quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vem brincar de viver!


Vem! Segure minha mão
Vem brincar de viver
Nesses dias de Planeta Terra

Imagine...

Estamos caminhando descalços nas areias de uma praia deserta, vestidos com o mais puro branco dos tecidos da seda, que esvoaçam com a brisa e o perfume da maresia trazida pelo mar.
O horizonte parece não ter fim nesta paisagem, onde ouvimos o som das gaivotas dançando à nossa frente e as ondas espumando ao perderem suas forças, quando se deitam na areia da praia.
Conforme vamos caminhando, vamos deixando nossos passos para trás e cada marca significa um momento vivido de nossas vidas, entrelaçadas por este destino.
Neste instante, não há mais nada que impeça nossa união e felicidade.
Completando este cenário, entre carinhos e abraços, resplandecem os nossos sorrisos nos intervalos de cada beijo que trocamos.
De repente, repito um gesto que sempre faço diante do oceano, corro de braços abertos num sinal de liberdade e entrega de alma, sem receios.
Você vem atrás de mim, num desejo simultâneo, carrega-me no seu colo até me deitar nas areias macias deste paraíso.
Neste momento, você e eu somos nós, somos o amor eternizado, somos o verbo do prazer tatuado na carne, somos um só coração pulsando, somos a união sublime em essência, somos a paz que sempre buscamos.
Neste momento, nosso amor ficará presenciado pela natureza nativa, aquecido pela luz do Sol, consagrado na refrescante brisa e perfumado pela maresia; ao som das gaivotas dançantes, ao som do mar, nas sombras de um coqueiro tropical.

Vem!
Vem comigo nesta imaginação
Vem brincar de viver
Segure minha mão...


Helen De Rose



segunda-feira, 16 de maio de 2011

No desalinho da nossa cama













A noite chega como um açoite solitário,
Rasgando minhas fantasias de amor contigo,
Enquanto meu corpo quente pede o seu santuário,
Profano sua pele numa carícia de exílio e castigo.
*
Por que me deixa com sede dos seus lábios,
No deserto desta madrugada sem seus beijos,
Molhando meu íntimo no som dos seus adágios,
Fazendo de mim, escrava eterna dos seus desejos?
*
Você me deixa rolando no desalinho da nossa cama,
Procurando pelo prazer, no mergulho da minha mão,
Por dentro da calcinha de renda, sentindo a chama,
De quem deseja o seu amor com o pulsar da paixão.

*
Seu cheiro afrodisíaco percorre os meus sentidos,
Deixando-me sedenta dos seus sabores masculinos,
Salivo ao lembrar da sua nudez intumescida, ouço gemidos,
Rasgo os lençóis na ânsia desse amor com meus dentes felinos.
*
Chamo o seu nome no meu pensamento enquanto adormeço,
Na esperança de encontrá-lo ao lado do meu travesseiro.
Em lágrimas de saudade, insônia persiste, viro-me no avesso
No meio desse desalinho procuro por seu amor verdadeiro.
*
Helen De Rose

* Antologia lançada em 15/05/2011 - CBJE - Rio de Janeiro



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Num singelo chalé nas montanhas do coração...










Mais um dia de outono na vida de um solitário pensador.

A noite se despede da manhã, deixando as brumas de recordação, quando vão envolvendo as montanhas molhadas pelos orvalhos cristalinos. No meio desta paisagem, aos poucos, vai surgindo um singelo chalé de madeira por entre as folhagens da floresta, rodeado por paineiras centenárias, decoradas pelos seus frutos: o algodão.

No silêncio da madrugada, que espera pelos primeiros raios do sol da manhã, ouve-se o cantar da harpia descendo das copas das árvores, seguindo a profundidade de sua visão em busca dos peixes que habitam um lago espelhado na frente deste pequeno chalé.
Neste instante, mais um dia é despertado na mente deste solitário pensador. Ele ouve o cantar solitário da harpia, enquanto passa sob seu chalé, aquecido por uma pequena lareira de latão escuro. Ele sabe que o dia está amanhecendo, mas não consegue se lembrar de si mesmo, pois sua memória seguiu a trajetória das estrelas quando caíam da escuridão da noite, deixando a Lua minguante.

No pulsar constante do seu coração traz guardado uma saudade: a imagem do rosto de uma mulher. Ele tenta se lembrar do nome dela, mas nesta angústia de não conseguir, levanta seus olhos em busca da sua consciência e declama, emocionado, esta oração:

- Um dia, minha amada, eu lembrarei novamente do seu nome, assim que meus olhos encontrarem os seus, porque meu coração sente seu amor por mim... e nem mesmo a minha deficiência de memória, que me enfraquece agora, irá me fazer esquecer do seu rosto. Ouça a minha voz clamando por sua presença! Em algum lugar, onde o sol ilumina a sua vida, na quietude do seu sentir a minha existência silenciosa em seu coração, eu chamo por ti...eu chamo por ti...eu chamo por ti!

Então, num singelo chalé nas montanhas do coração, um solitário pensador chorou...

Helen De Rose


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uivam as Lobas


















Nas pirâmides negras
Noite mistificando o santuário insondável
Igual ao cálice consagrado no altar
Na busca da comunhão com o eterno
No inspirar do seu renascimento
Iniciando sua vida na pirâmide invertida
Com sua voz suave e mansa como a brisa
Abrindo o portal de luz que lhe habita
Com seus sonhos amorosos de Vênus
Com seus véus despidos de Íris
As Deusas que lhe fascinam
Em tempos diferentes de ciclos de vida
Experiências enriquecidas sem o hímen
Muitos sentimentos nasceram e morreram
Muitas tatuagens marcaram seus genes
Eternizadas em sua mente
Em fluxos vital, chama da eterna juventude, que acende
Nas pirâmides negras
Noite mistificando o santuário insondável
Igual ao cálice consagrado no altar
Na busca da comunhão com o eterno
Na sua presença, uivam as lobas...


Helen De Rose

*Lançamento em 15/05/11 - CBJE - Rio de Janeiro



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