segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Alma Viajante












Alma viajante
Doa-me suas asas
Quero voar
Para um mundo distante

Voar para a liberdade dos céus
Olhando a paisagem dos corações
Despindo-me dos transparentes véus
Caídos nas terras das ilusões

Alma viajante
Leve-me daqui
Pra onde desejo ir
Nessa saudade pulsante

Deste tecido que cai no chão
Borboletas surgem em cores
E pousam em minha mão
Trazendo-me os polens das flores

Alma viajante
Proteja-me dos perigos
Alivia meus sofrimentos
Com sua voz perseverante

A existência são fragmentos
Unidos por laços eternos
Envoltos no corpo dos pensamentos
Fecundados nos úteros maternos


Helen De Rose


*lançamento em 10/12/10 - CBJE - Rio de Janeiro



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quando nasce um escritor










A busca pela comunicação e expressão das idéias surgiram lá na pré-história. Quando os primitivos desenhavam nas paredes das cavernas.
Veja como eles já tinham essa necessidade de dizer o que pensavam e sentiam o desejo de manifestar isso, para todos verem.
Com o passar do tempo, os escritores foram surgindo conforme sua vocação. Autores de obras literárias, científicas e de diversas formas de manifestação da escrita.
Muitos dizem que há uma necessidade de conhecimento específico nessa área. Mas, ainda vejo pessoas sem estudo nenhum, escrevendo textos ricos em sentimentos expressados, como acontece lá no nordeste, com os cordéis.
Essa noite tive um sonho, estava andando na praça de minha cidade, quando encontrei um senhor, com uma sacolinha de pano a tira-colo, com vários papéis na mão direita, oferecendo pra quem passasse.
Quando me aproximei dele, ele me ofereceu um pequeno papel com uma poesia, escrita por ele. Perguntei:
- O senhor gosta de escrever? Ele me respondeu:
- Sim senhora, foi o dom que Deus me deu. Eu escrevo desde pequeno, lá no Engenho de Pau d'Arco.Já sensibilizada pela imagem pura daquele senhor, perguntei:
- Quanto custa a sua poesia?Ele sorriu timidamente e disse:
- O que a senhora pagar está bom pra mim! Vai do valor que a senhora dá ao escritor e a poesia feita por ele.Quando lhe dei o dinheiro ele assustou:
- Minha senhora isso não é um livro, é apenas um pedaço de papel. Olha, pegue, leve mais poesias, pelo valor que está me dando, tem que levar mais. Eu respondi:
- Vou levar apenas um, pois esse é o valor que estou dando ao dom que Deus lhe deu, os outros ficam com o senhor. Talvez o senhor encontre mais pessoas que gostam de poesia.
Ele ficou tão emocionado. Abriu sua sacolinha de pano, tirou um lenço e, sentado no banco da praça, enxugou suas lágrimas, que molhavam sua face cansada. Eu me aproximei dele e pedi licença para declamar sua poesia em voz alta:

Ecos d'Alma

Oh! madrugada de ilusões, santíssima,
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!

Longe das tristes noutes tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplandor das Primaveras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares;

Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça,

Quem me dera morrer então risonho,
Fitando a nebulosa do meu Sonho
E a Via-Láctea da Ilusão que passa!

Assinado: Augusto dos Anjos.

Acordei com um nó na garganta, sentindo na alma, o quanto é indescritível ser um escritor, um dom que já nasce pulsando no coração, independente do tempo ou do espaço em que nos encontramos. Fiquei lembrando da imagem de Augusto dos Anjos, que só teve um livro publicado "EU", antes de morrer de pneumonia aos 30 anos. Um autor que ficou consagrado, não pela quantidade de livros da sua obra, mas pelo valor literário de cada verso que escreveu. De fato, ele nasceu escritor, nasceu poeta!

Helen De Rose


*Lançamento em 05/12/10 - Os melhores contos de 2010 - CBJE - Rio de Janeiro.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quero viver no sabor do teu beijo









Amamos o que não temos em cada momento
Num quarto suspenso nas asas de um pássaro
Enquanto teus olhos descobrem meu pensamento
Sinto que a eternidade mora no teu beijo raro
Quero viver no sabor do teu beijo
Enquanto fecha os olhos no meu aconchego
Na tentativa de sentir minha alma em desejo
Vivendo no coração saudoso do teu peito
Pulsando por sentir tua pele tão perto de mim
E, quando o gozo vem, sem pedir licença
Do meu lado, teu corpo se deita assim
Completando-me por inteira com tua presença
Quero viver no sabor do teu beijo
Enquanto teu sorriso é a paz que preciso
Quando na madrugada te procuro num lampejo
Num sonho que jamais existiu no paraíso 


Helen De Rose

*Antologia das melhores poesias de 2010 - lançamento 05/12/10 - CBJE - Rio de Janeiro.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Menina que não falava e o Natal

Marina, minha filha.














Hoje eu acordei ouvindo o bem-te-vi na minha janela e fiquei olhando para o meu brinquedo mais preferido: uma garrafa de plástico verde de guaraná; que sempre ouço mamãe dizer que ela é minha boneca barbie.

De repente, mamãe entrou no quarto e me deu um bom dia:

- Bom dia, Marina morena! Como faz todos os dias, ela me dá beijos e abraços, com todos os seus carinhos. Sorrindo, eu bati palmas para ela, e ela me sentou na cama para cuidar de mim. Mas, ela me disse uma frase diferente hoje:

- O Natal vai chegar hoje!

O que será que isso quer dizer? Será que vai chegar alguém? Fiquei olhando para ela curiosa. O dia foi seguindo com uma agitação diferente. Quando a mamãe acendeu a luz do meu quarto, os meus primos, tios e avós começaram a chegar com uns pacotes enfeitados nas mãos e colocavam debaixo de uma árvore engraçada que ficava piscando o tempo todo na sala.

Mamãe me vestiu com um vestido lindo, cheios de borboletas coloridas e uma sandália que acendia luzinhas, conforme ia andando até a sala com a ajuda da mamãe. Nossa! Esse Natal deve ser muito importante. Olhando para a mesa repleta de comida, pensei, será que tudo isso é por causa desse Natal?

Mamãe me sentou no sofá mais macio da sala e vi a mesa toda enfeitada, com todos sentados à sua volta e felizes. Enquanto ouviam músicas que também falam essa palavra Natal.

Engraçado, eu vi como esse Natal pode mudar um dia de rotina, por outro dia tão feliz? Deve ser um mágico!

De repente alguém disse: - É meia-noite! O Natal chegou!

Ué?! Eu olhei por todos os lados e onde estava esse Natal? Ele chegou na porta? Cadê ele?

Vi todos se abraçarem, entregando aqueles pacotes enfeitados e até eu ganhei brinquedos novos, mas, não vi ninguém diferente chegando com o nome de Natal.

Então, mamãe veio me abraçar e disse assim:

- Filha, Feliz Natal! Hoje é dia de Natal, dia em que todos nós renascemos com o Menino Jesus! Por isso estamos festejando todos juntos!

Então eu pensei: - Puxa! Mas, por que o Natal só tem uma vez por ano? Demora tanto para chegar, para todos ficarem unidos e felizes?

Helen De Rose

*Antologia Os mais belos textos de Natal - lançamento em 10/12/2010 - CBJE








segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Quando o coração chora de saudade...












...a alma declama um poema:

Estou só mais uma vez
Nesta madrugada da alma na solidão
Sob este céu da saudade do meu coração
Repouso meus desejos neste lago solitário
Que silencia a voz nessa corrente que chama
Meus pensamentos em busca de você
Porque é assim que tem que ser...
Não tenho o seu amor
Nem sua presença
Muito menos a recompensa
De qualquer felicidade

O destino brincou comigo
Deu-me um abrigo momentâneo
Tão fugaz, como a chama de uma vela
Que ao sentir a presença da brisa
Desaparece no éter
Deixando seu rastro de fumaça
Desenhando imagens chorosas no ar
Impregnado pelo seu perfume final

Estou só mais uma vez...
Noite embriagada com seu cheiro
No êxtase que permanece em mim
Nas estrelas que enfeitam meu ventre
Serpenteando pela lembrança do seu toque
Na minha pele com suas mãos
No meu íntimo cálido com seu...

Ah!...Se eu pudesse lhe fazer um pedido,
Diria:
- Toca-me com amor!
Porque estou entregue!
Inteira!
Nesta madrugada de minha alma...
Pensando em ter você neste sonho noturno
Para me abandonar nos seus braços
Para me perder no aconchego do seu ventre
Quando encontrar sua pele
Roçando em mim!
Para me encontrar em você!

Quando o coração chora de saudade...
...a alma declama um poema!

Helen De Rose


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Na Sombra da Lua










Fogueira de sentimentos
Queimam em incensos de desejos
Em bolhas de sabão meus pensamentos
Ondas azuis silenciosas em sutis lampejos.
Sou a imagem das flores na primavera
Recebendo o beijo das borboletas amarelas
Enquanto a sombra da Lua nos espera
Nas lunações enfeitadas em lindas aquarelas.
Nossas recompensas são os momentos
Em que a terra rodopia no espaço lá fora
E a órbita do tempo pára em movimentos
Dos nossos íntimos unidos com amor no agora.
A vida só vale a pena por imagens
Ao lado de quem amamos e nos interessa
Em voos rasantes acima das nuvens
Sentindo cada segundo sem nenhuma pressa.
Traz o seu sossego, tire o seu relógio, fica comigo
Enquanto o sol se deita no horizonte do fim do dia
Sussurrando palavras de amor ao meu ouvido
Isto é o que eu desejo e me interessa: paz e harmonia.
Quero amar na sombra da Lua 
No salto quântico do Universo
No céu da imensidão, totalmente, sua
Seguindo o caminho das estrelas nestes versos.
Mesmo que seja por um instante eternizado
Por nossos beijos de amor em cada estação
Sentindo nossa vida fluindo no ventre apaixonado
Do êxtase que faz tirar o fôlego do nosso coração.

Helen De Rose

*Lançamento em 10/11/2010 - CBJE - Rio de Janeiro



sábado, 23 de outubro de 2010

Pé de Manacá












Lá no alto do morro só restou
Um pé de manacá entristecido
Que a terra molhada não levou
Depois das nuvens terem chovido

Sua sombra traz uma esperança
E suas flores um lindo colorido
Depois da tempestade, vem a bonança
De algo mais eterno e bendito

Suas folhas balançam com as lágrimas
Dos que ficaram na fria saudade
Olhando o que restou de suas lástimas
Soterradas no pé do morro em calamidade

A morte passeou pela madrugada
Sem olhar nos olhos dos destinos
Arrancou da vida apressada
Na calada da noite destes abrigos

Um lamento trazido pelos ventos
Trouxe suas flores aos jazigos
Colorindo os corpos nestes fragmentos
Em que todos nós sentimos os perigos

É a natureza gritando por socorro
Aos Homens de boa vontade
E lá no alto daquele morro
Um pé de manacá chora de saudade


Helen De Rose

* Antologia Versos Verdes - Edição 2010 - CBJE - Rio de Janeiro
Lançamento em 10/11/2010 





quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Imaginação do Poeta


*este vídeo é um presente da amiga e poeta Betha M. Costa.


A imaginação do poeta
é igual a uma borboleta,
que habita o meio das folhas
de um livro, nascido
das profundezas do solo
da terra selvagem.

Não possui dono,
apenas imagens.
Não possui limites,
que prendam os infinitos
das suas palavras.

A borboleta personifica
o poeta
que segura
em seus braços,
o nascimento da poesia,
sua filha imaginativa.

Helen De Rose

*Antologia lançada em 10/10/10 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

(Ao) Caçador de Borboletas




Vou entrando através dos seus olhos
nos jardins encantados da sua alma.
Vejo o seu coração diante dos meus olhos,
transformando-se num caçador de borboletas,
correndo pelos campos carmesins dos seus sentimentos,
nas primaveras que dão flores em paineiras,
esvoaçando nuvens de algodão,
através do seu tímido sorriso.
Dos galhos descem balanços celestiais,
enfeitados com eras verdejantes.
Neste momento, sou aquela menina dos seus olhos,
a balançar meu coração na sua alma,
cantando nossa canção de amor.
A música contagia meu ser por estar em você!
E, neste instante,
meu corpo se transforma numa borboleta azul,
voando sobre seu coração de caçador de borboletas,
desejando-me em suas mãos.
Sinta-me! Estou no balançar da sua vida!
Sou a borboleta azul que você deseja.
Mas, antes, dance comigo esta canção,
Olhando nos meus olhos a noite estrelada,
Refletindo sua infinita existência.
Porque quando os olhos se encontram,
Procuram o sabor dos lábios,
Para a alma sentir o beijo,
Enquanto os olhos se fecham
E realizam este sonho!

Helen De Rose

*lançamento em 10 de outubro de 2010 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Delicioso pecado!












Satânico é o meu desejo
De despir seu corpo
Naquela manhã ensolarada
Tirar da minha boca a fome
Dos seus sabores
Olhando pra você
Enquanto te desejo
Desfaço da sua pele
Em suaves descidas
Até que se mostre
Eu te mordo a ponta
Até chegar o fim
Do meu prazer
Saciando o mel
Da forma em riste
Da banana que comi
Até o fim!! 


Helen De Rose

Antologia Portuguesa - 7 Pecados - Portugal

*Vídeo do Lançamento:
 http://www.slide.com/r/DIY7KXpW6z9NusyNUg5iBlIEh1Tc1P1r?map=2&cy=un

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O prepúcio sagrado













Do solo fértil do ser masculino
Nasce uma raiz na derme macia
Segura por ligamentos cristalinos
Estimulados pela suspensão lasciva

Do corpo cavernoso úmido e queratinizado
Em nível crescente diante da Vênus acesa
Eros acende a tocha do intumescer iluminado
Pelo nascer do Sol na coroa da glande tesa

Recoberta cilindricamente pelo prepúcio
Coroando esta união em anel prepucial
Deflagrando sua puberdade em prenúncio
Da inocência virgem do ato nupcial

Eis aqui a relíquia não circuncidada
Por nenhuma forma de ritual
Ainda que não seja retirado na jornada
O prepúcio continuará sagrado até o final

Helen De Rose

*lançamento em 15/09/10 - CBJE - Rio de Janeiro

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Viúva Negra


A noite nasce depois do meio dia, caminhando pela tarde, até encontrar o crepúsculo na despedida do Sol, preparando-se para receber a Lua do outro lado do horizonte, enquanto as estrelas vão surgindo como pingos brilhantes no véu negro do céu, enfeitando a passagem de mais uma lunação.

Neste instante, uma mulher ainda dorme nua, com sua pele aveludada de brancura mergulhada nos lençóis macios do seu leito solitário. O silêncio ecoa por todo seu aposento, até quando uma coruja branca de olhos grandes e amarelos, pousa num centenário carvalho, ao lado da janela do seu quarto e começa a cantar seu presságio de mau agouro. O canto da coruja anuncia a chegada da noite, enquanto que a Lua Cheia, vagarosamente, vai prateando a escuridão do quarto.

De repente, seu corpo começa a sentir sua presença, espreguiçando preguiçosamente, enquanto seus olhos vão despertando do sono em outro mundo. Seus olhos se abrem, acompanhados por um suspiro sobre a presença da vida, num respirar constante, no seu dia que amanhece na noite, com o nascer da Lua, anunciada pelo canto da coruja branca de olhos grandes e amarelos - como se o Sol estivesse vivendo no seu olhar. Esta misteriosa mulher levanta-se da cama e aproxima-se da janela, enfeitada pela dança suave da leveza das cortinas, enquanto são tocadas pela brisa noturna. Ela olha para a Lua Cheia, sente a luz prateada penetrar sua pele cálida, sente a brisa fresca beijar seus lábios rosados, enquanto uma lágrima fria revela um sentimento de profunda tristeza.

Depois de alguns minutos ali, olhando a noite da sua janela, ela prepara seu banho numa banheira de porcelana, com água morna e sais perfumados, joga algumas pétalas de jasmim na água, acende uma vela de canela e um incenso de alecrim, mergulhando seu corpo neste ritual. O tempo do seu banho é o tempo em que a chama da vela permanece queimando seu destino, num mar de cera, choro ardente que transborda na chama viva da vela e que vai morrendo a cada brilho. A luz da vela acesa deflagra a presença etérea do fantasma do homem que esta mulher amou. Enquanto ela se banha, ele observa cada detalhe do seu corpo, sentindo tristeza por estar ali presente, tão perto e não poder tocá-la mais. Desde pequeno ele temia as sombras do amor, como se fosse um sagrado medo do seu coração, pois acreditava que cada encontro tinha uma despedida e não queria sentir o exílio da saudade. Talvez o seu medo, fosse sua intuição prevendo o seu destino, já traçado pelas mãos da existência.

Ah! Se todos pudessem ver o mundo das manifestações sutis! Saberiam que não existem separações definitivas e, sim, temporárias.

O pavio da vela mergulha na cera e a chama desaparece, como também o fantasma daquele que ela amou. No silêncio daquela noite de primavera, ela se veste de luto, com um véu negro cobrindo sua face pálida, prepara um cálice de veneno e toma tudo até o fim. Deita-se na cama, segurando uma rosa vermelha, como se fosse um símbolo da sua paixão, fecha os olhos e espera a morte possuir seu corpo, para poder sair pelo canal vital da eternidade.

Apenas o silêncio sobreviveu....

Quero apenas que me mostre como são os teus olhos ao crepúsculo, para que os possa imaginar na minha alma.

Helen De Rose



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mãe

Mamãe e filhos







Mãe,

Tu és o ninho da vida nessa fecundidade
Enquanto o milagre do corpo está em formação
Tu és o portal da luz no nascimento da humanidade
O amor mais sagrado doado em sublimação

Tu és as manhãs de cada dia do nascer do sol
Iluminando nossos passos inocentes de criança
Tu és as tardes dos nossos aprendizados diante do arrebol
O descanso dos nossos olhos em tua eterna lembrança

Tu és as noites estreladas da nossa frágil adolescência
Enquanto o Luar ouve tuas preces para nos proteger
Tu és as madrugadas passadas em clara consciência
Esperando por nosso abraço antes do amanhecer

Tu és nossa mãe todos os dias de nossas vidas
Enquanto estiver viva e depois que morrer
Pois a saudade é o legado que deixas nas partidas
Nas lágrimas de amor que não desejamos esquecer

Helen De Rose

* Obra publicada no livro "100 Grandes Poetas Brasileiros" - lançamento em 15/09/2010





sábado, 28 de agosto de 2010

Um olhar sobre Sorocaba


Sorocaba, uma cidade vestida com a luz da prosperidade.

No dia 15 de agosto de 1654, eis que surge no horizonte, próxima ao Trópico de Capricórnio, uma cidade vestida com a luz da prosperidade.

Sorocaba nasceu numa manhã de inverno onde o Sol transitava pelo signo de Leão, rasgando a terra com a força da sua fecundidade. Berço dos índios tupiniquins que deixaram pelo caminho do gramado amassado os vestígios da sua presença, sobre as margens do Rio Sorocaba.

Sua história possui a força do seu legado, trazida pela Feira de Muares num ponto estratégico de encontro e comunicação entre os tropeiros e bandeirantes que por aqui passaram, mostrando o destino que esta cidade tem como lição de vida aos futuros habitantes.

Sorocaba não se contenta com pouco, por isso cada vez mais prospera na sua grandeza originada na regência do Sol, vestida de luminosidade e a proteção de Nossa Senhora da Ponte. Sob a luz do seu Arcano idealizador surge o Hexagrama Pentáfico no céu desta cidade avatar em todos os sentidos, chamando para si pessoas com a mesma capacidade idealizadora, empreendedora e liderança personalizada.

Esta ‘Manchester Paulista’ abraça todos aqueles que possuem vontade firme e almejam sucesso em sua jornada. Sua alma está aberta para receber todos os nomes e sobrenomes que desejarem prosperar através do trabalho digno, inteligente e criativo, nos diversos setores disponíveis por seu desenvolvimento contínuo. Sorocaba leva um lema na alma: “A união faz a força”. Os verbos que acompanham sua origem são: “Eu quero” e “Eu crio”. O poder criativo está fluindo por intermédio da luz que resplandece em cada alvorada desta cidade.

O amarelo ouro da sua bandeira, que simboliza a prosperidade e a fé dos sorocabanos, também lembra a luz do Sol e da energia do plexo solar de Leão. O vermelho que relembra a busca das glórias, por incrível que pareça, simboliza também a Lua em Áries no dia 15 de agosto de 1654. Áries é regido pelo Planeta vermelho Marte. A cor amarela, o Sol em Leão; a cor vermelha, a Lua em Áries; ambos os signos são do elemento fogo. Não sei se havia um conhecedor de simbologias na época em que esta bandeira foi idealizada, porque houve aqui uma grande intuição e inspiração.

O caminho cabalístico de Sorocaba é o caminho da ponte que integra a polaridade da construção e da destruição. A cidade se fortalece quando deseja destruir algo, para construir algo melhor, mesmo que encontre resistência e obstáculos, enfrenta e continua adiante. Neste caminho que Sorocaba percorre, o Fogo se torna Luz com bênçãos e glórias.

Um portal de grandes possibilidades se abre na visão de quem chega à Sorocaba. Ela tem o poder de seduzir e encantar seus visitantes, assim que percorrem as grandes avenidas que atravessam os bairros da cidade. A beleza dos parques naturais e a forma de como a cidade é bem cuidada, seguindo seu crescimento visto a olhos nus, chama a atenção e o desejo de querer morar nesta cidade tão acolhedora.

Sorocaba tem o poder alquímico de transformar ferro em ouro, através de pessoas que possuem comprometimento com o desenvolvimento e crescimento desta cidade. Os setores da Saúde e da Educação são importantíssimos para o futuro promissor dos seus habitantes. Assim como, o da fé e da religiosidade que buscam acreditar sempre no melhor para a ‘Rainha d’esplendor’, a ‘filha e mãe dos bandeirantes’, a ‘terra dos tropeiros’ vestida com a luz da prosperidade:

Ó Sorocaba! Terra abençoada!

Nascida diante do rei Sol, seu regente

Fortalece nossa alma sempre iluminada

Enquanto sua Lua guerreira se faz crescente.


Helen De Rose.


*Antologia lançada no dia 25/08/2010 na 6ª Semana do Escritor em Sorocaba/SP



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