terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Celebre a Vida! (Feliz Ano Novo!)



A vida dança sua presença no ar, 
acorda o dia na alvorada solar, 
celebra a alegria da existência, 
quando a gratidão vive na consciência.

Esta alegria contagia todos os seres vivos, 
os pássaros brincam no céu com cantos conectivos, 
as plantas participam com os perfumes das flores, 
as árvores dão frutos de todas as cores.

Os animais correm livres pelas paisagens, 
as borboletas refletem nos riachos suas imagens, 
os peixes de todas as cores enfeitam os oceanos, 
os ninhos se renovam de filhotes todos os anos.

Existe uma música que nos envolve, 
liberta nossa alma e nos promove, 
ficamos descalços e felizes para celebrar, 
na areia, ao vento, no céu ou no mar.

A celebração da vida não tem hora e nem lugar, 
ela acontece à nossa volta diante do nosso olhar, 
a cada momento ela chama nosso ser, 
só depende da nossa paz de espírito deixar acontecer.

Esta emoção é linda de viver, sentir! 
Façamos um brinde à vida antes de partir, 
só quem passou por aqui viveu esta celebração, 
levou consigo cada momento no seu coração.


Helen De Rose

*Lançamento em 20/01/2013 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Menino da Manjedoura



Nasceu tão frágil e pequenino

na pobreza de um simples estábulo
na manjedoura, um humilde menino
lembrando um sagrado retábulo

Pelas mãos do espírito do Natal
a essência de Deus nos revela
que o amor supera todo o mal
e acende nossa fé, diante duma vela

O menino da manjedoura
tem o poder de unir a humanidade
com sua luz e presença vindoura
na manifestação da sua cristandade 

De mãos dadas façamos uma oração
pedindo que a paz traga a esperança
na vida de cada pessoa, de cada nação
no nascimento vital de toda criança

Esperando que os dias sejam melhores
conforme agradecemos, ao badalar do sino
todas as nossas alegrias e nossas dores
diante da manjedoura do pobre menino


Helen De Rose


*Lançamento em 20/12/12 - CBJE - Rio de Janeiro




domingo, 2 de dezembro de 2012

Se todos pudessem ouvir!










Diria que todos podem sorrir
Todos os dias ao acordar
E agradecer por sentir
A vida acontecer no verbo amar

Diria que cada vivência
Cada gesto de amor doado
Alegra o coração e a consciência
Daquele que se sente amado

Diria que na vida também
Passamos por sofrimentos
Mas ganhamos na fé do além
Do infinito desses aprimoramentos

Diria que aprendi mais com a dor
Pois acreditei na vida e na minha missão
E não tem maior dádiva do que o amor
Quando cura a alma e o coração

Diria que todos nós podemos sonhar
Acreditar que somos capazes de viver
Tudo aquilo que pensamos realizar
Com a força inesgotável do nosso querer

Ah! Se eu pudesse ao menos dizer
Diria que minha essência esta no meu despir
Diante dos olhos de ver, no destino do meu ser
Mesmo que o mundo inteiro não possa me ouvir


Helen De Rose




quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Portão da Infância

foto tirada em fevereiro/1979

Quando abri aquele velho portão,
minha infância feliz saiu correndo,
pro quintal antigo do meu coração
meus braços foram pro céu se erguendo.

Via-me ainda menina pequena, indo
de encontro com minha eterna saudade
deixada ali, no mesmo lugar sorrindo,
minha Nona dizendo: - Que barbaridade!

Minhas lágrimas queriam dizer:
- Eu voltei para o mesmo lugar,
que um dia eu deixei de ver,
onde eu aprendi o sentido de brincar.

Onde a inocência tomava banho
no tanque quadrado do quintal,
depois de sujar meu cabelo castanho
com os bolinhos de terra do lamaçal.

Onde a curiosidade morava no porão
repleto de coisas antigas e passados,
que viravam brinquedos pelo chão,
enquanto imaginar eram voos alados.

Eu voltei para rever o que eu amei
e jamais vou conseguir esquecer,
porque, no meu íntimo, eu sei
minha infância aqui irá permanecer.

Helen De Rose

(*poesia dedicada para minha Nona e Nono)

*Lançamento em 20/12/2012 - CBJE - Rio de Janeiro


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Marina Morena


M – meu anjo que caiu do céu como um presente do Universo
A – amplificando os sons da tua voz, sem uma palavra me dizer
R – realizando em mim um aprendizado com seus gestos simples de ser
I – irmandade da luz refletindo a noite nos seus olhos e cabelos negros
N – nuances de cores matizando meu arco-íris na esperança da sua cura
A – alegro-me quando me sorri e beija minha face em sinal de agradecimento.

M – menina que nasceu de mim no dia de Ação de Graças
O – ouvindo minha alma, trazendo a certeza dos elos de tempos passados
R – renunciando sua vida para nos mostrar uma mensagem de amor e gratidão
E – eternamente ficará em mim, como quando habitava meu útero materno
N – natureza surreal, com certeza, seu mundo está muito além da minha imaginação
A – agora eu sei, filha, quando você dorme, viaja para aldeias estelares, onde as crianças especiais podem correr, pular, brincar, falar, cantar e sentir que sua essência está livre das limitações do seu corpo físico. Durma bem, meu amor, e vai brincar com os anjos!


Helen De Rose

*para minha filha Marina, helenderose-marina.blogspot.com


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nem sei de mim...



Não sei o que ainda pode acontecer

antes que tudo passe em minha vida
e os meus olhos consigam ainda ver
teus olhos fixos, antes da despedida

Eu te quero tanto que nem sei de mim,
esqueço até do chão que me alicerça
enquanto imagino meu perfume de jasmim,
unindo nossas volúpias numa só cabeça

Não sei o que virá depois de um dia,
sentindo tua presença no meu íntimo
e o meu corpo estremecer de alegria,
só de lembrar teu rosto, eu frimo

Eu te quero tanto que nem sei de mim,
lembro de cada palavra no meu ouvido,
mesmo que esta distância me deixe assim,
vulnerável na nudez de um prazer perdido


Helen De Rose

* Lançamento em 20/11/2012 - CBJE - Rio de Janeiro



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Nas Mãos do Poeta


Mote: "Os poemas são pássaros que chegam
não se sabem de onde e pousam no livro que lês."
(Mário Quintana)

Nas mãos do poeta nasce o alimento
Semeado nas plantações da alma
Fertilizada no silêncio da sua calma
Em colheitas vivenciadas no discernimento
Conforme a vida vai se diluindo no tempo
Nas palavras deixadas em português
Rimadas nos voos dos olhos que vês
Nos versos os frutos que alimentam
Os poemas são pássaros que chegam
Não se sabem de onde e pousam no livro que lês

Os pássaros se alimentam da essência
Encontrada no poema da sua vida bendita
Escrito no livro de cada brevidade infinita
No acervo sutil da sua sublime sapiência
Identificando cada passo da sua existência
Os poemas são pássaros que chegam
Nas mãos dos poetas que sempre amam
Não se sabem de onde e pousam no livro que lês
Nas manhãs ensolaradas da mente aparecem três
E, depois de saciados não permanecem, voam

Os poemas são pássaros que chegam
Não se sabem de onde e pousam no livro que lês
Visitam as mãos do poeta todos os dias do mês
Não possuem ninhos, só voos que os libertam
Pelo alimento das palavras os pássaros pousam
E, quando o livro se fecha, vão todos embora
Deixando no éter uma fragrância da aurora
Uma sensação inexplicável no seu coração
Sentido pelo poeta num pulsar de emoção
Assim como eu estou sentindo agora...


Helen De Rose


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Teu Corpo, Meu Poema


Atravesso as cordilheiras 
do que me é impossível
vou desenhando suas fronteiras 
horizontais,
enquanto sobrevoo sua geografia
e os traços marcantes em sua pele.
Suas planícies revelam seus arrepios
trazendo na brisa dos seus sussurros
tudo o que eu desejo ouvir.
Não há limites nas dobras do seu corpo
seus planaltos aquecidos se misturam 
com a mata selvagem de sua derme.
Seu olhar intenso é o sol que nasce 
no meio das montanhas dos seus ombros
mostrando o quanto me deseja nesta hora.
E depois desta sede imensa
que me dá descobrir sua natureza
em toques verticais,
derrama seu rio em mim
pelas nascentes do seu sorriso
e sensações vindas dos seus portais.
Diante do seu corpo, 
eu virei céu.


Helen De Rose

Lançamento em 20/11/2012 - CBJE - Rio de Janeiro


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Depois do Amor, o Amanhecer...


Escondo na penumbra
minha lingerie que se abre
revelando meus seios desnudos
durante a madrugada
e durmo tranquilamente

A aurora adentra-se por entre o tecido
que cobre a janela do nosso quarto
Quando acordo, ele esta do meu lado
Passou toda a noite olhando-me
velando o meu sono
como um anjo da guarda

Agora os raios do Sol
vem acariciar minha face
revelando uma sensualidade
por entre a lingerie
deixando escapar meus seios
contornos suaves do meu corpo
que ele amou na noite anterior

Olho nos olhos dele
e vejo seus desejos de amor
realizados integralmente
na sua respiração compassada
que revela a tranquilidade
que lhe invade não somente o corpo
mas, sobretudo a sua alma

Agora ele se sente meu amado
Ao contemplar o fruto da sua essência 
ganho a certeza que ele esta em mim
e eu estou viva nele
como se eu fosse a outra metade
que repousa
enquanto ele
esta desperto, atento

Guarda meu sono
segurando minha mão
minha alma dormente
Abraça-me
envolvendo-me no seu calor
protegendo-me
do dia lá fora que grita
agita-se e contorce-se

Mas, aqui,
no âmago deste imaculado santuário 
duas almas unem-se
num abraço apaixonado
Aqui o tempo fica suspenso
da agitação do cotidiano

O nosso quarto vira um templo
onde o sagrado e o profano se confundem
onde o amor vive também a luxuria 
e onde o prazer se veste também de branco
como a seda transparente
dessa lingerie que envolve meu corpo

O tempo,
no seu caminhar constante
arrasta-nos para a realidade
de um dia que acaba de começar
Então, ele me diz sorrindo:
- Bom dia, Mulher Zen!

Helen De Rose



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Alm'Ave



Os pensamentos são iguais as aves 
que buscam abrigos quando terminam as estações. 
No entanto, jamais se esquecem dos ninhos 
que deixaram nos galhos das árvores, 
nas manhãs de primaveras. 

Quando as aves retornam aos ninhos
uma canção se espalha por entre as árvores
trazida pelo perfume da brisa alegre
que faz as folhas dançarem no ar
sua singela melodia de louvor.

Os ninhos continuam ali, nos velhos galhos
esperando por novos renascimentos alados
guardados pelo calor da vida pulsante
de cada alm'ave que canta sua passagem
no entardecer de cada dia vivido.

Helen De Rose

*Lançamento em 20/10/2012 - CBJE - Rio de Janeiro



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Marca d'água


Numa folha de papel
deixo cair meu perfume 
com essência de jasmim.
Sobre a superfície umedecida
vou desenhando tua imagem, 
tuas linhas ficam em relevos 
nos traços do grafite
e as sombras vão cobrindo 
tuas margens, 
que saem serenas 
do meu pensamento,
no final,
escrevo teu nome,
porque passei o dia todo 
pensando em ti.

Deitada na cama 
coloco a folha contra a luz,
tu és a marca d'água
que ficou em meus olhos,
tomou conta 
dos meus pensamentos,
do pulsar do meu coração
e de todo meu ser.
Uma verdade
que não pode ser 
falsificada em mim,
nem disfarçada 
no relevo da minha
retina ocular.





Helen De Rose

* Lançamento em 20/10/2012 - Rio de Janeiro - CBJE


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Flor de Lis



Cabe uma grande emoção
Nos espaços do meu sentir lascivo
Pulsando ritmado com meu coração
Entre uma lágrima e um sorriso

Da alegria sublime de te encontrar
Entre um verso, um poema e uma página
Nas palavras conjugando o verbo amar
Entre um sorriso e uma lágrima

Só me resta nesse sonho: "brincar de viver"
Sonhar agora com um amor correspondido
Enquanto o sol desejar amanhecer
Entre uma lágrima e um sorriso

Dos olhos marejados que lhe sorri
Dos lábios molhados que te diz:
- Receba meu beijo levado pelo colibri
Nas fantasias desse poema flor de lis

Helen De Rose



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dormem no Atlântico (Dueto)



Surripio das tuas dores
Águas que o mar me traz,
Meninos de sorrisos navegantes,
Ondas que dormem Atlantes
Num ar duro e contumaz...
Filhos de todas as cores. 

Versos fecundados nas fontes
Ondas em sintonias perspicaz
Filhos dos versos contagiantes
Nascentes acordadas no teu cais
Refrescando tua face na brisa fugaz...
Mensageiros dos teus amores.

Junto-te a mim em verso 
Rima que o tempo não esquece. 
És flor vadia de Primavera, 
Mãe de vaga quimera 
Que o mundo não envelhece... 
Palavra de amor adverso.

Fertilizo suas palavras no transverso 
Eternizadas no papiro que jamais desaparece
Tingindo a brevidade com sua luz esmera
Com nanquim faz nascer essa era
Que no universo resplandece...
Duetos do teu reverso. 

Pedra de frágil cristal
Tomada em mão delicada
Que adormece em teu peito,
No suave calor de teu leito,
Nos encantos da madrugada...
Fogo que me arde, mortal. 

Essência cristalina
Minuciosamente lapidada
Que ascende em teu coração
Na inspiração dos seus sonhos
Espera por uma mulher apaixonada...
Nessa inefável viagem astral.


Fernando Saiote (Alemtagus) e Helen De Rose


Livro lançado em 2011 em Portugal, diante do convite do amigo e poeta Fernando Saiote.
O link a seguir diz mais sobre o autor:
http://www.luademarfim.pt/page55.html



terça-feira, 19 de junho de 2012

Espelho d'água


Deitado
sobre um pedaço
do leito da terra
um lago plácido vive
alimentando as raízes
de uma mata selvagem
repleta de matizes
debruçada em sua margem
espectadora natural
deste espelho do céu.

Num instante solene
sigo o reflexo do voo
sobre as asas duma garça
sobrevoando esse nítido
espelho d'água
em busca de alimento.

Minha visão se detém
nessa cena da criação
e nos vales da minha mente
essa imagem se repete
capturando uma sensação
de tranquilidade.

Neste momento
meu coração agradece.


Helen De Rose



terça-feira, 29 de maio de 2012

Essa Saudade de Você!


Sinto sua falta
Ouço nossas músicas
Fecho os olhos
E te vejo além
Dos meus sentidos
Essa saudade dói em mim
Como uma dor invisível
Da alma que chora
A ausência de quem ama
Meu peito sente uma angústia
Um nó na garganta
Sufoca meu pranto
Da distância que nos separa
Numa atitude de desespero
Lanço minha mão no vazio
Em busca de você
Mas não consigo te tocar
Essa saudade de você
Faz sangrar meu coração
Como se ele tivesse sido
Transpassado pela flecha do tempo
Que fico longe de ti
Nessa saudade de você
Um suspiro escapa
Uma lágrima mergulha
Sobre minha face
Um choro contido
Estremece meu ser
Incertezas da mente
Que deseja te sentir
Novamente
Na esperança de curar
O que essa ausência
Tua me causou
Não demora meu amor
Vem me salvar
Vem me curar
Da dor dessa saudade
De não ver teus olhos
Olhando nos meus

Helen De Rose


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Apaixonada



Você é de Vênus e eu sou de Marte


Quebro sua concha com minha tocha de fogo
Saio e entro na sua vida igual um descarte
Corta meu coração com sua espada no seu jogo

Eu sou emoção e você é razão
Danço meu tesão diante da sua timidez
Na certeza de raptar por um segundo sua visão
Enquanto hipnotizo sua atenção na minha nudez

Você é o meu silêncio e eu sou sua voz
Desenha meus olhos na sua mente 
Eles decifram seus desejos na sua foz
Esperando por seus lábios em mim lentamente

Enquanto você faz seu barquinho de papel
Eu vou construindo nosso castelo de areia
Apaixonada, eu espero seu amor num carretel
Hipnotizado, você ouve meu canto de sereia

Não ficaremos juntos
Porque a Lua separa nossos oceanos
E as distâncias não navegam sobre o mar
Só nos resta sentir o que temos para sonhar

Apaixonados pelo inverso da Lua
Sou o côncavo feminino do seu convexo 
Nesta misteriosa jornada sou toda sua
Entrelaça-me silenciosamente neste seu reflexo

Helen De Rose


*Lançamento em 20/06/12 - CBJE - Rio de Janeiro


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Maçã Verde











No fundo visível 
a terra, o ar
unindo-se ao linear
da água invisível
que a chuva
encerra
sol ilumina
abrigo vivo
na massa
da maçã
alimento
frutose
da metamorfose
surge da
esperança
da cor
uma borboleta
viva
olhando
para a lagarta
o ciclo
recomeçar

Helen De Rose



terça-feira, 3 de abril de 2012

Eu espero você



Oceanos de existência...


caminho na linha do horizonte
segurando uma chama nas mãos

Na janela da alma
minha silhueta olha o tempo
de mãos dadas com o destino

Todos os dias
esperando por você
eu acendi uma vela no chão

Cada passo que dei
me aproximou mais dos seus olhos
e uma alfombra de luz fiz para você chegar

Desde que eu nasci
todos os dias eu morri esperando por você
e continuarei morrendo até me reencontrar

Um oceano de luz está diante de mim
e papéis picados dançam no ar
neles estão os poemas de amor que lhe fiz

Eu espero você
na janela da alma
olhando mais um dia que eu te amei...

Helen De Rose

* Lançamento em 20/05/2012 - Rio de Janeiro - CBJE




segunda-feira, 26 de março de 2012

Na lembrança dessa saudade



Como num sonho surreal, rasguei o céu com minhas mãos , na esperança de voltar no tempo e trazer na lembrança da minha saudade, o dia em que me deitei nas areias mornas da sua ilha, numa manhã ensolarada de outono, onde, diante do oceano da sua existência, atraquei-me no seu cais silencioso.
Naquele momento sublime de nossas vidas, diante do seu mar espumante, que fertilizava as praias da sua ilha, suas ondas fizeram amor comigo, enquanto que suas areias mornas envolveram toda a pele do meu corpo despido diante de ti.
Movimentos naturais das suas águas alimentaram-me como se fossem o leite do néctar materno, saciando minha sede de estar diante da sua ilha, protegida pelo seu olhar sereno e marejado.
Naquele instante, meus olhos perderam a visão, meu corpo estremeceu e senti um calafrio na minha pele aquecida por ti. 
Não sabia se estava na sua ilha ou nas areias mornas da sua praia ou no seu oceano, pois estava envolvida por sua essência de luz.
Na lembrança dessa saudade sinto tudo novamente. 
O mesmo êxtase que senti ao mergulhar no seu íntimo e ser levada por ti, até o céu infinito que esse nosso amor resume.


Helen De Rose


domingo, 11 de março de 2012

Moço Sedutor


Quando eu te vejo, eu me seguro logo,
Da luz do fogo que te cerca, moço!
Contida penso, suspirando alto:
- Meus Deuses! Que fogo alimenta esse alvoroço?

Como me profanas! Meu corpo nas tuas chamas! 
Que se alimentam no voraz segredo
E se me seguro é porque adoro que me assanhas
És sedutor, moço! Tens paixão e eu medo!

Tenho medo de mim, de ti, de nós, 
Da sua luz, da sua sombra, do seu silêncio ou vozes,
Do seu olhar, da sua boca macia a me beijar,
Das horas longas a correr velozes

Ai! Se eu te visse moço fogoso! 
Sobre o cetim deitado no meio
Olhando pra mim com volúpia e dengoso
Os braços abertos, coração pulsante no peito!

Ai! Se eu te visse em delírios sublimes! 
Roçando seu corpo com todo meu gracejo
Sussurrando palavras obscenas no seu ouvido
Morderia sua boca no degustar de um beijo!

O que seria da pureza dos anjos, 
Das vestes brancas, do voar das asas?
Se tu és o anjo da guarda do dragão de São Jorge
Que tentação moço! Sobre meu colchão em brasas!

No fogo do teu calor eu vivo inteira! 
Moço! Tu secas minha boca na fugaz vertigem.
Vil, machuquei com meu pensamento impuro,
As flores de laranjeiras da minha grinalda virgem!

Vampiro do meu deleite! Sorva-me em beijos 
Toda a inocência que meu lábio encerra
Em lascivos abraços, vem matar sua sede nos meus seios
Moço sedutor! Do fogo, do ar, da água e da terra!

Helen De Rose




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Menina Moça



Venho por meio deste poema

Apresentar o meu pedido de demissão
De ser mulher adulta
Quero voltar a ser menina moça
Quero acreditar que o mundo é justo
E que todas as pessoas são honestas
Quero acreditar que tudo é possível
Quero viver num mundo de sonhos
Esperando pelo meu príncipe encantado
Meu eterno e primeiro namorado
Esperando pelo meu primeiro beijo
Quero ficar encantada
Com meus livros de amor
Quero minha camisola
De moranguinhos cor de rosa
De volta para minha cama macia
Quero de volta uma vida simples e sem complicações
Quero correr descalça pela areia atrás da minha pipa
Quero continuar a chupar meu dedo polegar
Enquanto mexo na minha orelha
Pensando no que vou fazer ao acordar
Não quero mais pensar em contas a pagar
Nem no stress das ruas cheias de pessoas
Correndo, com pressa, agitadas
Eu quero ser uma menina moça
Eu quero minha jabuticabeira de volta
Pra eu subir e ficar vendo os passarinhos
Eu quero minha "Susi" de volta
Pra eu brincar de boneca
Quero minhas aulas de Ballet
E voltar a ser baliza da fanfarra
Quero pegar peixinhos na fonte
Do jardim da praça e cuidar deles
Quero voltar a achar que as moedas de chocolate
São melhores do que as de verdade
Porque podemos comê-las
Quero deitar na minha rede
Na varanda da fazenda
Esperando meu cavalo ser laçado
E cavalgar com ele pelos pastos
Quero ser menina moça
E passar o dia todo na piscina
Brincando na água de mergulhar
E plantar bananeira
Eu quero voltar no tempo
E ter a inocência de uma menina
Ainda ingênua e pura no pensamento
E sentir meu corpo mudando
Meus seios crescendo
Meus pelos pubianos surgindo
Minha silhueta tomando forma
Transformando-se numa moça
Quero voltar ao tempo
Em que se é feliz
Na ignorância de não saber
Que existe hipocrisia nas pessoas
Quero voltar a poder brincar
De "Balança Caixão" com os amigos
"Pêra, uva, maçã ou salada mista?"
Dançar ao som do Bee Gees
Nas brincadeiras dançantes
Os anos dourados da minha vida
Do tempo das "discotecas"
A melhor época que já vivi
Demito-me...
Eu quero voltar a ser
Menina Moça


Helen De Rose



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