segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Constelações


E quando tudo não estiver mais aqui
e as pessoas tiverem partido
deixando suas palavras 
em cada uma de suas pegadas.
Eu estarei preparando um lugar
para nos reencontrar...

E quando meu Anjo conseguir
voar para o coração de Deus
deixando em mim 
uma sensação de dever cumprido.
Eu estarei preparando um lugar
para nos reencontrar...

E quando a saudade apertar
veja as coisas boas que vivemos juntos
lembrando dos nossos sorrisos
dos momentos felizes da nossa curta existência.
Eu estarei preparando um lugar
para nos reencontrar...

E quando tudo isto que lhe digo agora
começar a ter algum sentido pra você
fazendo o seu coração pulsar mais forte
por motivos que só seus sonhos conhecem.
Eu estarei preparando um lugar
para nos reencontrar...

Um lugar só nosso
onde seremos mais unidos
pelo que somos,
onde tudo será iluminado 
pela luz do amor
que um dia nos fez melhor!

Helen De Rose

*Lançamento em 20/12/2011 - CBJE - Rio de Janeiro





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Coragem



Longa é a minha jornada, o percurso é desconhecido e nada é garantido.

Mil e uma são as incertezas e muitos são os imprevistos.

Mas, ainda assim, eu corro o risco, aceito o desafio, esforço-me; transponho todos os obstáculos que vou encontrando pelo caminho.

Sou como um barco furado no meio do oceano, a água vai entrando e eu vou tirando a água , até que meu barco resista o desafio, esperando pela ordem do destino, do barco mergulhar num oceano intemporal...

Sou como a semente que nasce no vão da rocha, luta com o solo, com as pedras, com a rocha.

De mim nasce uma pequena flor frágil que procura pela luz do Sol, sem saber para onde vou ou por que vou.

Eu só sei que tenho uma natureza guerreira e minha coragem para lutar diante dos desafios.

Sendo assim sigo em frente, até quando eu tiver forças para lutar.

Quando me defronto com alguma situação difícil, posso jogar minha decisão ou responsabilidade nas costas do outro ou enfrentar o desafio e crescer com minha coragem.

Eu prefiro decidir por enfrentar o desafio e vivenciar esse crescimento.

Não consigo deixar de lutar, não consigo evitar ou negar um desafio.

Os desafios estão tão presentes na minha vida diária, que tudo ficaria sem sentido se, não tivesse minha coragem ao meu favor.

Tudo que aprendi até hoje sobre coragem, foi-me transmitido sem nenhuma palavra.

Tudo foi transmitido através da coragem de minha filha Marina, em lutar por sua vida, para manter-se viva.

Minha filha, uma semente que se transformou em flor, no vão da rocha e passa por todos os desafios com seu exemplo de coragem. Com seu olhar expressivo dizendo-me o quanto deseja permanecer viva, é a mensagem mais preciosa que tenho guardada em minha visão.

Minha coragem nasceu da necessidade de ajudar minha filha a permanecer viva nesta jornada.

A coragem está em mim, está em você, está em todos nós. 

- Tenha bastante coragem de enfrentar os desafios diários!

Helen De Rose




segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Revival


O ar que respiro é livre
Diante do Sol de todos os dias
Minha visão, meu solo
Nascentes reaparecem
Dum lençol subterrâneo
Depois de um tempo
Escondidas
Meu corpo, minhas águas
Riachos em movimentos
Contornando as pedras frias
Um grito no vento
Uma bandeira erguida
Corre com meus pensamentos
Nas ruas sem saídas
Menina vestida de minissaia
Descalça, sem medo
De tomar chuva
De tomar certas atitudes
Meu costume despojado
Diante das respostas
Que mudam as perguntas
Minha alma, meus questionamentos
Nasci sob a luz de um ponto
Interrogação, era o nome dele
Palavras soltas
Sentimentos presos
O mundo também dá voltas
Para os enganos ledos
O passado não me detém
Num simples amém.


Helen De Rose


Dia 30/11 - Lançamento do Panorama Literário Brasileiro - Edição 2011. As melhores poesias de 2011. CBJE - Rio de Janeiro.
"Mais do que um livro, o Panorama Literário Brasileiro é um documento histórico. Ele registra as melhores poesias inscritas para as seletivas da CBJE durante o ano, segundo avaliação do Conselho Editorial da CBJE/RJ, considerando sempre - o que é próprio da CBJE - a opinião dos leitores. Este é o oitavo ano consecutivo em que será publicado, e temos certeza que reeditará o mesmo sucesso das edições anteriores.
Com esta Edição 2011, a CBJE concretiza ainda mais o seu objetivo inicial que é o de fazer fazer do PLB uma fonte definitiva de referência da nossa literatura contemporânea." CBJE




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma Mulher Vestida de Lua



Ela surge no horizonte,
Renascendo com o inverno
Do hemisfério Norte,
Passeando pelo crepúsculo
Que anuncia a gestação da noite.
Sobre os cabelos longos e negros,
Como a escuridão dos abismos,
Leva a coroa em forma de íbis,
Ave lunar da previsão e sabedoria.
Trazendo numa mão a chave secreta
Da porta da ressurreição,
Na outra mão o báculo Fênix.
Sobre o peito a cruz 'Ansata',
O símbolo da vida, o 'Ankn'.
Traz no seu ventre esotérico
O mistério do fluxo e refluxo,
Esperando o nascimento
Da criança dos filhos do poder.
Caminha prateando as brumas
De águas purificadas e cristalinas,
Acompanhada pelos cardumes
De cores carmesins formando
Os trígonos dos nove guardiões
Do apocalipse da humanidade.
Segue pelo caminho do reino
Até encontrar a vitória
Nos planos mais sutis
Da existência de um iniciado,
Na consciência física de todas
As esferas do sistema vital.
Na noite escura da alma
Sonda os fantasmas
Do inconsciente coletivo.
Quando termina a noite
No despir das suas vestes
Tecidas na Lua Negra,
Sobre os pés da mulher
Repousa um escaravelho sagrado
Que, como o Sol,
Volta das trevas da noite,
Renascendo de si mesmo
O Sol Nascente.


Helen De Rose




sábado, 19 de novembro de 2011

Estrela de Belém




Todos os anos, no Natal, o céu dá passagem
aos anjos e arcanjos da divina anunciação
as luzes das árvores enfeitam a paisagem
para ouvir as vozes celestiais dessa canção

Renovando todas as nossas esperanças
do nascimento do menino Jesus em Jerusalém
do bendito ventre de Maria, bem-aventuranças
sinalizam a passagem da Estrela de Belém

Eis que um pequenino Rei dorme na manjedoura
formando um singelo altar na casa das famílias
vivificando a união de uma alegria vindoura
como se todas as mães benditas fossem Marias

Nos braços da paz, o Natal possui o encantamento
do renascer do menino Jesus em nossos lares
unificando nossa alma com amor e puro sentimento
num único coração universal de todos os lugares

Nas mãos trazemos incensos e singelos presentes
iguais aos três Reis Magos seguindo a tradição
de presentear o renascimento de nossos entes
provando a autenticidade dessa transmissão

Bendita seja a misericórdia divina!
Bendita seja as gerações que olham a Estrela de Belém!
Já sabemos o quanto nossa alma é pequenina
diante do nascimento do menino Jesus. Amém!

Helen De Rose



*Lançamento em 20/11/11 - CBJE - Rio de Janeiro






sábado, 12 de novembro de 2011

O Leite Derramado









A chuva continua a cair sobre mim
Enquanto pessoas correm por todos os lados
Tentando se proteger dos tremores
Espalhados pelas esquinas sem saída
Dos extremos percorridos pela visão
Nessa pequena distância
Entre a janela da alma e o chão
Onde o leite derramado
Não retorna pra jarra do coração

A vida é muito mais!
Não depende da nossa opinião
Cada um tem o que merece
Na sua infinita aflição
Seguindo os conceitos fanáticos
Da religião
Retiramos o lacre da granada
Escondida em nossa mão

Eu confesso! Juro!
Arranquei as asas de um anjo
Caído num jardim morto
Destruído
Pelas cinzas de um vulcão
Ativado pelo terrorismo
Indelével
Da falsa manifestação

Estamos todos uniformizados
Identificados por números
Numa sequência em série
Fantasiados pela criação
Presos num velho guarda roupa
Fechados pelas chaves
Guardadas no bolso da camisa
Do universo
Enquanto dá sua última cartada
No seu jogo de blefar

Mas,
Eu pensei que fosse apenas um sonho
Uma breve eternidade da ilusão
Numa tela líquida e surreal
Da minha imaginação...

Estou olhando minha consciência
Estou despertando para a realidade
Estou encontrando minha existência
Em cada face deformada pela falsidade

Estou tentando não perder minha religiosidade(?)...

Eu falei demais!


Helen De Rose



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Muso


Os teus sonhos
dormem nos meus.
Bebo a chuva
que cai do teu telhado,
da tua mente, meu sonhador, peregrino.

Sou as linhas
onde tuas asas pousam
para ouvir o pulsar
dos meus versos
que esperam por ti
em cada folhear. 

Tu és o navegador
dos meus oceanos
quando encontra os caminhos 
com minha nau, submerso
domina meu leme,
até me levar ao teu portuário.

Todas as manhãs
bebo do teu sabor
do encanto estranho
vindo da noite
dos teus sonhos.
Suave presença.
Ser alado,
meu 'muso' que passeia nos meus versos.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/11/11 - CBJE - Rio de Janeiro




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eu vejo Você!









Quem fez a noite e as escrituras
Pensou numa forma de ficar
Diante da sua criação e criaturas
No alto do céu uma marca de olhar


Vejo a sua onipresença
Em tudo que nos deixou
Por isso sempre digo essa sentença:
- Adonai! Eu sou o que eu sou! Avatar!

Vejo a sua onisciência
Em cada despertar de alma
Nos humanos de consciência
Revelando segredos nas linhas da sua palma

Vejo a sua onipotência
Na grandeza dos Universos
Sem conseguir dimensionar a existência
Nesses meus pequenos versos

Só pode ter sido o Início
Só pode ter sido o Fim
Daquele que criou todas as coisas
Criou a Lua olhando pra mim!


Helen De Rose


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Hóstia negra


O ritual inicia-se
com profanação,
uma blasfêmia
cantando o luto,
ofertando pó
para voltar ao pó.
No altar,
uma vela preta
derrama o choro
da sua luz,
no momento
da consagração,
quando a fé
ajoelha-se diante
da hóstia negra.
Sozinho,
sobre um lençol,
um corpo padece
os calafrios
e alucinações
do êxtase
que toma conta
de suas entranhas,
perdendo todos
os sinais vitais.
A morte é um farol
que procura na imensidão,
a visão
de quem deseja
a destruição.



Helen De Rose


*Editora CBJE - 20/10/2011- Rio de Janeiro




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Chão de Giz


Sentimentos soltos no ar...
Minhas asas pousam na saudade do seu olhar
Vejo, numa miragem, os jardins suspensos da Babilônia
Pelas calçadas dessa paisagem surreal
Caminho por um chão de giz
Com todas as fotografias da sua vida
Espalhadas pela alameda dessa esperança
Enfeitada com seus poemas de amor
Jogo confetes para o céu
Fazendo chover em cima do seu nome

Solto fogos de artifícios
Desenhando cascatas para decorar a Lua cheia
Neste instante, você é meu grão-mestre
Fazendo plantações de orquídeas azuis
Para me presentear em todos os anos
Nos meses de outubro, na Lua azul
Buscando-me como uma entidade egípcia
Pelos desertos da sua solidão

Abandone sua camisa de força
E, vista-se de Vênus nessa alfombra de algodão
Nessa noite, serei sua Isis na íris do seu olhar
Antes, tire o véu que cobre o meu olhar
Para consagrar nosso amor
Meus lábios estarão decorados com cerejas
Para adocicar seu coração pulsando em mim
Sinto você em mim! Vivo! Vivo!
Como se eu fosse uma rosa orvalhada nas manhãs
Despetalada por suas mãos
Sou sua dádiva...
Sou sua foz...
Sou sua amada...
Sou tudo o que desejar...
Estarei contigo por onde seu coração me levar...
E, quando a sua saudade for demais, traga seu coração
De volta pra mim...
Porque eu sempre vou te amar...


Helen De Rose



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Rosa dos Ventos



Nas idades, muitas amizades
Amigos do passado, no presente
Chuvas de verão, mocidades
Repetem-se numa estação
Onde a roda viva sente
As lembranças do coração.

Na rosa dos ventos,
A felicidade sem nome
Busca por um sorriso
Em voltas de renascimentos
Alimentando sua fome
N'árvore da vida do paraíso.

Momentos inesquecíveis
Não precisam de identidades
Permanecem na alma liberta
Voando sobre oceanos invisíveis
Onde alegrias são divindades
Protegendo cada direção deserta.

Momentos que não voltam mais
Tempos onde éramos felizes
E a felicidade nos conhecia
Por nossos cartões postais
Sentimentos inocentes , aprendizes
Afinidades que cada um sentia.

Helen De Rose

*Lançamento em Outubro/2011  - CBJE - Rio de Janeiro




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

As madrugadas nascem nas manhãs


Meia noite e um segundo,
No meu quarto solitário,
Iluminado por um candeeiro,
Com sete chamas de velas azuis.
Da cama, olho para a janela.
Relâmpagos clareiam o veludo negro do céu,
Anunciando outra tempestade de verão.
O vento envolve a cortina branca de voal,
Balançando o 'senhor dos ventos',
Pendurado no teto.

O sono não deseja descansar,
Na madrugada da minha alma.
Os trovões reviram meu ventre morno,
Por entre os lençóis floridos de margaridas.

Como uma sonâmbula, vou até a janela
Para sentir a liberdade do vento,
Tocando em minha face porcelana,
Acariciando meus cabelos longos.

Neste instante,
Ouço tua voz me chamar,
Deixando um sensível eco
Nos meus ouvidos.

Enquanto as madrugadas nascem nas manhãs,
Eu sigo a te procurar nas noites da minha alma,
Neste meu sonambulismo,
Até encontrar o portal dos teus sonhos.
Então,
Tua mão segura a minha,
Mostrando toda a paisagem
Que existe em teu coração.

Oh! Madrugada dos amantes!
Guia-me até o teu sol nascente!
Nesta noite que termina sem meu amado.
Ilumina o lugar que nos espera,
E que ninguém mais pode ir,
Somente,
Os olhos do nosso coração.

Enquanto as madrugadas nascem nas manhãs,
Eu ouço tua voz me chamar...

Helen De Rose





segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ave, Cheia de Graça!



Ave, cheia de graça!
Deus onipotente esteja convosco
Bendita sois entre as mulheres
Bendito é o fruto do vosso ventre
Diante do seu portal de luz
O nascimento do menino Jesus!
Ave, cheia de graça!
Deus onipresente esteja convosco
Bendita sois entre as mulheres
Bendito é o verbo que se fez carne
Diante dos vossos olhos e da sua luz
A vida missionária do homem Jesus!
Ave, cheia de graça!
Deus onisciente esteja convosco
Bendita sois entre as mulheres
Bendito é o seu sofrimento de mãe
Diante do calvário do seu filho na cruz
A morte salvadora do Mestre Jesus!
Ave, cheia de graça!
Pai, Filho e Espírito Santo esteja convosco
Bendita sois entre as mulheres
Bendito é a sua aceitação e glória
Diante do reino da vida eterna e da luz
A ressurreição crística do Senhor Jesus!
Ave, cheia de Graça!
Rogai por nós, filhos humanos
Agora e na hora de nossa passagem
Para a vida eterna, ao lado do Rei Jesus!

Amém.


Helen De Rose


*Lançamento em setembro/2011 - CBJE - Rio de Janeiro




terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ao Filho do Universo

Meu filho e eu










Dedicatória          

Ao Filho do Universo

Atibaia, 30 de agosto de 1990.

Mãe da Terra,

Hoje, estou entregando Meu filho em seus braços, para que cuide e zele por ele.
Estou lhe concedendo o direito de ser mãe, como concedi à sua mãe quando você nasceu.
Todos os primeiros anos de vida desse filho irão depender da sua dedicação e disponibilidade de tempo, para educá-lo, ensinando tudo o que ele deve aprender para ser um homem virtuoso no futuro. Principalmente, a responsabilidade diante da vida em comum com as outras pessoas.
Com o tempo, ele vai crescer e vai descobrir que a vida está cheia de caminhos bons e ruins, mas a escolha pertence somente a ele.
Quanto a você mãe da Terra, vivenciará a divina experiência de ser mãe, sabendo aceitar as suas limitações e as limitações do seu filho também.
Chegará o tempo em que você terá que confiar na educação que deu para ele,  deixando-o caminhar com seus pés. Dessa forma ele irá amadurecer com suas próprias experiências de vida.  Igual aos pássaros que ensinam seus filhotes a voar e, de repente, voam para a liberdade e deixam seus ninhos.
Lembre-se sempre que ele é Meu filho e que estou depositando em você toda a minha confiança para bem cuidá-lo.
Eu conto com seu amor de mãe todos os dias que ele viver, independente, da idade que ele tiver, independente das circunstâncias que ele estiver.
Apenas mais uma coisa:
Ame seu filho como você se ama, pois só assim ele vai sentir o quanto é importante amar o próximo.
Mãe da Terra,  Eu me despeço apenas simbolicamente, pois estarei contigo todos os dias da sua vida, iluminando sua missão de ser mãe.

Assinado: O Criador

Este livro é dedicado ao meu filho Luiz Vanderlei Vitório Junior.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Sinal Sagrado da Aurora Boreal


O sagrado se faz presente
Na alma que habita nossa existência
No dom sensível de quem escreve
E ouve as vozes que declamam 
Os versos por excelência

Nossos olhos presenciam 
As imagens dessa congruência
Da alquimia nascida na natureza
Mostrando sua infinita equivalência
Nos acontecimentos diários da vida

A presença desse sinal sagrado 
Vem lá do azul do céu
Do hemisfério norte
Onde o sol da meia-noite
Reflete uma aurora boreal
Nas noites de setembro e outubro
Anunciando o inverno glacial
Lembrando uma fábula lapã
Trazendo o fogo da raposa
Na lenda da sua estória:

As caudas das raposas 
Que corriam pelos montes lapões
Batiam contra os montes de neve
E as faíscas que saíam desses golpes
Refletiam-se no céu
E quem presenciasse esse momento
Sublime...
Viveria feliz o resto da sua vida!
Porque isso era um sinal de fertilidade!
O Sinal Sagrado da Aurora Boreal!

Helen De Rose 




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os Signos da Humanidade









Cada sinal uma vertigem
Daqueles que são e dos que nunca foram
Estabelecem personalidades com sinais
Selados no DNA do código genético
Nos perfis que o tempo vai formando
Contando cada um sua história
De nascimento, vida e morte
Por destinos marcados por trajetórias
No “bendito é o ventre” que lhe carrega
Nas sombras das luzes que a face desenha
Em deslizes de caráter que a alma prega

Diante dos que ainda não morreram
Com sua insanidade filosófica
Do amor à terra que lhe deu a morada
Formando a vida uma obra antológica
As línguas que a torre de babel eleva
Das culturas antropológicas uma sina
Sob os véus dos signos que lhe cobrem
As maldições herdadas pelos seus antepassados
Que da vida presente e regressa nunca morrem

Ledo engano quem tenta se esconder
Pois não cai uma folha sem que alguém saiba
Cada minuto da vida é marcado por grãos de areia
Que traz em si o signo do tempo que não pára
Virando os ciclos como ampulhetas do tempo
Mostrando os vazios que da alma separa
Dos enganos que sofrem as escolhas erradas
Saem outros signos marcados com suas chagas
Na impotência de buscar uma saída imediata
Sacrificam-se na senda por lutas perdidas
Nas regras ditadas por leis da Grande Justiça
Somos apenas os signos da humanidade bendita

Humanidade!
Mostre os signos da sua face!

Helen De Rose  


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Meu Pai foi criança um dia...











Meu pai foi abandonado,
Pela sua mãe aos 4 anos.
Foi criado por uma tia,
Que lhe deu abrigo e comida.
Durante sua infância,
Entregou leite e jornal,
Para ganhar seu dinheiro,
E comprar seus cadernos,
Para poder estudar.
Com seus 14 anos,
Entrou no Banco como faxineiro,
E servia café para os clientes.
Quando terminava o expediente,
Meu pai lia os livros de contabilidade.
Percebendo sua vontade de trabalhar,
Seu chefe o promoveu para almoxarife,
E depois de passar por vários cargos,
Conforme sua capacidade e vontade,
Ele se aposentou com 32 anos de Banco,
Como gerente de uma Agência importante.
O testemunho de vida do meu pai,
É o motor propulsor da minha vida,
Porque ele teve uma oportunidade,
E se agarrou firmemente nela,
Com vontade e disciplina.
Ele poderia ser mais um,
Dos filhos abandonados pela mãe,
Sem rumo certo na vida.
Mas, ele optou pelo trabalho,
Por querer vencer na vida,
E realizar seu sonho,
De ser um vencedor.

Helen De Rose

*Nas mesmas mãos que traz o sonho e escreve a obra, o universo manifesta a sua presença através da Luz da Boa Vontade, conspirando a favor de todos aqueles, que levam em sua mente o intento da solidariedade. Aos poetas e todos aqueles que acreditaram neste sonho, meu respeito e admiração.

*Antologia destinada a ajudar uma Instituição de Portugal.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nos Jardins das Acácias












Seres viventes no corpo
Dormentes na insanidade da mente
Anestesiados na alma
Abandonados aos espíritos
Que neles comprazem sua obsessão
Não habitam mais o mundo das manifestações
Apenas andam pelos jardins durante o dia
Sem noção pra onde vão ou voltam
Em gestos repetitivos de condicionamentos
Aprisionados pela loucura que de alguma forma
Engatilhou nos pensamentos alucinados
Pelo turbilhão da rede que emana os sentidos
Seres vegetativos que esperam por nada
Sem nada querer, sem nada ter, sem nada ser
Apenas levam choques-estímulos para de repente
Acordarem para o mundo real, irreal aos seus olhos
Entorpecidos pelos medicamentos
Não conseguem se movimentar com coordenação
Entre mãos que se batem e rebatem
Entre sons e gritos de socorro da alma perdida
Por entre os jardins caminham com roupa de doente
Sem pensarem na sua demência, na indiferença da vida
Seu passado ficou esquecido pela memória destruída
Seu presente é apenas físico, no corpo que ainda resiste
Seu futuro é incerto, inexistente, dissolvente, degenerativo
Pelos jardins do manicômio sua loucura é certa
Mas, seu olhar está perdido no além de um mundo distante
Quem poderá entrar pra te buscar e te salvar?
Outros insanos como você!?

Helen De Rose


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Engrenagens


Nossa identidade
nossa sombra,
antes
não tivéssemos
nome
nem sobrenome,
que nome daríamos
para nossa alma?

Engrenagens
movimentam
a roda da vida
no alto, o sucesso
na queda, o fracasso
o dinheiro
é a sombra
de cada passo.

A vida roda
enquanto
o ser estiver
presente no ter,
depois de tudo
o ter
deixa de ser
e a vida
tem o mesmo
fim,
com nome
e sobrenome.



*
Helen De Rose

*lançamento 20/07/11 - CBJE - Rio de Janeiro







sábado, 16 de julho de 2011

Essa infinita saudade!




É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...
Essa união dos nossos sonhos que um dia sentimos, e que hoje encontramos em nós.

É infinita essa saudade que habita a melodia desta distância, que nos separa por estradas, onde os horizontes infinitos de carinhos nos unem pelos caminhos dos tempos vividos ao tempo de hoje, ao desaguar nas veredas dos rios e formando as maresias de esperança, quando desaguar nos oceanos do amanhã.

É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...

Essa união dos nossos sonhos que um dia traz em ti, pela demora que passou tão depressa, nos teus gestos de carinho e de amor, que teus olhos trouxeram nas lágrimas de que nunca me esqueceu.

Em cada nascer do dia, antes de te encontrar, por cada dia que vivi longe de ti, entregue ao teu olhar, ofereço-te a Lua, serena, repousando sobre o lençol negro da imensidão da noite, aconchegando seu sono pela janela do seu quarto, enquanto o dia se prepara para o sol raiar pelas manhãs na janela de sua morada.

É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...

São apenas meus olhos que se fecham para o sonho, enquanto esperam por ti e pela Lua para que nos una ao contemplá-la.

Enquanto estiver longe de mim, olhe para a Lua, pois eu estarei olhando sempre pra ela, pensando em ti.

Nossa história de amor é um sonho de uma mulher que te espera no silêncio da saudade, na mudez de um sentir e na eterna simplicidade de te encantar.

Eu chamo por ti meu amor! Eu chamo por ti!

Quando te entrego meu coração decorado com meus pensamentos, entre sopros de beijos, que são levados pelo tempo da tua alma sobrevoando meus sonhos.

Chamo por ti... meu amor!

É infinita essa saudade que nos une de vidas passadas...

Nas lágrimas dos teus olhos quando te faço sorrir, deliciosamente tímido, nos gestos que tu fazes ao me ver brincar.

Somos livres no pensamento de asas que voam pelas linhas dos versos, esboçando nossos sorrisos de liberdade vivida em todos os momentos em que nos encontramos para nos unir.

A ti que nunca partiu... E a mim que nunca te esqueci... É infinita essa saudade que mora nos infinitos, lá nesse onde habita as lembranças que desde sempre eu te conheci.

Helen De Rose




sexta-feira, 1 de julho de 2011

No Portal do seu olhar












Desço as escadarias das entranhas
Onde a morte vive silenciosa
Tecendo sua fina teia no tempo
No escuro onde vive as aranhas.
Desvendo seu olhar negro da noite
No Portal que se abre nas sombras
Das silhuetas que voam no abismo
Flageladas pelo vento frio, igual açoite.
Vejo suas asas castigadas descansarem
Nos sepulcros abandonados pelas almas
Antes que seus corpos se desfaçam
Servindo de alimento para os que desejarem.
Sinto o cheiro forte do líquido defluído
Misturando-se com o lodo da terra negra
Transformando a morte em combustível
Que um dia, das profundezas, será extraído.
Ouço o canto dos pássaros noturnos
Com seu som lúgubre envolvendo
O misterioso perigeu da Lua Cheia
No dia dos seus Arcanos taciturnos.
Arrepio minha pele com esta visão
Tão próxima dos seus tristes desígnios
Prateando lentamente meu olhar imortal
Sob o véu sobrenatural dessa ilusão.
Sacio minha sede de conhecimento
Nesse portal insondável que me afasta
Da vida terrena acima do despenhadeiro
E me faz olhar no Portal do seu renascimento.

Helen De Rose

*lançamento em 20/07/2011 - CBJE - Rio de Janeiro



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