juntou todas as suas traias e saiu pela porta. Entrou no caminhão de Lindomar e nunca mais voltou. Dejair encostou sua cabeça no travesseiro e chorou de tristeza. Ele não sabia por que sua cabeça estava tão cansada...

Os dias foram passando, enquanto Dejair quase furou todos os discos da sua coleção do Odair José. A sua canção preferida era "Eu vou tirar você desse lugar", porque a primeira vez que ele foi num prostíbulo chamado “Boate Azul”, conheceu Vaconilda, aquela linda loura de cabelo cacheado, tão cacheado, que parecia uma ovelha, a desgraçada. Ela era a donzela mais requerida pelos clientes, por causa da sua enorme bunda, a mesma que lhe colocou tantos enfeites de cabeça. Mas, mesmo assim, ele não conseguia esquecer a Vaconilda.

O dia dos namorados já estava chegando e Dejair estava se sentindo tão solitário. Resolveu dar uma volta de bicicleta no jardim da praça, a única que havia em sua cidade com um coreto bem no centro. Ali, todos os finais de semana, os solteiros se encontravam para ficar paquerando. Do outro lado, estava a banca de revistas do ZéMané. Dejair foi até lá e ficou olhando as revistas. Numa capa da “Playboy” tinha uma loura parecida com a Vaconilda, ele gostou e comprou. Voltou um pouco mais contente para casa, desejando alimentar sua saudade.

Toda vez que Dejair fazia barulho no portão, sua mãe gritava lá de dentro de casa:

- Dejair? É ôcê, meu fio? - Ele logo respondia:
- É eu, mãe!

Dejair passou semanas vendo aquela revista e até fez uma encomenda. O correio mandou um aviso para ele retirar sua encomenda. De bicicleta mesmo, ele foi até o correio e trouxe a caixa na garupa. Quando chegou, sua mãe gritou:

- Dejair? É ôcê, meu fio?
- É eu, mãe!

Interessado em abrir logo aquela caixa, foi logo fechando as janelas e a porta de sua casa, para ninguém incomodá-lo. Pela milionésima vez, colocou o disco de vinil na sua vitrola vermelha, para ouvir "Eu vou tirar você desse lugar". No interior da caixa, um manual de instruções:

Primeiro: tire da embalagem de plástico; (ele percebeu que era quase do seu tamanho)
Segundo: tire a tampa do bico e assopre; (o coitado do Dejair, tão raquítico, quase morreu de tanto assoprar, aí ele teve uma ideia)

Vendo que ele não tinha mais forças para assoprar, fechou o bico e embrulhou sua encomenda num lençol. Amarrou tudo na garupa da bicicleta e foi até o único posto da sua cidade. Lá, encontrou com o Ricardão, o cara que enchia os pneus dos carros. Dejair não queria que o Ricardão visse sua encomenda, pediu para que ele se afastasse que ele mesmo enchia. Na verdade, Dejair não queria que outro homem colocasse mais a mão, naquilo que lhe pertencia. Isto lhe causava coceiras na testa.

Mas, o inesperado aconteceu, ele encheu tanto, tanto aquela coisa que ela escapou das suas mãos e saiu voando, soltando ar por todo o posto. Todos viram que era uma boneca inflável. O Ricardão ficou olhando assustado, como todos os que estavam no posto. Enquanto todos riam, rapidamente, Dejair segurou a boneca inflável e fechou o bico. Ela tinha 1,60 de altura e teve que ser levada na garupa, estranhamente sentada com o lençol cobrindo e amarrada para não cair.

Dejair chegou ofegante em sua casa:

- Dejair? É ôce, meu fio?
- É.........eu.......mãe......! - a mãe sentiu que a voz dele estava diferente.

Ele foi entrando logo no quintal, para sua mãe não ver ou perguntar o que ele trazia na garupa da sua bicicleta. Depois de descansar e beber muita água, o disco do Odair José já estava tocando "Eu vou tirar você desse lugar", quando pegou novamente o manual de instruções da sua encomenda:

Primeiro....já foi
Segundo...já foi
Terceiro: passe a pomada lubrificante nos orifícios. (a pomada faz parte do Kit erótico)
Quarto: aperte o botão "on" (ele levou um susto!)


A boneca inflável falava: - Excita-me!....Excita-me!...Excita-me!....e seus olhos acendiam duas luzinhas azuis e no meio, aquela boca redonda pintada de vermelho, no meio da cabeleira loura. Os seios tinham bicos rosa-choque, os pelos pubianos eram penugens louras que decoravam outro buraco redondo pintado de rosa, do outro lado, uma quase bunda.
Quinto: se desejar vestir a boneca, ela tem: calcinha, sutiã, mini saia e camisa de botão.

O pobre rapaz apaixonado desligou o “Excita-me!...Excita-me!”, deitou na cama ao lado da sua boneca inflável e começou a contar pra ela toda sua triste história de vida. Chorou, riu e cantou as músicas do Odair José para a boneca conhecer. Até que, de repente, ouviu alguém bater na porta:

- Dejair? Quem taí c'ôcê, meu fio? - ele abriu a janela e respondeu:

- É ninguém, mãe! - enquanto isso o bico da boneca inflável abriu e ela saiu voando pela janela, soltando o ar. A mãe dele, assustada, gritou:

- Dejair onde ôcê arrumou essa muié vuadora, meu fio? 
- Gaguejando ele respondeu: - Mãe, isso é coisa do Odair José, ele que fica tirando a ‘muierada’ desse lugar...
*
Helen De Rose
*
*Lançado em 20/09/14 - CBJE - Rio de Janeiro.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As burcas não falam




As burcas não falam
Apenas escondem
As almas das mulheres
Que nascem nesta condição
De submissão 

As burcas não falam
Apenas traduzem
Os pensamentos das mulheres
Que vivem nesta condição
De flagelação 

As burcas não falam
Apenas protegem
Os corpos das mulheres
Que morrem nesta condição
De anulação


Helen De Rose 

*Lançamento em 20/09/14 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Vá comê quiabo com jiló


Vá 'comê' quiabo com jiló
lá na casa da sua vizinha
'cê' ponha pimenta sem dó
até sair do 'zóio' uma 'lagriminha'

Até chegar uma quentura no 'fiofó'
o Diabo não vai te deixar sozinha
Vá 'comê' quiabo com jiló
lá na casa da sua vizinha

Aproveita e dança um forró
enquanto o galo pega a galinha
no meio desse doido forrobodó
ninguém liga se tiver rinha
Vá 'comê' quiabo com jiló

Helen De Rose

*Lançamento em 20/09/14 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O lado abissal das palavras




A noite é uma desvalorização do dia,
não há sentido quando a morte é uma vadia 

Uma vadia que tira a vida dos sentidos,
deixando a ausência tomar conta dos esquecidos 

Dos esquecidos sem finalidades, sem porquês,
depreciam-se com as sombras da sua mesquinhez 

Sua mesquinhez dissolve-se na cova da sua escrita,
de princípios e critérios absolutos cravados numa cripta 

Numa cripta onde as palavras vivem seu lado abissal,
despedaçadas pelos golpes da deterioração sepulcral 

Sepulcral é a revelação da verdade sem fundamentos
Diga lá! Iconoclasta! Deus está morto? Está tudo permitido nos sepultamentos? 

Nos sepultamentos sem premissas, sem as asas da liberdade?
Então, troque suas entranhas por seu hedonismo, sua decadente verdade 

Verdade que revela o lado abissal das palavras aterrorizantes,
estimulando reações claustrofóbicas e desânimos mortificantes 

Mortificantes palavras que assombram as páginas igual açoite
que castiga, sem perdão, a vadia da morte até chegar a noite.


Helen De Rose

*Lançamento em 20/08/2014 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um poema para Duda

Duda

Até onde os olhos alcançam
nascem flocos de algodão no céu
e no meio deles existe
uma casinha de boneca
onde a princesa Duda
brinca de sonhar.
Os passarinhos cantam
para alegrar o novo dia
que a princesa irá viver
e os beija-flores pairam
no ar com alegria
enquanto os girassóis iluminam
os jardins do seu coração.
Sonha, oh princesa Duda
com uma fada encantada
de mãos dadas com seu destino
peça pra ela realizar o seu
desejo mais importante.
A fada conhece as águas
que purificam cada ser,
os feixes de luzes que brilham
em volta do corpo vital
e a graça de receber um milagre.
Sonha, oh princesa Duda
brinca com bolhas de sabão
que a vida é agora
e os anjos estão contigo
para lhe proteger.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/08/14 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sol Negro


A noite amanheceu no horizonte,
minha visão buscou a direção Norte
de onde surgiu uma escada septenária
por onde subiam e desciam seres etéreos
empunhando espadas flamejantes

O Sol tinha doze raios negros
cada raio lembrou a runa 'Sig'
e o canto das pequenas cigarras
ecoou sobre toda a paisagem
num uníssono: SSSSSSSSSSSSS

No solo, a víbora da profundeza
rastejou pela lama em zigue-zague
com um profundo estigma no dorso,
era uma estrela de cinco pontas
ainda ferida, vertia sangue

Da nuvem, um raio riscou o céu.
Do centro do mundo anoitecido
emergiu uma torre abandonada
com uma sigla 'SS' em mosaico
nos vários tons da pedra jade

O espectro da morte se fez Sol,
seus raios eram espadas negras
buscando por cada signo mundano
para arrancar o coração do peito
e lavar de sangue o Santo Sepulcro.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/07/14 - CBJE - Rio de Janeiro


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Deus das palavras



O escritor é um Deus das palavras.
No princípio sua imaginação transcende
as imagens que surgem em sua mente
e atravessam o firmamento do que ele entende.
Ele imagina céus em cada texto,
ele conhece terras em cada interrogação,
sente sensações em cada exclamação.
Nas trevas, ele mostra a segunda face do abismo,
nas águas, ele batiza sua criação e alivia sua sede,
diante da luz, ele faz da Lua a eterna musa do Sol.
Sua poesia une as noites frias com o calor dos dias, 
as tardes chuvosas com os desertos das madrugadas,
os passados saudosos com os desejos nos futuros 
e o agora vívido com as preguiçosas manhãs.
Suas composições ouvem a voz dos oceanos,
suas canções navegam com o perfume da maresia,
enquanto sonha com sua criação deitado numa rede,
naquela praia onde seus olhos conheceram o mar.
O Poeta é um Deus criador de versos.
Se ele finge, sonha ou sente, somente ele pode dizer.
Seus livros nascem iguais estações do ano,
no outono ele une as folhas escritas com seus poemas,
no inverno ele permanece entorpecido, em gestação,
na primavera ele lança as sementes nos corações
e no verão ele colhe a luz da sua manifestação.
A obra do escritor transcende sua existência,
transforma-se num legado indelével, intemporal
e permanece insigne na lembrança do seu leitor. 


Helen De Rose

*Lançamento em 20/07/14 - CBJE - Rio de Janeiro

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O toque do amor



Olhos vendados
desejos de voar
sinto de perto
o toque do amor
deslizando pela mão
no silêncio da respiração. 

Nau aporta no lençol
braços descansam no cais
o toque do amor
abre os botões da blusa
desnudam os seios
ventre todo arrepiado
serpenteia neste mar. 

Noite traz a Lua
no horizonte enamorado
unindo essa distância
num sonho navegante 
sinto o toque do amor
deslizando na pele
no íntimo morno
desejando ancorar.


Helen De Rose

*Lançamento 20/06/14 - CBJE - Rio de Janeiro

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ao Bisavô, com Carinho


Eu era criança, ainda me lembro
aquele pai levando seu filho na escola
num fusquinha branco de janeiro a dezembro 
pelo mesmo caminho até virar um rapazola 

O tempo também foi seu passageiro 
acompanhou sua luta e sua história 
os filhos casaram, levando um exemplo verdadeiro 
daquele pai trabalhador na sua geração e na memória 

Os netos nasceram e o Vovô também com eles 
fizeram do seu colo o seu porto seguro 
e o pai pela segunda vez ouviu seus quereres 
tirou das suas lutas diárias, o sonhado futuro 

E agora, os netos agradecidos abrem passagem 
para seus filhos, bisnetos daquele primeiro pai 
pela terceira vez, deixou de herança na linda imagem 
o sentido das suas vitórias, enquanto o tempo se vai 

De todas as homenagens que nesta vida já recebeu 
a melhor de todas foi a que Deus lhe deu 
balançar sua vida ao lado da bisneta amada 
feito criança, ao lado do anjo, de alma alada 

Helen De Rose

(Dedicado ao Bisavô Jayme Paulillo e sua bisneta Marília)


*Lançamento da Antologia em 20/06/2014 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tatuagem



Se vejo uma camuflagem
engano minha visão
dissimulando uma imagem
que existe lá e aqui não 

Será que é um disfarce?
Ou será uma arte da mão? 

Só consigo ver uma tatuagem
realçada por uma posição
e um sentimento de coragem
de sentir a dor da pele em doação 

Será que é uma crença?
Ou será uma devoção? 

Cada um sabe da viagem
que deseja seguir seu coração
nos olhos existe uma paisagem
reconhecida pela voz da manifestação


Helen De Rose 

*Lançamento em 20/05/2014 - CBJE - Rio de Janeiro.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Amor é assim...



Em algum momento 
da tua vida
eu fiz parte 
da tua história...
E mesmo não havendo
nossa presença
nos gestos de agora,
continuamos ali
naqueles momentos
presentes nas lembranças...
Hoje, eu olhei nos olhos teus
e vi bem ali no cantinho
que minha imagem
continua refletindo
nossa história...
O amor é assim
deixa o tempo suspenso
num mundo só nosso
num infinito particular.


Helen De Rose


*Lançamento da Antologia em 20/05/14 - CBJE - Rio de Janeiro.

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