quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Há um lado teu que eu nunca conheci...



O tempo já me disse tantas coisas sobre ti, 
mas, há um lado teu que eu nunca conheci. 
Tem momentos que teu sentimento parece ser tão verdadeiro, 
entretanto, noutro instante tuas palavras não me convencem. 
Tu fazes do seu mundo uma porta fechada para o meu, 
e, sem pensar, dizes que odeias pessoas mentirosas, 
porém, o que vejo nas imagens, que tu mesmo me mostras, 
são pessoas que já mentiram tantas outras vezes, 
por causa de interesses, ciúmes, invejas e ódios. 
São estas mesmas pessoas que tu manténs 
neste seu mundo de porta fechada para o meu. 
Vejo que existe uma contradição em cada palavra que tu me dizes, 
pois, há um lado teu que eu nunca conheci. 
Fico sem saber o que pensar disto tudo, 
enquanto tu insistes em me dizer que sempre me quis, 
que precisas de mim, porque me amas... 
Mas, basta tu saíres por aquela porta e seu mundo 
se fecha em copas num velho carvalho. 
Tudo permanece numa incógnita 
absurdamente silenciosa, igual uma facção secreta. 
Um emaranhado de perguntas vão seguindo 
tua sombra e as marcas dos teus passos, 
neste seu jogo de caráter volúvel. 
Precisas de mim? Amas-me? 
Então, tu faças seu jogo, 
pegues sua carta, 
entregues para a brisa leve, 
vires um peixe no reino das águas claras, 
nades nos seus oceanos em ondas severas, 
e vás morar com as lunações da Lua.

Helen De Rose

*Lançado em 20/11/2015 - CBJE - Rio de Janeiro.


Encontrei o amor no teu olhar




O sol nasceu por cima dum mar de nuvens
iluminando numa fresta o espírito duma onda do mar
Quando as nuvens escureceram minha visão
e todo o céu ficou encoberto
Quando não consegui ver outro caminho
senti-me sozinha numa prisão
Cultivei lágrimas de sal em cada oração
porque acreditava ser um passarinho
Esperava encontrar teus olhos toda noite
olhando as estrelas que iluminavam meu ninho,
e eu encontrei o amor no teu silencioso olhar
Teus olhos atravessaram um oceano inteiro
trazendo consigo tua alma navegante
Momentos de profunda intimidade nos uniram
quando os dias pareciam intermináveis
Tudo o que desejamos no mesmo instante
fez-me lembrar de ti, enquanto lembraste de mim
Ah! Como eu queria poder te tocar!
Mergulhar minhas sensações nas tuas
sentir teu cheiro navegando em meu mar
fazendo-me sereia dos teus desejos de beijar
Ah! Como é frágil cada pensamento!
Queríamos asas para voar sobre as nuvens,
levantar os pés do chão da realidade
para tocarmos as faces da nossa liberdade
Enquanto a vida soprar em meu coração,
cada pulsar terá teu nome vivo em mim,
e quando trouxeres tua prenda ao meu regaço,
dormirás para sempre no aconchego duma rosa branca.

Helen De Rose

* Lançado em 20/11/2015 - CBJE - Rio de Janeiro.


Cogumelo atômico



Uma segunda feira das almas,
seis de agosto de 1945,
são oito e quinze da manhã.
Um ser demoníaco desce do infinito,
lançado pelas garras de uma águia metálica,
marcada pela identidade da morte autorizada,
sobrevoa a cidade de Hiroshima.
O ser atômico vai nascendo numa queda livre,
sua missão é cármica e de destruição.
Todos ainda estão acordando 
para um novo dia de trabalho e estudo,
jamais pensariam no que está prestes a acontecer.
Uma criança olha pela janela no momento exato
em que a radiação toca o solo depois duma explosão,
O corpo metálico transforma-se num flash nuclear devastador,
penetrando instantaneamente em tudo que encontra pelo caminho,
formando um tsunami de fumaça conforme vai aniquilando
tudo e todos numa fração de segundos.
Sombras de tudo e de pessoas ficam solitárias.
Enquanto isso, o ser atômico vira um cogumelo de fogo e fumaça,
reinando com sua força de destruição no céu,
mostrando para todos os sobreviventes,
do que é capaz de fazer em função do Poder.
A atmosfera permanece em silêncio
ouvindo os gemidos da dor da guerra implacável.
A Paz é um horizonte perdido no coração do Homem.

Helen De Rose



* Lançado em 20/10/2015 - CBJE - Rio de Janeiro.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Olhai os Mananciais dos Sonhos










Os meus pensamentos me levaram nesta viagem sem destino...
Caminhos erguidos por eucaliptos envolvidos por brumas, anunciando o crepuscular vespertino, num extremo peninsular do ocidente.
Encontrei um jardim onde três ninfas, guardiãs das fronteiras entre o dia e a noite, brincavam de pintar o céu, com a luz avermelhada da tarde, colorindo a Deusa do seu Esplendor num horizonte perdido.
Adiante, vi uma construção antiga, abandonada pelo tempo, com várias janelas e grades enferrujadas, com limbos tomando conta da pintura umedecida pela garoa fina, que começava a cair nessa tarde de outono, preguiçosamente fria pelo vento, que ia varrendo as folhas caídas nos gramados, formando redemoinhos vivos. De repente, uma luz surgiu de uma lamparina, iluminando o rosto de um homem solitário, olhando atentamente nos meus olhos, através de uma das janelas da frente da construção antiga. Seu vulto era de um homem alto, de porte largo e cabeça raspada.
Antes de subir as escadas da porta de entrada, olhei para meu lado direito e vi um largo gramado verde, onde um cavalo branco, selvagem, corria livremente por todos os lados. Voltei meus olhos para o rosto do homem e vi lágrimas correndo em sua face. Senti um calafrio. Apontei meu dedo indicador para a porta e ele sumiu da janela.
Em segundos, a porta se abriu e o homem segurando a lamparina numa das mãos, tremia, demonstrando uma misteriosa emoção. No bolso da sua camisa, havia uma foto, puxei para ver, e era de uma mulher grávida. Ele não esboçava nenhuma palavra, apenas olhava cada gesto meu. Com o vento, uma porta dos fundos começou bater, então ele se apressou em fechá-la, percorrendo um corredor enorme, com o piso de tijolos e com portas dos dois lados. Segui seus passos até o fim do corredor, quando a porta se abriu com o vento, vi um quintal repleto de lápides, túmulos antigos, onde várias pessoas foram enterradas ali. O homem olhou nos meus olhos com receio e segurou meu braço, impedindo que eu fosse até lá. Neste momento, três Deusas guardiãs do éden e do mundo subterrâneo surgiram de um pomar de árvores mágicas de onde nasciam Pomos de Ouro. Elas iam limpando e enfeitando as lápidas com maçãs e flores místicas azuis. Depois correram para um lago, atrás do pomar e, mergulharam nuas, desaparecendo nas águas turvas, no meio das brumas silenciosas. Por alguns minutos, prendi minha respiração, para tomar coragem...Voltei meus olhos para trás e ofereci a mão para o homem misterioso. Então, seguimos em direção a primeira lápide de mármore. Nesse instante, olhei para minhas vestes e elas se transformaram no meu corpo. Surgiu uma saia longa negra e um corselet vermelho, meus cabelos ficaram mais longos, como se eu estivesse atravessando uma ponte entre o presente e o passado. Diante de nós, uma estátua de anjo Serafim surgiu em frente de uma cruz de madeira e do seu lado repousava o cadáver de uma mulher, coberta por flores de jasmins e borboletas coloridas, envolvida por uma luz de matizes azuis, fosforescendo sua camisola branca.
O homem ajoelhou-se em prantos diante dela e pronunciou algumas palavras:

“- Minha Amada Imortal!
Quanta saudade eu sinto em meu coração!
Eu pensei que nunca mais fosse lhe ver!
Diante do silêncio do seu corpo,
Eu sou o Sol sem a luz,
O vento sem as folhas,
A água sem a nascente,
A terra sem a semente,
Um barco perdido em alto mar...”

E,
Presenciando este encontro solene,
Sentei sobre a lápide de mármore
E chorei...
Pois, para minha surpresa, aquela mulher trazia em seu rosto, os traços da minha face.

Helen De Rose
* Antologia lançada em 21/04/2015 - 1* Coletânea de Contos - Academia Luminescência Brasileira. Adquira o livro: http://clubedeautores.com.br/book/185294--Academia_Luminescencia_Brasileira#.VkCiULerTIV


Sombras no Platô da Gólgota


Não tenho explicações lógicas para as imagens que narrarei a seguir,
apenas surgiram em minha mente....

A visão marejada ganha asas 
e voa sobre uma colina solitária
sua geografia lembra um crânio humano.
No horizonte o Sol já se deita no entardecer
e a Lua Cheia surge refletindo o azul 
dos sagrados lírios azuis egípcios.
Sombras surgem no platô da Gólgota,
são incontáveis e transfiguram-se
sobre as caveiras abandonadas no solo.
Uma voz vinda da cruz no alto da colina
repete sem cessar:
-Vem a mim...vem a mim...vem a mim...
Mais sombras surgem por todos os lados,
umas brincam no seu estado etéreo,
outras chamam por seus pais
e muitas choram de fome e dor.
As brumas vão cobrindo as planícies
enquanto a noite se deita na imensidão
do veludo negro da esfera celeste.
E a mesma voz vinda da cruz continua:
-Vem a mim...vem a mim...vem a mim...
Enquanto isso, o mundo deseja o sono profundo
para dormir seus pesadelos mundanos,
porque todos os dias matam crianças
e roubam sua infância e seus sorrisos.
O martírio é apenas uma questão de tempo,
apenas o sofrimento irá perdurar 
e a ilusão será sequestrada pela realidade
diante das sepulturas à céu aberto.
Diante desta cruz todos cairão,
deixarão seus corpos lamentando a morte,
mas, ainda assim, serão confortados
pelas sombras do platô da Gólgota.

Helen De Rose

* Antologia lançada em 28/04/2015 - 1* Coletânea de Poemas - Academia Luminescência Brasileira.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Folha solta no ar


A inconsciência salta dum abismo lunar

transforma o ouro nas águas profundas do passado
e navega nos oceanos da dualidade da presente intuição.
Cada estação solar traz uma mensagem para decifrar
quando a consciência lúcida procura por um aprendizado
do crer ou não crer pelos caminhos da desmistificação.
As dúvidas são iguais veleiros navegando num mar
e o coração é uma folha solta no ar quando não está amarrado
pela Lei que rege toda a natureza e a sua justificação.
No silêncio, conseguimos ouvir o vento e a vela namorar
enquanto o veleiro roda o mundo sem ficar parado
buscando um significado inevitável para cada sensação.
Quando amarrado num porto, por suas escolhas sem pensar
o tempo se faz algoz do seu corpo e o olhar hipnotizado
misturando os sentimentos depois de uma transformação.
A ventania é um presságio alarmante do que pode chegar
e a destruição é uma prova para quem não foi aniquilado
na renúncia do que se tem para avançar na evolução.
Enquanto a noite vem, ainda há uma folha solta no ar
e, depois do amanhecer, ainda vejo um anjo alado
querendo navegar no vento onde o tempo vira um eão.
Os mergulhos na existência nos mostram como podemos avançar
em cada dimensão existente aqui ou do outro lado
conhecendo a nós mesmos e tudo o que permeia esta compreensão.

Helen De Rose

*Lançamento 20/10/2015 - CBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores) - Rio de Janeiro.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

No fio da navalha


Sangue escorre pelo chão da sua casa
saem por todos os lados do seu corpo
Sua cabeça está prestes a explodir
sobre sua consciência assassinada
pela sua bala perdida encontrada
dentro da cegueira do seu olho esquerdo
(Pois quem atira pro céu, na cara lhe cai)
Seus dedos estão mutilados um a um
pelas sobras das suas mãos
que roubam o bem que lhe fizeram
deixando os resquícios da sua ingratidão
(Pois a ação e reação também possuem mãos)
Seu pescoço está degolado pelo fio da navalha
atravessado na sua garganta destruída
pelas suas mentiras dilaceradas
tecidas nas teias de sua dissimulação
(Pois com o tempo as máscaras caem)
Sua língua está arrancada pela força
das suas sombras negras da maldição
pelas pragas que sua voz profetizou
nas palavras que o vento levou
(Pois não há freio que segure uma língua sem osso)
Seu coração está saindo pelo peito
prestes a matar a sua dor visceral
Em segundos, pede pra morrer: 
-Tire-me a vida agora!
-Não suporto mais essa dor!
Mas, arraste-se... Mas, ajoelhe-se... 
Humilhe-se para a morte
Porque, talvez, nem ela queira você!

Helen De Rose

*Lançamento 20/09/2015 - CBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores) - Rio de Janeiro.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Anjos no jardim da Paz

Marli Zaccariotto
Minha amiga
Deixa no meu coração seu sorriso
De momentos vividos nesta jornada
Mensagens que me escrevia
Enfeitadas com seus desenhos
Feitos com sua mão delicada
Anjos alados a brincar
Nos jardins de flores
Rodeadas por borboletas livres
Que de repente saíam do papel
E vinham pousar nos meus cabelos
Quando terminava de ler
As mensagens que saíam
Do seu bondoso coração.

Nesta despedida momentânea
Levamos sua morada corpórea
Para descansar debaixo
De um ipê cor-de-rosa
Que de tão generoso
Ao balançar com o vento
Deixava cair flor por flor
No teu leito terreno
E neste momento
Eu chorei...
Lembrei da nossa amizade
Da nossa doce santidade
Ao desejar sempre o bem
Neste afeto gratuito
Do nosso amor amigo.

Para você 
Minha amiga
Que sempre
Desenhou jardins pra mim
Morada dos anjos
Repletos de borboletas
Livres a voar
Hoje foi seu dia
De receber o seu
Jardim da paz
Enfeitado por flores
Para receber seu voo
De liberdade
Como uma livre
Borboleta
Rodeada por anjos.

Senti você
Despedir-se
De mim
Na brisa 
Que refrescava
Minhas lágrimas...

Esteja em paz
Agora e sempre
Até o dia
Do nosso 
Reencontro.

Helen De Rose.

*Poema dedicado para esta amiga muito querida.
Está no meu primeiro livro.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A mãe do poeta


Nos seus olhos havia 
lírios florescendo nos campos
Nos seus cabelos dançavam
vaga-lumes iluminando a noite
Nos seus ouvidos chegavam
canções vindas do vento
Nos seus lábios beijavam
anjos anunciando o advento

Nos seus céus brilhavam
estrelas formando um pincel
Nos seus horizontes puxavam
a Lua Cheia segurando um carretel
Nos seus oceanos dormiam
corações guardando paixões
Nas suas planícies deitavam
folhas sonhando com ilusões

Nos seus versos nasciam
lunações esperando por um filho
Nos seus poemas sentiam
devaneios lutando pela vida
Nos seus contos viam
pulsações desejando um estribilho
Nas suas luzes presenciavam
suas mãos recebendo o Poeta.

Nos seus jardins de Lórien viviam
mães semeando o Amor.

Helen De Rose

(dedicado para minha Josete Dante)

*Lançamento em 20/09/15 - CBJE - Rio de Janeiro


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Nesta noite vou levar sua alma!



Nesta morte me leva a vida
Fica em meu corpo, livra minha alma
Troca minha mente humana pela divina
Fora do natural minha visão me acalma

A terra é um pedaço sagrado do céu
Que permanece aquém do que está além do véu
Por um pequeno espasmo do meu coração
Transformo-me em húmus da sagrada criação

Abandono a morte cega, diante do Sol
Não encaro de frente o que me custa dizer
Dos subterfúgios que procuro no arrebol
Para me distrair durante meu viver

Deparo-me com a morte discutindo filosofia
No direito de se morrer em Eutanásias
Nos túmulos que encontro do lado das casas
Na taxa da mortalidade na demografia

Ligo a tv e só vejo morte banalizada
Tiro perdido e mulher dilacerada
Provocando curiosidade e horror
Como se fosse um fato novo para dor

Vou para meu quarto e tento dormir
Olho para o teto como se estivesse a sorrir
Uma mensagem encontro na minha palma:
Nesta noite vou levar sua alma!


Helen De Rose

*Lançamento 20/08/15 - CBJE - Rio de Janeiro


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Hora do pesadelo



Noite desnuda! Sem Lua! Escura!
Vagueio na rua da minha vida sem saída
Dividida pelo medo e a coragem nua
Ouvindo o presságio da coruja bandida

Visões decorrentes! Não posso evitar!
Seres plasmam diante dos meus olhos
Pedindo algo desesperador ao me tocar
Arrastando correntes entre teus frangalhos

São negros açoitados por agulhas
Penetradas na pele sangrando com sal
Sujas com o resto do fogo em hulhas
Destas fagulhas de sofrimento abismal

Pirilampos me rodeiam numa louca dança 
Iluminando as lágrimas da minha face pálida
Não sei nem de mim! Aqui me tem confiança?
Estes sombrios personagens da vida perdida?

Então caio de joelhos neste pesadelo sombrio
Rogando por todos eles em singela oração 
Para que se livrem dos seus eternos martírios 
Aliviando o espírito desta terrível flagelação!

Helen De Rose

*Lançamento 20/08/15 - CBJE - Rio de Janeiro


domingo, 2 de agosto de 2015

Por todo o amor que eu puder te dar!


Quero selar meus lábios nos seus
e mergulhar fundo no seu íntimo
sentir seu beijo fechando os olhos meus
sua língua sugando o sabor do meu signo
alimentando sua sede como um Eros Deus

Quero tirar seu fôlego nesse ardente beijo
enquanto minhas mãos envolvem seus cabelos
e deslizam sobre o abrigo do seu forte peito
aconchegando o calor dos meus lindos seios
na mansuetude do seu abraço em desvelos

Quero sentir todo seu corpo estremecer
sentindo minha respiração ofegante
colando meu ventre no seu para aquecer
nossa chama da paixão que acende dançante
como luzes fulgurantes para ti nunca mais esquecer

Quero fazer amor nesse nosso beijo e te amar
por cada segundo que sua boca estiver me sentindo
desaguar na foz dos seus desejos que levam ao seu mar
e, depois desse beijo, olhar nos seus olhos sorrindo
por todo o amor que eu puder te dar!

Helen De Rose 



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Realidade ou ilusão?


Pensamentos primitivos da mente.
O que é realidade ou ilusão?
Vemos a realidade movendo a fantasia
do problema criado quase sem solução
adquirido pela digestão com azia.

Alguém me disse algo com intenção?
Onde deseja chegar com essas palavras?
São fantasias da mente se formando
com o excesso de imaginação
piorando o que estou pensando.

As perspectivas são exageradas
dramatizando os estímulos mentais
criamos histórias verdadeiras
nas quais acreditamos piamente
em conversas diárias e banais.

Precisamos aprender a discernir
uma coisa real da outra ilusória
pensar corretamente antes de decidir
tentar ver de maneira sóbria 
identificar o que estamos fantasiando.

Perspectivas paranoicas
absorvem nosso linear mental
com frases se repetindo continuamente
camuflando a realidade existencial.
Observe-se e reflita sinceramente:

Estou criando realidades que não existem?
Do que estou alimentando minha mente?

Helen De Rose

*Lançamento em 20/07/15 - CBJE - Rio de Janeiro


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Um dia irei olhar para o céu...



Um dia deitarei na areia do teu coração
para olhar o seu céu de estrelas cadentes
caindo no horizonte de outra dimensão
sobre o oceano da tua alma, iguais sementes

Sementes que brotam em teu ser
e voltam ao céu formando constelações
de palavras escritas, para quem quiser ler
e ouvir as estrelas que saem das tuas emoções

Emoções que mostram o quanto tu amas
a escrita, e vive cada segundo da tua vida
pensando nela, iguais as luzes das chamas
queimando a lenha da lareira aquecida

Aquecida nas noites dos teus silêncios
onde tua voz se entrega à solidão
para ouvir as nascentes das palavras nos rios
que descem das fontes até tua mão

Mão que já foi de menino, hoje crescido
com algumas sementes já plantadas
pela tua mão de semeador amadurecido
amante indelével de um céu de palavras

Helen De Rose

*Lançamento em 20/07/2015 - CBJE - Rio de Janeiro.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Atire!


Desça do degrau do seu orgulho
Dispa-se da sua vaidade fútil
Livre-se de suas palavras ofensivas
Limpe-se das malícias de sua mente
Guarde sua língua felina
Arranque seus dentes podres
Feche sua boca sangrenta
Corte suas garras afiadas
Beba seu veneno mortal
Alimente-se do seu fel mordaz
Incline-se diante da sua arrogância
Ajoelhe-se no chão da sua miséria
Deite-se sobre seu leito de dor
Guarde-se da sua consciência humana
Mas não se julgue o dono da verdade
Porque ninguém é perfeito
Todos nós cometemos erros
O direito de errar aprendendo
O dever de acertar ensinando
Valorizando sempre o bem nas pessoas
Perdoando sempre o mal que nos fazem
Quem nunca errou nessa vida?
Quem nunca "pecou" antes da morte?
Quem se acha o dono da verdade
Que atire a primeira pedra!

Atire!

Helen De Rose

*Lançamento em 20/06/15 - CBJE - Rio de Janeiro



terça-feira, 2 de junho de 2015

Desgraçada!


Ventania no deserto
Cabelos ao vento
Imagens nos meus olhos
Miragens do tempo
Corro descalça nas areias mornas
Envolvida por véus transparentes
Vejo sua sombra me seguindo
Sua voz saindo pelos dentes:
- Desgraçada! Desgraçada!
Olho para o chão rachado
Formando desenhos iguais mosaicos
Paisagens surreais do areado
Rastos deixados para trás 
Visão surgindo em cascas de maçãs
Pétalas de rosas nos meus cabelos
Enquanto, lá no alto, as nuvens de lãs
Escuras, aproximam-se dos camelos:
- Desgraçada! Desgraçada!
Temporal no deserto
A chuva cai sobre mim
Molhando meus cabelos
Grudando na pele até o fim
Abro os braços e fecho os olhos
Ouço sua voz mais perto
De repente, um silêncio...
Viro para olhar
Não é mais sua sombra a me seguir
São seus lábios meu mar
Beijando-me sem pedir...

Helen De Rose

*Lançamento 20/06/15 - CBJE - Rio de Janeiro.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Distinção Honrosa




Olá meus queridos! É com grande alegria no coração que venho compartilhar esta Distinção Honrosa:

Prezada escritora
Helen de Rose

Com grata satisfação informamos que o seu nome, indicado pela presidência da Mesa Diretora do 1º Colegiado de Escritores Brasileiros, da Litteraria Academiae Lima Barreto, foi aprovado para ocupar uma cadeira no Plenário de Acadêmicos Titulares desta Casa.

Esta casa literária, fundada em 1949, inspirada nos ideais do seu patrono Lima Barreto, terá o maior honra em ter você como colega de Plenário..

Saudações acadêmicas,
Luiz Carlos Martins
Presidente

Litteraria Academiae Lima Barreto
1º Colegiado de Escritores Brasileiros

www.lalb.com.br

***
Eu agradeço a Todos que me ensinaram, incentivaram e deram oportunidades para o meu aprendizado e possibilidade de mostrar minha escrita. Não vou citar nomes, porque todos são importantes para mim. Muito Obrigada!

Helen De Rose, filha de Josete Dante e Orlando Cornachini.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Gota de sangue



Há uma gota de sangue 
saindo dos olhos do coração 
e um soluço pulsante 
em cada palavra órfã 
da humana transformação.

Há uma gota de sangue 
manchando a menina da visão 
e um silêncio falante 
em cada lápide vã 
da sagrada mistificação.

Há uma gota de sangue 
desvirginando a pura emoção 
e um sabor lacrimante 
em cada sílaba irmã 
da profana consagração.

Há uma gota de sangue 
assustando o som da audição 
e um horror estimulante 
em cada verso no divã 
da sacana santificação.

Helen De Rose

*Lançamento 20/05/15 - CBJE - Rio de Janeiro.



terça-feira, 5 de maio de 2015

Olhar eterno



Quando os olhos procuram pela terra,
um ser que deseja outro ser amado,
os anjos voam pelo céu azulado,
ouvindo a voz que a alma encerra.
Uma luz acende sem demora
iluminando o ventre do destino, 
enquanto o Universo repica o sino
ao conspirar o dia e a hora.
De repente, olhares se cruzam
e dois corações fazem a festa,
iguais aos pássaros na floresta,
felizes enquanto os dias duram. 
Da alma nasce o amor fecundo,
do brilho dos olhos um suspiro,
os anjos no céu dão um giro,
cantando louvores ao mundo.
Então, a cada gesto, o amor cresce
brinca igual criança inocente,
descobrindo-se na vida presente,
enquanto a alma rejuvenesce.
O perfume da juventude deseja
e rompe o íntimo da mocidade,
o amor ganha maturidade,
na união que o tempo almeja.
Por toda vida, o gesto terno
do amor puro se alimentou,
uma só carne se fez, se entregou
na ventura de um olhar eterno.


Helen De Rose

*lançamento 20/05/15 - CBJE - Rio de Janeiro.



quarta-feira, 29 de abril de 2015

Mulher de costas


Aos olhos
De frente 
Uma incógnita
Mostrada pelo verso 
Das costas
Seminuas 
Convidativas. 
Aos olhos
Da carência
Afetiva
Uma cilada
Quase explícita
Sem ser revelada
Que excita
Qualquer olhar
Pagar para ver
O que esconde
Uma mulher
De costas

Helen De Rose


*Lançamento em 20/04/15 - CBJE - Rio de Janeiro.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Serenata para um anjo de mármore


Um violino ao fundo acompanha suas lágrimas
cristalizadas na superfície fria de sua mão
cobrindo seus sentimentos de saudade
num gesto inconsolável da sua visão
Seu corpo descansa sobre as asas
debruçadas sobre a lápide silenciosa
enquanto a noite entoa tristes serenatas
nos matizes azuis da Lua prateada
É a morte que cai sobre a vida
arrancando cada sinal de existência
e a dor é entregue pelas mãos do vazio
que deixa o silêncio da voz nessa renitência
Um violino sobrenatural continua a fluir
para quem deseja ouvir seu lamento
muitos ainda virão olhar a sua despedida
aliviando sua alma do eterno esquecimento

Helen De Rose

*Lançamento em 20/04/15 - CBJE - Rio de Janeiro.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Sonata pra Lua em Sol menor


O Sol distancia sua luz das veredas,
As veredas seguem suas imagens,
As imagens se deitam nas alamedas,
Nas alamedas que se vestem de paisagens,
Paisagens de teias e fios de sedas,
Tecidas pelos sonhos de suas paragens.

- Por que tem que ser assim?
- A Lua tão longe de mim?
Diz um triste Arlequim,
Olhando o dia que já caminha pelo fim,
Pensando na sua saudade, segurando um jasmim.

Enquanto ouve uma sonata meã:

Há que se ter uma linda manhã,
Uma Colombina Helena pagã,
No seu deleite mais afã,
Comendo uma vermelha maçã.

O Arlequim admira a Lua e suspira,
Ao lembrar-se do rosto da sua amada,
Acena para o Sol no menor sinal da sua pira,
Abrindo passagem para esta noite encantada.

De um Arlequim apaixonado por sua saudade,
Ouvindo uma sonata pra Lua, renascida
No ventre da noite em divina claridade,
Enquanto chora pelo Sol, em sua partida.

Helen De Rose

*Lançamento 20/03/2015 - CBJE - Rio de Janeiro.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Genuflexão



Ego genuflexo
Temente da humildade
Joelho dobrado, manipulação
Do manual prático
Da adoração egocêntrica
Água benta aspergida
Nos braços em louvação
Para o profano sacramento
Da Arte
Em manifestação

Em nome do Pai
Do Filho
E do Espírito Santo
Amém.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/03/15 - CBJE- Rio de Janeiro


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