segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Homem de Negro












Homem de Negro,
Seu olhar é uma bala perdida
Penetrando certeira no meu coração sangrando
Escorrendo pelo meu ventre um rio de prazer na ida
Liquefação!

Homem de Negro,
Sinto você chegando pelo seu cheiro
No cio dos seus desejos pelos meus lábios secretos
Na ânsia de querer desvendar meus mistérios inteiros
Condensação!

Homem de Negro,
Na alcova do meu leito, o sereno da noite se faz presente
Vem saciar meus prazeres sexuais, insanos e profanos
Sentir os lençóis umedecidos com seu suor consequentes
Ebulição!

Homem de Negro,
Sua mente comanda os impulsos dos seus desejos
Revelando no seu membro o que deseja de mim
Sou sua escrava amante, acorrentada pelos seus beijos
Evaporação!
*
Helen De Rose
*
*O Panorama Literário Brasileiro é um documento histórico. Ele registra os melhores trabalhos inscritos para as seletivas da CBJE a cada ano, segundo avaliação do Conselho Editorial da CBJE/RJ, e também - tal como ocorre desde 2004 - segundo a opinião dos leitores. "Homem de Negro" foi selecionada entre as melhores poesias de 2009. Lançamento em Dezembro.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um Beija-flor no jardim da infância













Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele se admira nos reflexos dos orvalhos das pétalas das flores

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele olha com plenitude as curvas e as texturas das cores

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele sente a fragrância doce que as flores exalam

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele beija a silhueta dos cones amarelos fertilizando as flores que se amam

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele se alimenta com o néctar servido no cálice da essência

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele sacia seus desejos em poucos segundos num infinito êxtase da inocência

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância
Ele sabe que seu contentamento está no sabor de cada sonho realizado por uma criança

Quando um beija-flor passeia no jardim da infância...

Helen De Rose

Nas mesmas mãos que traz o sonho e escreve a obra, o universo manifesta a sua presença através da Luz da Boa Vontade, conspirando a favor de todos aqueles, que levam em sua mente o intento da solidariedade. Aos poetas e todos aqueles que acreditaram neste sonho, meu respeito e admiração.

*Antologia destinada a ajudar uma Instituição de Portugal.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Poeta e o Flamboyant








Mais um dia
Anuncia o amanhecer
Por entre as folhas
De um centenário flamboyant
Que recebe as andorinhas felizes
Anunciando a chegada do sol
Iluminando suas flores vermelhas
Em estações perfumadas de primaveras
E, conforme o dia vai seguindo
As sombras dos galhos vão dançando sobre
A relva verde onde o poeta descansa
Seus pensamentos na poesia
Sentado num banco qualquer
De um jardim suspenso
À beira da estrada em terras
Onde o samba é carioca

Ainda há uma palavra aprisionada
Em seu coração
Ainda há um nó na garganta
Revelado pela lágrima na sua face
Que não foi desatado
Pelo seu sorriso

Seu olhar atravessa o horizonte
Da vida momentânea
E transcende suas limitações
Num deixar fluir das suas emoções
Então, o poeta
Liberta a sua voz nos versos
Em procissão
Nestas serenatas de amor
Que o dia encerra
Em sua salvação

Mais um dia
De sua sutil existência
Do que lhe é mais importante
E preenche seu silêncio
Sua singela poesia

O poeta tira dos seus pensamentos
O som do seu sentimento
Mais profundo e mudo
Para permanecer nas palavras
As divagações das suas saudades
De um lugar distante
Onde apenas seu olha alcança

E, a vida segue naturalmente
Deixando as marcas do tempo
Nos passos tatuados pelo chão
Nos versos escritos pela mão
Do poeta solitário
Consagrando sua passagem pela jornada
Nas folhas escritas
Sob as sombras de um centenário flamboyant

Helen De Rose



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

No outono da sua vida, teci seus sonhos...


O arco-íris reflete seus matizes nos fios desse rico tecido
Iluminando seu sorriso-menino diante dessa singela margem
Trago comigo os elfos, mensageiros de sons embevecidos
Chamando pelo seu nome no convite dessa sublime viagem

Sobre a seda vou tecendo nossa liberdade nas asas dos pássaros
Esperando que o pôr-do-sol aqueça nosso ninho, nosso caminho
Nos labirintos que o destino nos fez encontrar nossos passos
Almas gêmeas bordadas em suaves tons em tecidos de linhos

Mergulho sobre o manto azul dos seus sonhos em desalinhos
Alinhavando meu nome no pulsar imaginário do seu coração
Renasço na sua alma com a inocência dos seus gestos e carinhos
Bailamos diante do eclipse do sol com a lua nessa agridoce emoção

Quando a noite vem, passeamos abraçados sob um prateado cetim
Iluminados pela Lua e as estrelas, serenando no calor da nossa união
Canções da noite alimentam nossos sonhos nas harpas dos querubins
Deitamos na relva tecida pela natureza, fertilizando nossa paixão

Vou te envolvendo com meus fios de prazer e tu vens pra mim
Sentindo nesse momento a realização dos seus sonhos de amor
Canções tecidas em suaves sedas azuis por existências sem fim
No outono da sua vida, teci os fios dos seus sonhos de honor

Helen de Rose

*lançado em julho/2009 - na Semana do Escritor em Sorocaba/SP


Uma sombra perfumada de mulher











Era um quarto fechado pelas mãos de um homem ciumento...

Ela estava nua, caída entre a cama e a porta, tentando se cobrir com os lençóis rasgados durante a madrugada. Limpava o sangue que escorria do canto dos seus lábios e as lágrimas que se misturavam com sua respiração.

Ainda conseguia lembrar do quanto se entregou para aquele homem, como um objeto de uso do seu prazer dominador. (Toda vez, ele amarrava as mãos da sua amada na cabeceira da cama, para sentir ainda mais desejo por ela).

Diante de uma janela com grades de ferro, ela olhava o infinito de um horizonte distante de suas mãos. Sua sombra no chão perfumava o quarto com seu cheiro mais íntimo, enquanto o Sol penetrava na sua pele delicada, marcada por manchas roxas deixadas ali, no seu pescoço frágil.
Seus olhos ansiavam apenas por liberdade e, buscavam naquela paisagem, um vôo solitário de uma ave qualquer, que tivesse asas para ir onde quisesse ir. Para terras distantes dali, daquele quarto escuro e solitário. Imaginava-se correndo pela praia, pelos campos verdejantes colhendo flores silvestres, observando cada detalhe que pudesse ver, respirando a liberdade de cada amanhecer.

Ela era uma mulher que, apesar de tudo, ainda conseguia sonhar e ter esperanças de dias melhores para si.

E o tempo passou...

As águas dos rios fluíram e correram para os oceanos através das correntezas, as chamas queimaram, mas um dia, apagaram-se e viraram fumaça, o ar não encontrou mais a respiração e o corpo foi jogado num buraco, a sete palmos do chão, coberto pela terra...e, o metal que uniu, foi desfeito pela morte. Seu homem se foi...

Hoje, ela está voando por vários lugares, perfumando com sua sombra, a liberdade desejada por todas as mulheres.

Voe! Voe Mulher! Voe para além da linha do seu horizonte!

Helen De Rose

*lançado em junho/2009 - Livro de Ouro do Conto Brasileiro - Edição 2009 - CBJE - Rio de Janeiro


Mulheres na alcova













Mulheres uniformizadas pela religião
Salto alto e vestido de missa
Tirados do armário da sua submissão
Véu de renda branco avisa
Que o terço está na outra mão
E todos os seus pudores na brisa
Saída do perfume do seu tesão.

Mulheres domesticadas em comunhão
Caminham em fila para o altar
Na visão da mente em procissão.
Muitas vezes, ao caminhar
Cada uma deixa aparecer no vão
Por baixo da bainha, empinar
Sua fabulosa cauda em ascensão
Tão selvagem quanto seu amar
De alma faminta, não de oração
Mas, de um espírito no ar
Da sua própria natureza e compreensão
Latente no seu âmago um respirar
Feminino, adormecido no seu coração
De fêmea que vive a sonhar
Com uma verdadeira paixão!

Helen De Rose



*lançado em junho/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

Eu conheci Benjamim










Benjamim era um menino de 8 anos, que certa vez eu conheci, trabalhando de voluntária, aos 15 anos de idade, na pediatria da Santa Casa de Presidente Prudente-SP, perto de minha casa.
Ele não falava, mas, comunicava-se com gestos e ações. Não tinha cabelo, porque estava fazendo tratamento de quimioterapia e, por causa disto, todos chamavam Benjamim, carinhosamente, de “Kojak”, por causa de uma série da TV.

Meu trabalho era dar recreação para as crianças que estavam internadas na pediatria. Todo dia pela manhã, eu chegava ao refeitório, quando as crianças estavam terminando o seu café da manhã, para poder iniciar as atividades com brinquedos, desenhos, massinha de modelar, jogos e pinturas..

Mas, comecei a notar que Benjamim sempre estava debaixo da mesa, comendo escondido das crianças, parecia ter medo. Fiquei tão tocada por aquela atitude dele que, automaticamente, lá estava eu, sentada debaixo da mesa também, tentando ajudá-lo. Comecei a chamá-lo pelo seu nome: Benjamim. No início, ele parecia ter medo de mim ou algum receio de estar ali com ele na mesma situação, sentada no chão.

Com o tempo ele foi se habituando comigo e eu brincava com ele debaixo da mesa mesmo.
O primeiro passo foi começar a brincar com ele, longe da mesa, no chão. Ele foi aceitando a idéia. Depois fui mostrando pra ele, que era legal sentar na cadeira, brincávamos com as cadeiras como se elas fossem “um trenzinho”, colocadas em fila uma atrás da outra. Benjamim sorria, pois ele era “o maquinista”, o que ia à frente de todas as crianças. Com o tempo Benjamim, aprendeu a comer sentado na cadeira, junto com todas as crianças, fazendo parte da mesa das refeições.
Semanas depois, ele me surpreendeu. Antes das crianças sentarem para o almoço, ele afastou todas as cadeiras da mesa. No intuito de querer ajudar todas as crianças que estavam com soro e pedestal. Meus olhos ficaram paralisados vendo a atitude dele. Era uma vitória pra ele e uma realização pra mim.

Todas as manhãs, quando eu chegava para a recreação na pediatria, ele vinha me abraçar e, eu dizia brincando no seu ouvido:

-Benjamim, beija mim!!

Ele sorria e beijava minha face. Meus olhos ficavam marejados com o seu sorriso. O meu dia já estava ganho com certeza!

Não sei onde está Benjamim agora, mas, sei o quanto ele me ensinou com seus pequenos gestos.

Sou agraciada, eu conheci Benjamim!!

Helen De Rose

*lançado em maio/2009 - CBJE - Rio de Janeiro


Olhai os mananciais dos sonhos













Os meus pensamentos me levaram nesta viagem sem destino...

Caminhos erguidos por eucaliptos envolvidos por brumas, anunciando o crepuscular vespertino, num extremo peninsular do ocidente.

Encontrei um jardim onde três ninfas, guardiãs das fronteiras entre o dia e a noite, brincavam de pintar o céu, com a luz avermelhada da tarde, colorindo a Deusa do seu Esplendor num horizonte perdido.

Adiante, vi uma construção antiga, abandonada pelo tempo, com várias janelas e grades enferrujadas, com limbos tomando conta da pintura umedecida pela garoa fina, que começava a cair nessa tarde de outono, preguiçosamente fria pelo vento, que ia varrendo as folhas caídas nos gramados, formando redemoinhos vivos. De repente, uma luz surgiu de uma lamparina, iluminando o rosto de um homem solitário, olhando atentamente nos meus olhos, através de uma das janelas da frente da construção antiga. Seu vulto era de um homem alto, de porte largo e cabeça raspada.

Antes de subir as escadas da porta de entrada, olhei para meu lado direito e vi um largo gramado verde, onde um cavalo branco, selvagem, corria livremente por todos os lados. Voltei meus olhos para o rosto do homem e vi lágrimas correndo em sua face. Senti um calafrio. Apontei meu dedo indicador para a porta e ele sumiu da janela.

Em segundos, a porta se abriu e o homem segurando a lamparina numa das mãos, tremia, demonstrando uma misteriosa emoção. No bolso da sua camisa, havia uma foto, puxei para ver, e era de uma mulher grávida. Ele não esboçava nenhuma palavra, apenas olhava cada gesto meu. Com o vento, uma porta dos fundos começou bater, então ele se apressou em fechá-la, percorrendo um corredor enorme, com o piso de tijolos e com portas dos dois lados. Segui seus passos até o fim do corredor, quando a porta se abriu com o vento, vi um quintal repleto de lápides, túmulos antigos, onde várias pessoas foram enterradas ali. O homem olhou nos meus olhos com receio e segurou meu braço, impedindo que eu fosse até lá. Neste momento, três Deusas guardiãs do éden e do mundo subterrâneo surgiram de um pomar de árvores mágicas de onde nasciam Pomos de Ouro. Elas iam limpando e enfeitando as lápidas com maçãs e flores místicas azuis. Depois correram para um lago, atrás do pomar e, mergulharam nuas, desaparecendo nas águas turvas, no meio das brumas silenciosas. Por alguns minutos, prendi minha respiração, para tomar coragem...Voltei meus olhos para trás e ofereci a mão para o homem misterioso. Então, seguimos em direção a primeira lápide de mármore. Nesse instante, olhei para minhas vestes e elas se transformaram no meu corpo. Surgiu uma saia longa negra e um corselet vermelho, meus cabelos ficaram mais longos, como se eu estivesse atravessando uma ponte entre o presente e o passado. Diante de nós, uma estátua de anjo Serafim surgiu em frente de uma cruz de madeira e do seu lado repousava o cadáver de uma mulher, coberta por flores de jasmins e borboletas coloridas, envolvida por uma luz de matizes azuis, fosforescendo sua camisola branca.

O homem ajoelhou-se em prantos diante dela e pronunciou algumas palavras:

“- Minha Amada Imortal!
Quanta saudade eu sinto em meu coração!
Eu pensei que nunca mais fosse lhe ver!
Diante do silêncio do seu corpo,
Eu sou o Sol sem a luz,
O vento sem as folhas,
A água sem a nascente,
A terra sem a semente,
Um barco perdido em alto mar...”

E...,
Presenciando este encontro solene,
Sentei sobre a lápide de mármore
E chorei...
Pois, para minha surpresa, aquela mulher trazia em seu rosto, os traços da minha face.


*publicado em maio/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

Glosa: Eu quero um amor pra vida inteira










Mote: “ Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder... pra me encontrar...”
(Amar – Florbela Espanca)

Eu quero um amor pra vida inteira,
Trazido pela Lua dos enamorados.
Brilhante como as estrelas dos amados,
Um lindo beija-flor na minha roseira,
Saboreando a maçã desta macieira.
Um verdadeiro amor pra me encantar,
Igual ao poeta romântico a versejar,
Fazendo de mim, sua única amada.
Que seja a minha noite uma alvorada
Que eu saiba me perder... pra me encontrar...

Lá detrás dos montes, onde vive a esperança,
Existe um amor perdido em sonhos de vinho,
Tentando me encontrar neste sutil caminho,
Onde as palavras se fortalecem na bonança,
Alegrando a alma como sorriso de criança.
Que eu saiba me perder...pra me encontrar...
No coração daquele que me deseja amar.
Que seja a minha noite uma alvorada,
No íntimo do seu corpo, alma ensolarada!
Até o infinito, onde repousam as águas do mar.

Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder...pra me encontrar...
No oceano desse amor, eu desejo mergulhar,
Admirando seu coração abissal na jornada,
Até os confins da nossa existência encantada.
Que seja o meu amanhecer uma breve eternidade,
Por encontrar você, perdido nessa humanidade.
Encontrando seus olhos me perdi no seu sorriso,
Igual dia de chuva, estava procurando um abrigo,
Encontrei-me inteira nas asas da sua liberdade.

Helen De Rose


*publicado em maio/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

O Caso Dália Negra

Elizabeth Short














Ela pretendia ser artista de cinema, com traços marcantes e olhos verdes expressivos, usava sempre uma dália negra enfeitando seus cabelos. Quando conheceu um médico que tratava dos artistas de Hollywood, e começou a se relacionar com ele. Este médico cirurgião, também jornalista, interessava-se desde pequeno por notícias de violência, pela arte surreal, por fotografia e queria ser reconhecido pela sua genialidade. Mas, ele se apaixonou por ela e, num determinado momento, seu ciúme foi tão incontrolável que fez da sua amada seu crime mais famoso.

Ela foi encontrada num terreno baldio, totalmente, nua com uma dália negra enfeitando o cabelo, cortada ao meio, na altura da segunda e terceira vértebra lombar, com os braços cuidadosamente colocados em forma de chifres, com marcas brutais de tortura. Enquanto a policia tentava desvendar o caso, que ficou conhecido como "O Caso Dália Negra", o médico e jornalista enviava, anonimamente, cartas feitas com letras recortadas de revistas, para a policia encarregada do caso, dizendo que eles não tinham capacidade intelectual para resolver este caso. Na verdade, ele queria ser reconhecido por sua "obra de arte". A polícia sabia que se tratava de alguém que sabia as técnicas cirúrgicas, pela forma exata como a vitima foi cortada ao meio; sabia que a forma pela qual ela tinha sido cuidadosamente deixada naquela posição, tinha uma significação. Mas, depois de muito tempo de investigação a polícia abandonou o caso por falta de suspeitos e provas que identificassem o criminoso. O caso ficou famoso, pela brutalidade e inteligência de quem o cometeu.

Anos mais tarde, esse mesmo médico se casou e teve um filho, o menino cresceu e se tornou investigador policial, enquanto que o pai veio a falecer depois. O filho do médico que havia cometido o crime mais misterioso da história policial, ficou interessado em saber sobre este caso. E quando olhou a foto da vítima, o rosto marcante daquela mulher, lembrou-se que já havia visto o rosto dela em algum lugar. Pensou: - Esta atriz é do tempo do meu pai... E começou a procurar nos pertences deixados pelo seu pai, se encontrava algo sobre ela. Quando curiosamente encontrou a foto dela, dentro da carteira de anotações do seu pai. Era uma foto íntima dela. Então ele começou a investigar que ligação poderia ter tido o pai dele com a vítima do Caso Dália Negra.
Aos poucos o filho do médico foi descobrindo os passos do seu pai, as pessoas que tiveram contato com ele como médico, jornalista e fotógrafo. E, de fato, ele teria conhecido a vítima numa das festas proporcionadas por artistas de Hollywood, pois o médico tinha prestigio entre os artistas que tratavam com ele. Descobriu também que seu pai tinha amizade com um artista surreal da época, que tirava fotos surreais e dentre tantas fotografias, encontrou uma que lhe chamou a atenção: um corpo nu de mulher, cortado ao meio, com os braços abertos em posição de chifre, numa alusão surreal do Minotauro (*é uma figura da mitologia Grega, com cabeça e cauda de touro num corpo de homem, esta criatura habitava um labirinto na Ilha de Creta, levando medo e terror aos moradores, pois devorava as moças virgens, que eram deixadas no labirinto, com o propósito de acalmar a ira do monstro). Exatamente como a vítima foi encontrada no terreno baldio.

O filho do médico não tinha mais dúvidas, seu pai era o assassino que todos procuravam, e por força do seu ímpeto de investigador, havia encontrado todas as evidências.

Como profissional, levou todas as provas que tinha em mãos, ao conhecimento da Justiça Americana, de forma sigilosa para não comprometer a figura do seu pai, pois ele já tinha falecido e não poderia mais ser processado ou confessar o crime. Diante de tantas provas que levavam para o criminoso, a documentação foi toda guardada pela Justiça. E, depois de alguns meses, o investigador vendo que não tinha nenhuma resposta da Justiça, procurou pela documentação do caso e constatou que todos os documentos que ele havia entregado, desapareceram misteriosamente. E, o Caso Dália Negra continua até hoje, arquivado, sem provas o suficiente, sem identificar o verdadeiro assassino.


*publicado em abril/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

*Este conto não é resenha do filme, não assisti o filme. Este conto foi inspirado por um documentário que eu assisti no canal Discovery, sobre este caso. Agradeço os comentários.

Helen De Rose


Homem de Negro













Homem de Negro,
Seu olhar é uma bala perdida
Penetrando certeira no meu coração sangrando
Escorrendo pelo meu ventre um rio de prazer na ida
Liquefação!

Homem de Negro,
Sinto você chegando pelo seu cheiro
No cio dos seus desejos pelos meus lábios secretos
Na ânsia de querer desvendar meus mistérios inteiros
Condensação!

Homem de Negro,
Na alcova do meu leito, o sereno da noite se faz presente
Vem saciar meus prazeres sexuais, insanos e profanos
Sentir os lençóis umedecidos com seu suor conseqüentes
Ebulição!

Homem de Negro,
Sua mente comanda os impulsos dos seus desejos
Revelando no seu membro o que deseja de mim
Sou sua escrava amante, acorrentada pelos seus beijos
Evaporação!

Helen De Rose

*publicado em abril/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

Um coração no oceano



Há algo misterioso no olhar

De uma mulher apaixonada
Como se ela conseguisse ver
As profundezas do amor
Nas areias que habitam
O leito virginal do coração
Do oceano


O coração de uma mulher

É um oceano profundo
Cheio de segredos
E, aquele que ousar desvendar
Esses mistérios da alma feminina
Descobrirá um tesouro valioso
Que jamais presenciou em sua vida
Na superfície marítima
Dos corações alienados e volúveis
Pois, não existem razões lógicas
Para decifrá-lo


Somente quem tiver a sensibilidade

De mergulhar seu coração nesse oceano
Deixando-se afogar sem medo e sereno
No leito cálido dessa profundeza abissal
Conseguirá ver os segredos que guarda
O coração dessa misteriosa mulher
Nas profundezas desse oceano



Helen De Rose



*lançado em Sorocaba em 28 de março/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Gladiador do Cabo de Bojador










Sua mente vem até mim
Nessa visão que me permeia
Sobre a vastidão dos seus sentidos
Agarrado ao timão dos seus raciocínios
Surge um gladiador
Navegando pelo Cabo de Bojador

Feche seus olhos diante desses abismos
E sinta as correntes marítimas a lhe guiar
Rasgue as sombras desses pergaminhos
Com a espada invisível que habita seu versejar

Afogando na sua alma esses monstros marinhos
No intransponível Cabo de Bojador
Sentindo sua verdade nos redemoinhos
Que alimentam sua força na dor

Gladiador! Gladiador!
O que há de mais valente?
Se, é seu corpo o seu maior desafio?
Que todos os dias da sua vida,
Você deseja transpor?

Helen De Rose

*publicado em março/2009 - CBJE - Rio de Janeiro

Ao som do bolero, uma fragrância no ar








Doce presença no ritmo dos pés
As mãos dançam no ar
E quando se encontram
Unem nossos sentimentos movidos

Nesse dois pra lá, dois pra cá...

Enlaça-me com seus braços
E num rodopiar leve e suave
Misturamos nossos desejos
Quando me envolve pelas costas
E segura minha cintura
Numa cadência envolvente
Do corpo, do coração e da alma
Sentindo a fragrância de jasmim
Do aroma que exala minha pele
Que só você pode inspirar assim
E bailamos ao som desse bolero

Nesse dois pra lá, dois pra cá...

Dançamos segredos só nossos
Entre passos clarividentes
Numa linguagem corporal
Que só você e eu entendemos
Nessa sintonia quântica astral
Ao som do bolero nada é proibido
Sou a dama que segue seus passos
Quando me conduz com seu honor
Você me envolve nos seus encantos
Desvenda minha alma feminina
E me faz Mulher!

Nesse dois pra lá, dois pra cá...

Uma fragrância fica no ar!

Helen De Rose


*publicado em junho/2008 - CBJE - Rio de Janeiro


O Escritor e a Deusa









Em algum lugar no tempo e no espaço...

Um Escritor viajou para uma cidade, onde ia acontecer uma tarde de autógrafos do livro que ele estava lançando.

Entre tantas pessoas que compraram seu livro, uma mulher lhe chamou a atenção. Ela tinha um olhar penetrante e misterioso, cabelos longos e ruivos,uma pele clara e lábios rosados, estava trajando um macacão preto, hermeticamente vestido, deixando à mostra os contornos perfeitos da sua silhueta, transbordando um perfume amadeirado.

O Escritor ficou tão intrigado e interessado em conhecer aquela mulher misteriosa, que depois de conversarem e ele autografar seu livro pra ela, convidou-a para ver seus outros livros que tinha deixado no hotel, onde se hospedava. Ela aceitou o convite sorrindo e olhando fixamente nos os olhos do Escritor.

Na hora marcada, a mulher misteriosa chegou ao hotel, trazendo na mão, uma garrafa de vinho tinto. Ela dirigiu-se a recepção para avisar da sua chegada e ficou esperando o Escritor no hall de entrada.
Quando o elevador chegou, saiu o Escritor, procurando ansiosamente por ela, e logo foi ao seu encontro, com um ar de satisfação . E ela lhe sorriu.

O Escritor educadamente convidou a mulher para entrar no elevador. Durante essa pequena viagem até o andar de cima, ele pediu pra ela tirar os óculos escuros da face, para ele poder ver os olhos fascinantes dela. Com um sorriso tímido e meigo, a mulher tirou os óculos e olhou nos olhos dele sorrindo, vendo a emoção brotando dos olhos do Escritor, como se ele estivesse vendo um ser irreal. Ele sentiu algo diferente e mágico naquele encontro de olhares.

Chegando ao andar esperado, ele abriu a porta do seu quarto, e os dois começaram a conversar espontaneamente. Ela deu o vinho pra ele, e ele disse que ia pedir duas taças, indo na direção da porta, mas aquela mulher misteriosa deitou na cama, como uma gata manhosa no cio... e ele, anestesiado com aquela cena encantadora, parou no meu do caminho e ficou olhando pra ela.

De repente, ela sentou na beirada da cama, olhando pra ele, e ele, numa atitude de devoção, ajoelhou-se na frente dela e não resistiu ao desejo de tocar seus lábios rosados e carnudos, tão bem desenhados. Selando seus lábios ao dela, roubou-lhe o primeiro beijo. E ela sentiu o desejo dele, como se fosse uma menina tímida.

Então o escritor, largou as taças no chão, deitou de costas na cama e ficou olhando para o teto, talvez pensando se aquilo era apenas um sonho. A mulher misteriosa sentindo o sinal de desejo do Escritor, começou a se mover em direção ao corpo dele, deitando-se sobre ele, num encaixe perfeito de côncavo e convexo. Muito delicadamente, ela o beijava ardentemente, como se cada beijo fosse mapeando a face daquele homem tão romântico.

Aos beijos intermináveis, cada peça de roupa, que um tirava do outro, ia sendo jogada pelo chão. E naquele momento, eles iam conhecendo cada sensação ao descobrirem-se como homem e mulher, como num "streep tease" sensual e sedutor .

Nesse instante de pernas entrelaçadas, os corpos suados deslizavam sobre o deleite sexual dos amantes. Corpos ardentes, que se misturavam aos lençóis da cama, ao som de gemidos e sussurros de prazer e intensidade.

O Escritor extasiado, aproveitando a volúpia daquele momento, de entrega total, foi entrando devagar na intimidade daquela mulher deliciosa, sentindo, à medida que ele entrava mais fundo nela, que ela fazia movimentos deliciosos, como alguém que sabia a arte do pompoar.

Ele simplesmente delirou!! – e olhando nos olhos dela exclamou:

- Você é uma Deusa!!! - Ela sorriu dizendo:
- Eu Sou???
- Sim, disse o Escritor, você é a Deusa dos meus poemas!!!!


***
De que poema ele estava falando??

Não sei...

Mas se fosse citar um, citaria:

"A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua costuma se embriagar
Nos seus olhos, eu suponho
Que o sol, num dourado sonho, vai claridade buscar
Minha rua é sem graça
Mas quando por ela passa
Seu vulto que me seduz
A ruazinha modesta é uma paisagem de festa
É uma cascata de luz
Na rua uma poça d'água, espelho da minha mágoa
Transporta o céu para o chão
Tal qual o chão da minha vida
A minh'alma comovida
E o meu pobre coração
Espelho da minha mágoa
Meus olhos são poças d'água
Sonhando com seu olhar
Ela é tão rica e eu tão pobre
Eu sou plebeu, ela é nobre
Não vale à pena sonhar" (Newton Teixeira/Jorge Faraj)


*publicado em junho/2008 - CBJE - Rio de Janeiro



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